
A Filarmónica Boa Vontade Lorvanense está, este ano, a assinalar os 105 anos de existência. No dia 4 de Maio inaugurou a nova sede e promoveu um Encontro de Bandas. No dia 1 de Agosto teve lugar a Sessão Solene de Aniversário seguida de jantar convívio. No dia 2, realizou-se o Concerto de Aniversário, com a participação do músico e cantor Padre João Paulo Vaz. O Concerto de Natal, no dia 14 de Dezembro, encerrará as comemorações.
De acordo com a tradição, terá sido no dia 1 de Agosto de 1920 que esta colectividade foi constituída, a partir da Tuna Lorvanense, fundada em 1900 por Joaquim Maria da Silva. Ligados à Tuna estiveram, igualmente, Manuel Teixeira de Sousa, Bento da Fonseca, Severino Gaudêncio, Ismael Borges, Manuel da Rosa Ralha, Manuel Gaudêncio e Joaquim Torcato. Igualmente, na memória colectiva, estão gravados os nomes de Manuel Rosa Ralha, Manuel Rodrigues Craveiro e Manuel Baptista dos Santos, como tendo feito parte do núcleo fundador da Filarmónica.
A história da Filarmónica (resumida numa brochura, da autoria de David Almeida, lançada na sessão do dia 1 de Agosto) está intimamente ligada ao conturbado ano de 1921 em que se deu o “Cisma de Lorvão”. Tudo começou quando em Março daquele ano o Bispo D. Manuel Coelho da Silva exonerou o Padre Carlos Fernandes Seabra. Este, contando com o apoio incondicional dos seus paroquianos não acatou a ordem do Prelado. Perante isso seguiu-se a excomunhão da paróquia, tendo a própria Igreja do Mosteiro sido interditada pelas autoridades diocesanas e proibidas todas das festas religiosas. Nesta contenda foi importante o apoio do jornal local, surgido em Janeiro de 1921, O Progresso Lorvanense que nas suas páginas defendeu o Padre Seabra e atacou duramente o Bispo e todos os padres que apalaudiam o processo de exoneração.
Em 1921, a grande Festa do Santíssimo foi proibida, mas o povo levou para diante a sua realização, tendo à última hora conseguido que a Filarmónica do Espinhal abrilhantasse a cerimónia, depois de várias bandas (Penacova, Boa União-Coimbra, Regimento nº 23) terem declinado o convite para não serem, automaticamente “excomungadas”.
Então, para evitar “as canseiras, arrelias e incertezas”, que tinham “atormentado os lorvanenses”, decidiram avançar com uma Filarmónica, na certeza de que fundada que fosse essa, já não “ficariam à mercê desses aventureiros de sotaina, de saia, de casaca e de farda” – sublinha o jornal, que acrescenta: “Com música na sua terra nada recearão e farão as suas festas no tempo competente e a seu belo prazer”. Assim aconteceria já a 18 de Junho de 1922, quando se apresentou oficialmente, abrilhantando as festas do Santíssimo e logo depois as de S. João.
Em Assembleia Geral do dia 5 de Maio de 1928, sob a Presidência de Bento da Fonseca, foram aprovados os seus Estatutos e adoptada a designação de “Filarmónica Lorvanense”. Na Direcção de Ezequiel Rodrigues Craveiro e Manuel Simões Mateus, foi lançada uma subscrição para a construção de um coreto que acabou por ser inaugurado em Abril de 1932. Em 1946 a Filarmónica Lorvanense “abrilhantou”, durante três dias a Queima das Fitas de Coimbra. Em meados do século passado, a Filarmónica organizou também um Rancho, que marcou presença nas Festas de Penacova de 1949. No ano de 1963 foram inauguradas as sedes do “Lorvão Clube” e da “Filarmónica Lorvanense”. Em estreita colaboração destas instituições, “ampliou-se o salão de festas e subiu-se o edifício”. Era presidente da Filarmónica José da Conceição Simões e do Lorvão Clube José Pisco da Silva.
