A Beira Serra continua a fazer sentido

A Beira Serra continua a fazer sentido

Foi este o título de um texto que publiquei em 2003 relativo ao processo de reorganização do território em torno dos limites das NUT III que então estava em discussão.

Volvidos 9 anos mantenho esta convicção, quando o assunto regressa à ordem do dia e não está a merecer a devida atenção por parte das populações já que, uma vez mais, é imposta pela Administração a tomada de uma decisão num período demasiadamente curto, impedido o debate que o mesmo merece dadas as fortes implicações que terá no nosso futuro colectivo.

O recente Congresso da Beira Serra concluiu pelo reforço da coesão entre os municípios de Arganil, Góis, Oliveira do Hospital e Tábua, que se devem manter unidos independentemente da configuração da nova Comunidade Intermunicipal (CIM), a par da sua abertura em acolher outros Municípios, designadamente os localizados a Norte, que dariam expressão a um território que integre Concelhos com os quais tenhamos maior afinidade e interesses comuns mais relevantes.

No meu entendimento, este deveria ser o caminho prioritário a seguir, demonstrando que o melhor para a nossa Região é darmos continuidade ao trabalho e às relações que foram sendo construídas e consolidadas ao longo dos últimos anos e que tão bons resultados têm vindo a proporcionar, já que entre estes Municípios pontifica uma lógica de cooperação e complementaridade na acção comum, que supera uma lógica competitiva que normalmente está associada a estes processos de desenvolvimento.

A defesa dos interesses próprios de cada Município também passa pela implementação de estratégias comuns, para mais num momento em que nos aproximamos do próximo Quadro Estratégico Comum 2014-2020 que irá disponibilizar meios para a promoção da coesão territorial, através de medidas especificas para os territórios de baixa densidade.

No processo em curso devemos, assim, empenhar-nos na preservação da identidade e dos factores que nos unem, ajudando a criar a escala e dimensão necessária à optimização dos recursos e à concretização dos nossos anseios.

Uma CIM constituída por Municípios que protagonizem lógicas de desenvolvimento similares é preferível a uma agregação da qual resultem dinâmicas muito dispares, ou seja, na constituição de uma Região onde existam Concelhos que evoluem a duas velocidades e cujos interesses são muito distintos, o que dificulta a montagem de estratégias coerentes e que respondam eficazmente às necessidades do Território.

Contudo, também entendemos que no caso de não haver alternativas a esta ultima solução, e tendo sempre presente a coesão desta sub-região, com toda a certeza que seremos capazes demonstrar que de forma alguma aceitamos ser encarados como “parentes pobres” que se contentam com as migalhas dos outros, já que exigiremos ser tratados de acordo com os princípios da igualdade, reivindicando para a Beira Serra os meios a que temos pleno direito, baseados numa discricionaridade positiva que deve marcar a solidariedade de quem mais tem para com os seus parceiros.

Não obstante o que o futuro nos possa reservar, esta sub-região deve estar disponível para continuar a trabalhar em parceria, reforçando um trabalho meritório que tem vindo a contribuir para o aumento dos níveis de desenvolvimento da Beira Serra e para a sua afirmação no contexto regional e mesmo nacional.

A experiência diz-nos que tal será uma realidade, a bem do futuro das populações que servimos.

Miguel Ventura