DIREITO DE RESPOSTA: «Padre “delapida” rotunda das oliveiras»

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Relacionada com o artigo da “A COMARCA online” – Padre “delapida” rotunda das oliveiras», publicamos a carta (Direito de Resposta) assinada pelo Padre João Fernando Marques Dias, pároco de Midões e arcipreste de Tábua.

«Midões, 20 de Março de 2015

Ex.mo Sr. Diretor do Jornal “A Comarca de Arganil”

António Lopes Machado

Venho manifestar o meu desagrado completo pela notícia publicada no vosso site, no dia 19 de março de 2015, na secção “Destaque, Notícias”, intitulado «Padre “delapida” rotunda das oliveiras» e sem assinatura do autor.

O meu desagrado deve-se ao facto de se tratar de um artigo sem qualquer qualidade jornalística: falta de objetividade, de isenção – numa notícia não se pode tomar partido nem fazer comentários jucosos. Como sabe, uma notícia não é um artigo de opinião ou um texto de insinuações, nem deve centrar-se em alimentar “telenovelas de facebook”.

Em concreto, chamo a atenção para os seguintes erros da notícia:

– Diz-se “foi apanhado em flagrante” – Quem é que o “apanhou”? Está a insinuar que é ladrão? Que estava a praticar aquele ato às escondidas? Se essa fosse a intenção, certamente tê-lo-ia feito de noite.

– Diz-se “pede agora ajuda em sua defesa” – Pede ajuda a quem? Já está a ser julgado em tribunal? Pediu ajuda ao jornalista que escreveu a notícia?

– Diz-se “a roçar o cúmulo do ridículo” – É o jornalista que faz a avaliação cómica da situação? Está a dar a sua opinião pessoal? Onde está a sua isenção?

– Diz-se “o assunto caíu nas redes sociais” e que nelas se diz que “é acusado de “prepotência” e  “abuso de confiança” – estranho que este jornalista fundamente esta notícia nas redes socias, quando sabemos como este tipo de comentários nas redes sociais é tão pouco objetivo e tão pouco representativo da população, sendo aproveitado normalmente por quem está ressentido por algum motivo muito particular.

– Diz-se “havendo [nas redes sociais] epípetos para todos os gostos, alguns deles, diga-se, hilariantes” – agora o jornalista é um avaliador da comicidade de epítetos!

– Diz-se na parte final “[A pessoa em causa] deverá aproveitar a homilia do próximo domingo”… – É o cúmulo da subjetividade no jornalismo! O jornalista dedica-se a fazer previsões ou a dar sugestões à pessoa implicada na notícia, ainda por cima em tom irónico?

Resta perguntar: O que é que este jornalista tem contra a pessoa em questão e que direito tem de o difamar através desta notícia elaborada sem qualquer critério jornalístico? Ou será puro mau gosto sensacionalista para vender jornais à custa da boa fama de uma pessoa?

– Diz-se ainda “para esclarecer o assunto” – A Comarca, através desta notícia, não esclareceu já tudo? Ou só ajudou a criar ainda mais confusão? É significativo que o autor da notícia não a tenha assinado. Porque não terá querido mostrar a cara?

Admiro e dou muito valor à Comarca de Arganil há muitos anos, uma vez que sou natural de Aldeia das Dez e sempre vivi em Oliveira do Hospital, recebendo e lendo o jornal em casa dos meus pais. Acho que este Jornal, por ser Jornal e pela sua longa boa história, deve rejeitar este tipo de jornalismo que brinca com “mexericos” e, de jornalismo, não tem nada.

Por tudo isto, acho que o Jornal deve um pedido de desculpas aos seus leitores e à pessoa denegrida na notícia em causa.

Despeço-me com os melhores cumprimentos.

Pe. João Fernando Marques Dias»

ESCLARECIMENTO DO JORNALISTA:

A “COMARCA online” limitou-se, face à constatação de factos difundidos pela rede social “facebook” (devidamente identificados), a auscultar a autoridade máxima do concelho de Tábua – presidente da Câmara.

A rotunda em questão – tal como as restantes na vila de Tábua – são públicas, e por isso, são da “jurisprudência” autárquica. Logo, mesmo com o argumento do “usufruto”, não podem ser intervencionadas sem o conhecimento camarário. Foi exactamente isso que aconteceu.

Para o “roçar o cúmulo do ridículo”, de facto não tenho argumentos. O acto, por si só, demonstra-o.

«- Diz-se “o assunto caíu nas redes sociais” e que nelas se diz que “é acusado de “prepotência” e “abuso de confiança” – estranho que este jornalista fundamente esta notícia nas redes socias, quando sabemos como este tipo de comentários nas redes sociais é tão pouco objetivo e tão pouco representativo da população, sendo aproveitado normalmente por quem está ressentido por algum motivo muito particular.».

É de admirar que o Padre João Fernando Marques Dias e a UPT (Unidade Pastoral de Tábua) utilizem a mesma “rede social”… mas …

«- Diz-se na parte final “[A pessoa em causa] deverá aproveitar a homilia do próximo domingo”… – É o cúmulo da subjetividade no jornalismo! O jornalista dedica-se a fazer previsões ou a dar sugestões à pessoa implicada na notícia, ainda por cima em tom irónico?».

O jornalista limitou-se a subentender o “conselho” que foi dado (utilizando as suas palavras) [A pessoa em causa]. Como foi escrito, Mário Loureiro «que para já não quer pronunciar-se sobre o assunto, confirmou no entanto os factos, e ao que a A COMARCA conseguiu apurar, aconselhou o padre a pedir desculpas publicamente».

«Resta perguntar: O que é que este jornalista tem contra a pessoa em questão e que direito tem de o difamar através desta notícia elaborada sem qualquer critério jornalístico? Ou será puro mau gosto sensacionalista para vender jornais à custa da boa fama de uma pessoa? – Diz-se ainda “para esclarecer o assunto” – A Comarca, através desta notícia, não esclareceu já tudo? Ou só ajudou a criar ainda mais confusão?»

O jornalista, NADA TEM CONTRA A PESSOA EM QUESTÃO. Espero que fique bem claro. O jornalista em questão NÃO DIFAMOU, nem nunca foi sua intenção difamar. Mais, A COMARCA limitou-se, depois de constatado o facto, a informar um caso que é público.

«É significativo que o autor da notícia não a tenha assinado. Porque não terá querido mostrar a cara?»

Caro Padre João Fernando Marques Dias, o senhor é natural, como diz, de Aldeia das Dez. Eu não sou, mas as minhas raízes – por parte do meu pai – como bem sabe, também são de Aldeia das Dez.

Para que não restem quaisquer dúvidas, convém ainda referir que os artigos na versão online de A COMARCA não se encontram identificados, pois conforme a sua pertinência tem desenvolvimento na versão papel, ou não, contudo mantêm a tua identificação.

Caso tenha sido ferida a susceptibilidade de alguém, desde já se apresentam as desculpas, pois não foi essa a intenção.

Quanto à polémica, esta não foi causada pelo jornalista, nem pela notícia divulgada, antes sim pela valorização que lhe foi dada por quem, eventualmente se sentiu incomodado.

Os factos estão à vista de todos, não cabendo ao jornalista, muito menos à A COMARCA, fazer juízos de valor. Antes sim, divulgá-los conforme aconteceu, sendo apenas recolhidas algumas reacções ao sucedido.

Paulo Jorge Campos Marques Mattos Carvalho Afonso (Paulo Mattos Afonso – TPE 379)