As celebrações do Cinquentenário decorreram em 1970. No dia 2 de Agosto realizou-se uma sessão solene onde esteve presente a Filarmónica União Taveirense. À noite, teve lugar um “espectáculo de Variedades com artistas da Rádio, Fados de Lisboa e Serenata com Fados de Coimbra.” No dia 30 realizou-se um Festival Folclórico com a presença do Rancho Típico de Paleão (Soure). Chegados ao 25 de Abril de 1974, nas comemorações do 1º de Maio, “todo o povo saiu em massa à rua e com ele a Filarmónica, entoando o Hino Nacional.” Em 1990 constituiu-se a Orquestra Ligeira da Filarmónica. A aquisição do edifício-sede deu-se em 1998 e no ano seguinte foram remodelados os Estatutos, passando a designar-se por “Filarmónica Boa Vontade Lorvanense”.
Foi ainda em 1999 que se avançou com a reestruturação da Escola de Música. Em 2001, a Filarmónica foi reconhecida como Pessoa Colectiva de Utilidade Pública. No mesmo ano aderiu ao INATEL e passou, igualmente, a integrar a Federação das Filarmónicas do Distrito de Coimbra.
Em 2002 teve lugar a inauguração da Nova Sede. Neste ano, foi criada a Orquestra Ligeira e a Escola de Música. Além disso, foi editado o primeiro registo em CD, integrado na colectânea “As Melhores Bandas Filarmónicas da Região Centro”. No ano seguinte participou na “Coimbra Capital Nacional da Cultura, 2003”. Em Agosto, realizou-se o 1º Intercâmbio Internacional de Bandas do Concelho de Penacova.
O ano de 2004 fica assinalado pela 1ª gravação exclusiva em CD, com o título “Apocalipse em Lorvão”. A partir de 2006 a FBVL candidatou-se ao projecto “Bandas em Concerto”, realizando inúmeros concertos temáticos em diversas salas de espectáculo da região.
Em 2007, participou nas Comemorações do Tratado de Roma, retribuiu o intercâmbio com os Açores, com concertos nas Lajes do Pico, S. Roque e na Calheta de Nesquim. No ano imediato, 2008, participou no Concurso de Bandas de Vila Franca de Xira e no “III Filarmonia ao mais alto Nível”, realizado no Europarque de Santa Maria da Feira. Também participou na recepção ao Presidente da República por ocasião do seu “Périplo pelo Património”. Ainda em 2008, no âmbito do projecto da SIC, “A NOSSA TERRA QUER”, foi distinguido pelo público daquela estação como vencedor do Distrito de Coimbra pelo projecto inovador de renovação e apetrechamento da Escola de Música.
Em 2009 destaca-se o “Mega Concerto Inteligente” em Vila Nova de Poiares e a participação na Feira de Gastronomia das Casas do Concelho em Lisboa. No ano do Centenário da Implantação da República, participou no “Uníssono do Hino Nacional”. Em 2010 realizou-se um Intercâmbio com Câmara de Lobos – grupo “Recreio dos Lavradores”.
Em 2011, entre outras iniciativas, participou na Expo Alva (S. Pedro de Alva), e no Encontro Concelhio de Bandas e organizou o “Ciclo de Concertos pela freguesia de Lorvão”. A presença no Casino da Figueira da Foz marcou 2012. Os anos 2011/2012 ficam também assinalados pelos concertos temáticos “Da Música Erudita ao Fado” e pelo intercâmbio com a Banda Municipal de Câmara de Lobos. Em 2016 assinou um acordo de geminação com a Banda leonesa de Cistierna. Em 2017 e 2019 realizou, igualmente, um importante intercâmbio com a Filarmónica de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, onde realizou vários espectáculos. Actuou também junto da Comunidade Portuguesa do Rio de Janeiro, destacando-se uma actuação com o famoso músico brasileiro, Martinho da Vila.
Na sequência de um protocolo entre o município de Penacova e esta Instituição, a Escola de Artes de Penacova é tutelada, agora, pela Filarmónica Boa Vontade lorvanense.
A candidatura, em 2023 ao Programa PDR 2020, “Renovação de Aldeias”, da ADELO, permitiu melhorar as instalações da sede, juntando os dois edifícios de que a Filarmónica era proprietária. A inauguração teve lugar no dia 4 de Maio de 2025, marcando o arranque das comemorações dos 105 anos da Filarmónica.

