
Apesar do “balanço positivo” do seu primeiro mandato autárquico, o presidente da Câmara Municipal de Penacova reconhece, contudo tratar-se de “trabalho inacabado”. Nesta entrevista, Álvaro Coimbra aponta, caso ganhe as eleições, a expansão das áreas de acolhimento empresarial como prioridade.
Álvaro Coimbra recandidate-se a um novo mandato nas próximas Autárquicas (ver edição de 26 de Junho), e em declarações à A COMARCA, faz um balanço “bastante positivo”, dos primeiros quatro anos.
«Quando partimos para este trabalho, em 2021, definimos determinadas metas. Penso que grande parte delas foram alcançadas», começa por revelar, mas, ainda assim, reconhece (…) «há sempre coisas que não estão nos nossos planos fazer, e acabamos por fazer, e há outras que queríamos fazer e não conseguimos, pelo menos na sua plenitude. Ainda assim acho que o balanço é bastante positivo».
A COMARCA DE ARGANIL (ACA): O que é que falta fazer? Já disse que nem tudo é possível fazer-se…
ÁLVARO COIMBRA (AC): O que é que falta fazer? Falta sempre muita coisa. É sempre um trabalho inacabado.
Demos passos muito grandes nas obras que têm a ver com o PRR e com a melhoria dos serviços públicos, por exemplo, o Centro de Saúde e Extensões de Saúde, a requalificação da escola EB23, do pavilhão municipal, são obras que estão em marcha. Na Habitação a custos acessíveis, um prédio já em construção de 19 apartamentos e a recuperação de algumas antigas escolas primárias, também para a Habitação a custos acessíveis. Portanto, uma melhoria muito grande nos serviços públicos e um investimento, como não há memória, no concelho de Penacova nas últimas décadas.
Portanto, isso foi conseguido. No âmbito do Turismo…
«O Turismo é uma área transversal que mexe com uma série de coisas: desde o comércio, ao alojamento, à restauração, às empresas de animação, artesanato, serviços»
ACA: … Penacova deu um grande salto a nível turístico. Há uma forte aposta nesse sector?
AC: Sim, sem dúvida. As estatísticas demonstram isso. Apesar de não termos hotelaria – vamos ter em breve – temos dezenas de alojamentos locais. Nota-se pelas estatísticas que houve uma subida muito grande ao nível das dormidas – que é assim que se mede – acima até da média nacional. Isso quer dizer que o trabalho de promoção que temos feito de Penacova tem dado resultados e tem sido bem feito.
E depois conseguimos – é o tal clique que faltava no Turismo – desbloquear um caso muito complicado, que era o hotel de Penacova, que estava há mais de uma década ao abandono e conseguimos encontrar um investidor credível, de uma das maiores cadeias do país. Eu acho que vai ajudar a dar um impulso muito grande ao Turismo, porque, como sabe, o Turismo é uma área transversal que mexe com uma série de coisas: desde o comércio, ao alojamento, à restauração, às empresas de animação, artesanato, serviços. Portanto, eu acho que tudo isso vai, por arrasto, dinamizar a economia loca, e que, como sabe, tem sido também um motor da economia nacional. Esperamos que também seja aqui, a nível local».
«Há sempre coisas que não estão nos nossos planos fazer, e acabamos por fazer, e há outras que queríamos fazer e não conseguimos, pelo menos na sua plenitude. Ainda assim acho que o balanço é bastante positivo»
ACA: Há um tema, que acho que é a pior obra que os autarcas podem fazer – porque não dá visibilidade, mas que é necessária e é básica – que é o saneamento. Como é que estamos a este nível não só na vila, como também no resto do concelho?
AC: Temos uma grande obra em curso, que é a rede de saneamento – primeira fase – na freguesia de Figueira de Lorvão, que ronda perto de um milhão de euros. A obra está em curso.
ACA: Por quê Figueira de Lorvão?
AC: Porque Figueira de Lorvão é uma das freguesias com maior população, muito rejuvenescida, com uma série de aglomerados que quase não se distinguem uns dos outros, portanto, é quase uma linha contínua. E foi por aí que nós decidimos começar. Mas a nível do concelho, o saneamento básico, ainda está um bocadinho aquém dos números que devia ter.
ACA: Qual é a taxa de cobertura?
AC: Em 2021, quando chegámos, era um pouco acima dos 50%. Portanto, agora estará um bocadinho mais, mas é, de facto, uma área onde devemos continuar a apostar em investimento.
Esta obra teve uma candidatura aprovada pelos fundos europeus, e esperamos que a seguir possamos avançar com outras, porque temos ainda muito caminho para fazer nessa área do saneamento básico.
ACA: A nível de fixação de empresas, há a zona industrial, junto ao IP3 e há uma ou outra em São Pedro de Alva. Qual é a dinamização? O que é que está a ser feito para a captação de empresários e da fixação de empresas?
AC: Há sempre um processo burocrático muito complexo. Primeiro tivemos que finalizar os planos de pormenor, que não estavam. Depois, alterámos no que diz respeito à Alagoa, criámos novos lotes, onde vão ser instaladas novas empresas. Uma delas, um dos lotes está já entregue, e um outro vai ser entregue muito em breve. Depois, adquirimos já terrenos na Lagoa para expansão da área empresarial.
