GÓIS: “Aproximar é estar mais perto” da população idosa do concelho

Coordenador, equipa e colaboradores do “Aproximar”

No passado dia 22, na Casa da Cultura, o Município apresentou o projecto “Aproximar”, integrado na estratégia municipal  de promoção do envelhecimento activo no concelho que “tem como missão melhorar a qualidade de vida da população idosa através do combate ao isolamento social”, por intermédio da acção directa de uma equipa multidisciplinar do Núcleo de Desenvolvimento Social, Cultural e Económico da Câmara Municipal e a implementar num fase piloto nas aldeias de Malhada e Carvalhal do Sapo, na União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal.

Após um levantamento das necessidades dos idosos efectuado nos primeiros três meses do ano (feito com base em questionários aplicados porta a porta pela equipa do Radar Social, em Malhada e Carvalhal do Sapo) e numa metodologia que será replicada nas restantes freguesias e do planeamento das diferentes actividades a desenvolver no terreno, o projecto “Aproximar” começa agora a ser implementado, decorrendo até Novembro e indo sendo avaliado no decorrer desses meses e, como considerou o presidente da Câmara Municipal, Rui Sampaio, o nome escolhido para o projecto “não poderia ser mais feliz”, porque “aproximar é estar mais perto e o Município de Góis tem tido sempre, ao longo dos tempos, políticas de aproximação, principalmente com os mais idosos, mais vulneráveis e temos uma vasta área territorial e muitas aldeias com poucas pessoas e aí há sempre mais solidão. E envelhecer só não é a melhor forma de envelhecer”.

Direccionado “para uma franja da população que se calhar é a que tem um maior número de pessoas no concelho, as pessoas idosas”, o projecto “Aproximar” assume como principal objectivo promover o envelhecimento activo, digno e saudável, recordando ainda o presidente da Câmara Municipal que o concelho tem mais de 1400 pessoas com mais de 65 anos o que “é um drama e uma preocupação” e, por isso, “tivemos sempre em mente implementar as melhores acções para as pessoas que estão mais afastadas e isoladas e que têm mais dificuldade em aceder a serviços de proximidade”.

O projecto “Aproximar”, que conta ainda com o apoio de vários serviços municipais e diversas entidades parceiras, além de “promover o envelhecimento activo e saudável”, pretende também “levar às populações o que o Município e as forças vivas do concelho lhes podem oferecer, não só as diversas actividades que temos planeadas, mas também informação” e, por esse facto e como afirmou Rui Sampaio, o Município vai envolver “as forças de segurança, de saúde, os actores do território da área social” para que, “todos em conjunto, possamos promover melhor qualidade de vida e bem-estar para a nossa população. Nas aldeias onde há menos pessoas elas têm necessidade de conversar, de estar com alguém, estar próximo das pessoas é um dos desígnios deste executivo e, com este projeto, queremos reforçar o que tem sido as diversas práticas dos serviços de Acção Social que também são feitas com as parcerias que o Município tem com todas as IPSS do concelho”.

Rui Sampaio não deixou de dar a conhecer também que o projecto será apoiado em termos financeiros pelo próprio Município e, no que concerne às deslocações da equipa, inicialmente irão utilizar uma carrinha que foi adquirida recentemente, no âmbito do PRR, para as diferentes actividades do Centro de Saúde, mas de futuro “é nossa intenção, através de um financiamento, adquirir uma viatura para este trabalho”.

A técnica do Município, Célia Simões, deu depois a conhecer o projecto “Aproximar”, referindo que nasce da “necessidade de responder a uma realidade adversa: o envelhecimento acentuado da nossa população e o isolamento que afecta muitas das nossas pessoas idosas, especialmente aquelas que vivem em zonas mais remotas e com menor acesso a recursos sociais e culturais”.

“Portugal é um dos países mais envelhecidos da União Europeia e o concelho de Góis apresenta números particularmente expressivos”, disse Célia Simões, acrescentando que, por isso, “torna-se essencial criar respostas inovadoras, humanas e sustentáveis que promovam o envelhecimento activo, a inclusão social e o fortalecimento dos laços comunitários”, particularmente para pessoas idosas que vivem em localidades dispersas do concelho “onde a distância geográfica e a insuficiência de infraestruturas sociais e/ou culturais contribuem para o isolamento”, pelo que e com o “Aproximar”, pretende-se “criar condições para promover um envelhecimento activo, digno e saudável”, bem como “contribuir para a criação de um território mais próximo, inclusivo e participativo – onde ninguém fique para trás”.

A equipa do “Aproximar”

Coordenado pelo presidente da Câmara Municipal e constituída por quatro técnicos do Município, Célia Simões, Dominique Brito, Miguel Mourão e Mónica Costa,  o projecto “Aproximar” tem ainda como outros dos propósitos “combater o isolamento e o sentimento de solidão, promover a inclusão e o exercício da cidadania, estimular o bem-estar físico, cognitivo e emocional, criar redes de apoio social e facilitar o acesso à informação e, acima de tudo, aproximar as pessoas umas das outras e dos recursos do concelho”, disse a técnica do Município, referindo ainda que, no terreno, pretendem trabalhar “com uma abordagem descentralizada e de proximidade, com sessões semanais em pequenos grupos, com duração entre 60 a 90 minutos”, tendo esta primeira edição (que será um projeto piloto) cerca de vinte e cinco sessões ao longo de seis meses. As actividades a desenvolver dividem-se em dois eixos principais, o “Ser +” (com dinâmicas de grupo, partilha, convivência e bem-estar) e o “Saber +” (com sessões informativas sobre saúde, segurança, direitos, entre outros temas relevantes). Já a planificação das sessões será adaptável aos interesses de cada grupo, contando também com a presença rotativa dos vários serviços e entidades envolvidas.

“O projecto arranca nas localidades seleccionadas com base em critérios como o isolamento geográfico, o envelhecimento da população e a escassez de actividades”, referiu ainda Célia Simões, e porque pretendem que “seja efectivo e evolutivo”, irão “acompanhar e avaliar o seu impacto” fazendo “questionários antes, durante e após a implementação, indicadores como o nível de participação e a percepção de bem-estar”, assim como “recolha contínua de feedback para melhoria e adaptação das acções”, considerando por isso que  o “Aproximar” “é mais do que um conjunto de actividades, é um reencontro com a comunidade, um convite à presença, à escuta e à partilha”. E porque “envelhecer com qualidade é um direito. Aproxime-se!”.