TÁBUA: 100 CASOS DE DOENÇA MENTAL SINALIZADOS MAS SEM UNIDADE DE TRATAMENTO

A vice-presidente do município tabuense, Ana Paula Neves, deu a conhecer no decorrer da última Reunião de Câmara, o número de casos sinalizados na área da Saúde Mental, lamentando a alteração da Lei que inviabilizou a entrada em funcionamento da Unidade de Vida Apoiada (UVA), que iria funcionar em Vila Nova de Oliveirinha.

Também daquela alteração legislativa recorde-se, resultou o fecho do Hospital do Lorvão (unidade que servia o concelho de Tábua), com todos os doentes a retornaram às famílias e/ou aos seus locais de residência.

Sem qualquer tipo de equipamento de Saúde Mental, a situação preocupa a vice-presidente da Câmara Municipal de Tábua, que pela segunda vez levou o assunto à Reunião Pública do Executivo, desta vez para dar conta dos números e da forma como as instituições do concelho estão a lidar com o caso.

O problema, segundo Ana Paula Neves, colocou-se logo aquando do encerramento do Hospital do Lorvão, com os doentes a regressarem aos seus locais de origem (…) «e muitas vezes essas pessoas não têm retaguarda familiar, e vêm para as comunidades sem qualquer protecção», pelo que a solução passa, inevitavelmente, por as integrar nas IPSS’s».

Acontece, acrescenta a autarca, que muitas dessas pessoas são ainda jovens – na maioria em processo de desintoxicações várias (substâncias aditivas) – (…) «e começa a ser um problema para as nossas comunidades porque as nossas instituições não foram criadas para ter/lidar com deficiência mental ou com estas questões da Saúde Mental».

Com uma centena de casos sinalizados de pessoas com problemas relacionados com substâncias aditivas (mais alcoólicos em tratamento do que toxicodependentes), Ana Paula Neves revelou os números dos pacientes que estão a ter “protecção”: em Midões, no Centro Social estão 21 pessoas; em Espariz, na Casa do Povo, 8 pessoas; em Covas, no Centro Social, 2 pessoas; e na Fundação Sarah Beirão, 2 pessoas. Contudo, em qualquer destes 34 casos, nenhum tem qualquer tratamento específico.

Em contacto directo e permanente com a equipa de Saúde Mental – serviços de Psiquiatria do CHUC-Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra -, que está a deslocar-se ao concelho de Tábua há quase um ano, (…) «foram-se abrindo alguns caminhos e começa a aparecer uma “luzinha” ao fundo do túnel, e espero que este problema possa vir a ser resolvido», diz esperançada a vice-presidente do Município tabuense.

“Chão que não deu UVA”

Em Setembro de 2013, A COMARCA deu eco do protocolo assinado entre a Fundação Octávio Maria de Oliveira e o Centro Social Caeiro da Matta da Paróquia de Midões que permitia ao Centro Social desenvolver actividades e apoiar pessoas com necessidades de assistência do foro psiquiátrico, nas instalações de Vila Nova de Oliveirinha.

O acordo recorde-se, selou a cedência das instalações – que haviam sido remodeladas pela Fundação – para a implementação de uma Unidade de Vida Apoiada (UVA) e Fórum Socio-ocupacional, prevendo-se a sua utilização por um período de cinco anos, que poderiam ser renováveis.

Com a criação daquelas duas unidades vocacionadas, exclusivamente, para pessoas portadoras de doenças do foro psiquiátrico – com alguma autonomia, mas dependentes de terceiros – em regime de internamento com capacidade para 9 utentes, pretendia-se colmatar uma lacuna já então existente no concelho de Tábua, sendo que o Fórum Socio-ocupacional – em regime de Centro de Dia -, com capacidade para 23 utentes iria permitir várias actividades bem como uma ocupação (…) «não só para os residentes mas, também, para outros que estejam ainda nas suas famílias mas que queiram aproveitar as nossas valências», explicou na ocasião o presidente do Centro Social, Padre João Fernando Dias, que avisava, contudo, que a parceria, dependia do apoio da Segurança Social (…) «estamos em lista de espera» para dar prioridade (…) «a pessoas com este tipo de problemas», numa primeira fase, apenas para residentes no concelho de Tábua, salientava na ocasião.

Quanto ao envolvimento da autarquia (Câmara Municipal) – que iria ajudar nos arranjos exteriores da quinta – prendia-se com o facto de, para além das instalações existentes estarem sem qualquer utilização há cerca de sete anos – à época – (…) «trata-se de dar resposta a estes casos tendo em linha de conta a qualidade de vida das pessoas» para além das garantias – com provas dadas – de que o Centro Social de Midões (…) «irá desenvolver um excelente trabalho».

Ainda segundo o presidente da Câmara, esta resposta social, merecia por parte da autarquia uma especial atenção (…) «sempre foi nossa intenção incentivar algumas IPSS e instituições para esta área» lembrou na altura Mário Loureiro.

Município recebeu Reunião de Formação no âmbito da Saúde Mental

Entretanto no dia 24 de Novembro, decorreu uma Reunião de Formação “Tratamento Farmacológico do Doente Mental Grave”, no âmbito da Saúde Mental, promovida pela Unidade de Saúde Mental Comunitária do Pinhal Interior Norte, dirigida a profissionais de saúde e das Ciências Sociais e Humanas, bem como técnicos/auxiliares de IPSS’s.

No encontro que decorreu na Biblioteca Municipal João Brandão, foram abordados os temas “Psicofármacos e outros medicamentos usados para tratamentos do doente mental grave”, com a Dra. Joana Ribeiro, Médica Interna de Psiquiatria CHUC, e “Trabalhar a adesão ao tratamento em Cuidados Integrados para a Recuperação (CIR) dos Doentes Mentais Graves”, com a Dra. Célia Franco, Médica Psiquiatra ESMC- PIN.

A acção teve como objectivo dotar os profissionais, que trabalham diariamente com pessoas afectadas por esta problemática, com mais conhecimentos para que a vulnerabilidade social destes doentes possa ser minimizada com a intervenção integrada local e a colaboração e partilha de todos.