ACA: Porquê a Alagoa?
AC: Pela sua localização geográfica. O parque empresarial da Alagoa está a 20 minutos de A1 (Auto-Estrada N.º 1), portanto, acreditamos que terá muito maior procura quando as obras estiverem a andar. A nossa ideia é duplicar a área do parque da Alagoa. Adquirimos já alguns terrenos, vamos continuar a adquirir terrenos, e o projecto estará para breve.
ACA: E em relação ao Parque Industrial do IC 6, em São Pedro de Alva?
CA: Está mais atrasado. São terrenos que ainda não partimos para a sua aquisição, mas têm já o plano pormenor definido. Depois, ainda nesta área das empresas, submetemos também uma candidatura ao 2030 para a criação de um ninho de empresas, de uma aceleradora de empresas, que no fundo tem como objectivo captar jovens empresários que queiram lançar os seus negócios. Trata-se do aproveitamento de um grande edifício que serviu, noutros tempos, para a escola primária, mas é um edifício muito grande, com áreas generosas, e que queremos transformar numa área de acolhimento de empresas mais pequena, mas para empresas em início de carreira, digamos assim.
ACA. Falamos de empresas, e isso leva-nos à rede viária…
AC: Em relação à rede viária, temos feito muitos investimentos, como sabe, não há dinheiro dos Fundos Europeus para as estradas. É uma batalha que os municípios têm tido e têm tentado reivindicar junto do Governo, que a determinada altura nos disse que estaria a negociar com o BEI (Banco Europeu de Investimento) um pacote para que os municípios pudessem aceder a esses financiamentos, mas ainda não há nada definido.
Portanto, todas as obras que temos feito na rede viária têm sido com orçamento municipal, e temos feito muitas. Ainda esta semana lançámos mais uma, a requalificação da estrada Paradela-São Mamede, na freguesia de Lorvão, e o critério tem sido atacar aquelas que estão em pior estado. Temos mais de uma dezena de intervenções feitas.
Temos outras duas em colaboração com a IP (Infraestruturas de Portugal) – um troço da Nacional 2 e da Estrada Nacional 228 – e assim vamos continuar com este critério. Ou seja, recuperar a rede viária, atacando aquelas que estão em pior estado, mais degradadas.
Fizemos também uma intervenção grande em muitas estradas, desde a melhoria da sinalização horizontal e vertical, com guardas metálicas, pintura dos traços. Portanto, nesse aspecto temos feito um trabalho globalmente positivo.
ACA: Em relação à EM (Estrada Municipal) 235, que liga a Ponte a Penacova…
AC: Foi uma contrariedade que não estava nos nossos planos. O Inverno foi muito rigoroso. Temos dois acessos a Penacova neste momento bloqueados. Um está quase resolvido, que é aqui a rua da Costa de Sol.
A (estrada) 235 é uma obra mais complexa. É uma antiga Estrada Nacional que foi desclassificada, já há alguns anos e passou a ser Municipal. Já é o terceiro deslizamento só neste mandato, mas vai abrir a dentro de dias. Para além daquele deslizamento severo, temos outros três para resolver, e nós queremos fazer uma intervenção em conjunto para que a estrada possa ficar definitivamente segura e transitável.
Como era um imprevisto que não estava orçamentado, temos de recorrer à banca. O empréstimo terá de ser autorizado pela Assembleia Municipal (que decorreu na última sexta-feira, dia 27 de Julho).
«A prioridade será as áreas de acolhimento empresarial»
ACA: Mas deverá ser aprovado?
AC: Sim, deverá ser desbloqueada, penso que não haverá outro caminho. Depois haverá o Tribunal de Contas. O projecto está praticamente pronto, e só falta lançar a empreitada.
ACA: Quais têm sido os constrangimentos?
AC: Para quem vem do IP3 não há, mas para quem utiliza aqui a Nacional 2 e a 110, é um acesso principal. Tem havido queixas por parte do comércio local, da restauração, das pessoas que todos os dias utilizam a estrada, dos transportes públicos. Felizmente há alternativas, mas as alternativas não são, na opinião das pessoas, as ideais, e não são porque nós sabemos que Penacova tem um relevo muito acidentado, e portanto é difícil ter um acesso semelhante nas mesmas condições, mas estamos a crer que nos próximos meses será resolvido.
ACA: Estamos a pouco mais de dois meses das Eleições Autárquicas. Caso ganhe, quais são os projectos com que os penacovenses podem contar?
AC: Projectos para o futuro, para o próximo mandato? Se continuarmos, penso que a prioridade será as áreas de acolhimento empresarial. Agora que o trabalho burocrático está concluído, penso que avançar com a expansão, primeiro da área empresarial da Alagoa será a prioridade porque precisamos muito de novas empresas, de captar investimento, de criar emprego, de fixar as pessoas. Sabemos que somos um bocadinho penalizados pela proximidade a Coimbra – uma grande percentagem da nossa população vai diariamente para a Coimbra trabalhar – mas esperamos que, criando condições para as empresas poderem localizar-se aqui, e sabendo nós que a área empresarial da Alagoa está tão próxima da A1 e com boas acessibilidades, teremos condições para receber novas empresas e criar emprego.
Essa será a grande prioridade no próximo mandato, se continuarmos, evidentemente.

