ARGANIL: Assembleia de Freguesia dividida quanto ao desenvolvimento na sede do concelho

Num artigo de opinião publicado hoje, dia 10, (edição em papel) na A COMARCA DE ARGANIL, a candidata à Junta de Freguesia de Arganil pelo PS (Partido Socialista) nas últimas Eleições Autárquicas, dá conta do resultado da votação de uma Moção apresentada pela bancada socialista na última sessão daquele órgão autárquico, onde defendem o “apoio institucional” a uma resolução da Santa Casa da Misericórdia de Arganil para a requalificação do antigo Hospital Condessa das Canas para a instalação de uma nova Unidade de Cuidados Continuados, que prevê a instalação de 36 camas e a criação de 25 postos de trabalho.

Cristina Figueiredo, face ao resultado da votação da Moção – os proponentes socialistas votaram favoravelmente e os deputados independentes abstiveram-se – recorda que em Junho de 2018 a Assembleia de Freguesia votou favoravelmente, por unanimidade, a moção “MAIS SAÚDE PARA O HOSPITAL DO LORVÃO”.

Por isso questiona: «Afinal, qual é o critério que nos leva a votar pelo desenvolvimento dos outros concelhos, e a abstermo-nos ao desenvolvimento do nosso?».

«Porque é que a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha?

“A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha”. Esta é a sentença que tem arrasado, ao longo dos anos, com Arganil. A razão subjacente a isto, não está só em acreditar que aquilo que os outros concelhos possuem é melhor face à insatisfação daquilo que possuímos, mas, sobretudo porque, dentro do nosso próprio “bosque encantado” já enraizámos a intrínseca necessidade de nos censurarmos uns aos outros para existirmos! Não pelo que somos ou temos, mas sim pelo que o vizinho possuí e, efetivamente, não queremos que continue a possuir. O mesmo é dizer que “A galinha que canta como galo corta-se-lhe o gargalo”.

Infelizmente, há muito que nos habituaram a aceitar que, viver assim é muito mais cómodo! Não nos iludamos, porque em boa verdade, o nosso epíteto de “pintassilgos” já não é perfilhado senão como meras aves, e de preferência sem asas, ao dispor de lutas de galos que ambicionam conquistar e/ou manter-se nos poleiros. Mas, se o “galinheiro” pertencer a outro concelho, aí, o caso já muda de figura! Todos somos poucos, mas úteis, a pugnar pelo desenvolvimento dessa “capoeira”, nem que seja só, para conjurar as “penas” que temos e não temos em batalhar por uma nossa, igual ou melhor.

Vem isto a propósito do que aconteceu na última Assembleia de Freguesia de Arganil, realizada no passado dia 21 de dezembro, onde os membros eleitos pelo Partido Socialista apresentaram uma moção de apoio à requalificação do antigo Hospital Condessa das Canas para a instalação de uma nova Unidade de Cuidados Continuados em Arganil.

Apresentada a proposta sob os considerandos que:

  1. A sustentabilidade e o desenvolvimento de condições de melhoria de cuidados de saúde em Arganil, face ao crescente envelhecimento da sua população, deviam merecer o apoio e o envolvimento de todas as forças políticas, órgãos autárquicos, Município e cidadãos;
  2. A instalação de uma nova UCC integrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, seria um investimento fundamental e estruturante para a melhoria e diferenciação técnica de cuidados de saúde em Arganil, permitindo a expansão da capacidade instalada e de respostas assistenciais na procura de cuidados de saúde especializados;
  3. Este, seria também, um investimento que, promoveria a freguesia e o concelho no contexto da rede social do território da Beira Serra, bem como no desenvolvimento da economia local, beneficiando gerações presentes e futuras, uma vez que, a ele está subjacente a criação de 25 postos de trabalho e, simultaneamente, a instalação de 36 camas;
  4. A requalificação e remodelação do antigo Hospital Condessa das Canas não deixaria de ser, um reconhecimento e valorização à memória histórica de Arganil, devolvendo aos arganilenses, a recuperação de um dos edifícios mais emblemáticos desta vila.

Curiosamente, estes argumentos não foram suficientemente válidos para consolidar a unanimidade desta assembleia à moção apresentada, pois só os 4 proponentes socialistas a votaram favoravelmente.

Mais curioso ainda é que, numa reunião anterior, de 25 de Junho de 2018, esta mesma Assembleia de Freguesia foi unânime na aprovação da moção “Mais Saúde para o Hospital do Lorvão”, que objetivava transformar as antigas instalações de saúde psiquiátrica do concelho de Penacova, numa unidade de cuidados continuados.

Afinal, qual é o critério que nos leva a votar pelo desenvolvimento dos outros concelhos, e a abstermo-nos ao desenvolvimento do nosso?

Não é nosso dever primordial, participar, contribuir e apoiar alternativas sociais e de progresso que, possibilitem através dos recursos e potencialidades que este concelho detém, reposicionar Arganil, se não a um papel de liderança, pelo menos de referência, no contexto territorial e geográfico que nos inserimos?

Atitudes como a coibição, a indiferença, a passividade e o conformismo têm sido o “milho” que alimenta a falta de vontade própria para querer fazer desta “terra”, um lugar com a voz e a relevância que um centro de força populacional e sede territorial do concelho, deve exercer na necessária capacidade de intervir e de ligar eficazmente, o interesse dos arganilenses aos objetivos sociais que se impõem nos dias de hoje.

Contudo, e apesar de existirem sempre tantas outras ou melhores “rações” que a própria “ração” desconhece, acredito que, um dia, a minha galinha será tão boa como a da vizinha!

Cristina Figueiredo»