NOTA DA SEMANA: A nova ordem mundial já está em marcha

FOTO: www.orientemidia.org

Foi durante a presidência de Joe Biden que foi emitido mandato de captura do agora detido ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e foi ainda durante a vigência do governo democrata que a recompensa por informações que assegurassem a sua captura subiu para 25 milhões de dólares, ainda antes de Donald Trump ter autorizado o aumento da mesma recompensa para 50 milhões de dólares.

Em ambos os casos a emissão do mandato de captura, fosse com Joe Biden ou fosse agora com Donald Trump, radicou no tráfico de droga e no narcoterrorismo.

Importa recordar estes factos na medida em que uma parte da opinião pública tende a esquecer que o processo judicial, resultante da investigação policial, intentado contra o ditador Nicolás Maduro não começou quando o atual presidente norte-americano chegou ao poder no seu segundo mandato.

Pelo contrário, esse já vinha de trás e contou com a intervenção direta do seu antecessor, o democrata Joe Biden e toda a entourage que o acompanhava na Casa Branca como era o caso da então Vice-presidente Kamala Harris, a mesma que foi levada ao colo pela agenda partidária da esquerda mais radical da europa.

Com efeito, a diferença entre Donald Trump e Joe Biden, o primeiro republicano e o segundo democrata, é que o atual presidente não foi hipócrita, ao contrário de uma parte do poder político nos Estados Unidos da América e da opinião da esquerda europeia.

Por outro lado, a captura de um chefe de estado de um País sul-americano não é caso inédito pelo governo norte-americano. Já antes, em Dezembro de 1989 o General Manuel Noriega foi detido e acusado com questões relacionais com o tráfico de droga, acabando o Panamá por ser invadido pelas tropas dos Estados Unidos da América.

Obviamente, não concordo com o método, e a completa desvalorização do direito internacional, na operação levada a efeito pelos militares norte-americanos que capturaram um cidadão de outro País para o levar à justiça.

Obviamente, não concordo com a declaração de Donald Trump de que os Estados Unidos da América irão gerir a Venezuela, cabendo-lhe a eles, americanos, definir a transição do regime.

Obviamente, não concordo com a declaração de Donald Trump afirmando que iria promover o investimento de milhões de dólares das empresas petrolíferas norte-americanas na Venezuela, explorando dessa forma as maiores reservas mundiais de crude de um Estado soberano.

No entanto, confesso que o único que não tem sido hipócrita neste mundo de marionetas da diplomacia internacional tem sido Donald Trump, pois assume ao que vai e, concorde-se ou não, tem feito muito do trabalho sujo que ninguém deseja fazer na comunidade internacional.

Por outro lado, depois de mais duas décadas de regime comunista ditatorial na Venezuela, o qual colocou na miséria milhões de venezuelanos e obrigou outros vários milhões destes a fugir!

Depois das comprovadas violações aos direitos humanos, com prisões arbitrárias de todos aqueles que discordavam do regime venezuelano, assim como inúmeros desaparecimentos e mortes às mãos dos militares e das milícias criminosas que Hugo Chávez instituiu, e que Nicolás Maduro usou para controlar o País e enriquecer.

Depois de umas eleições em que os resultados publicados pelo regime ditatorial de esquerda nunca foram aceites pela maioria da comunidade internacional, nomeadamente os países europeus, obrigando aos líderes da oposição a fugirem da Venezuela.

Depois, de ser conhecido que Nicolás Maduro contava com o apoio dos regimes de Cuba, da Rússia, da República Popular da China e da Coreia do Norte para se manter no poder!

Depois de tudo isso, será que alguém de bom senso poderia afirmar que Nicolás Maduro e o seu regime iriam, simplesmente, permitir a democracia na Venezuela? É claro que nunca tal iria suceder!

Contudo, preferimos olhar para esta realidade do alto da nossa moralidade europeia, mas sem que sejamos capazes de fazer algo digno desse nome, talvez por isso e não apenas por isso, tenhamos uma guerra no coração da europa que se prolonga há mais de dois anos.

Talvez por isso, e não apenas por isso, sejamos incapazes de assumir que o regime comunista chinês invade as nossas economias e controla os nossos recursos energéticos, sem que sejamos capazes de impedir esse domínio.

Talvez por isso, e não apenas por isso, o Irão assumiu o desenvolvimento do seu potencial nuclear com sérios riscos para a paz em vastas regiões do médio oriente, o qual apenas foi retardado pela intervenção norte-americana…e poderia continuar a citar inúmeros exemplos da nossa incapacidade, enquanto europeus, em fazer respeitar, desde logo, o direito internacional.

No entanto, a simples razão pela qual a Europa não conta para nada na resolução dos problemas internacionais advém também do simples facto de que há muito que fizemos uma opção, e ela foi de que não iriamos deixar morrer os nossos filhos em cenários de guerra.

Assim, não podemos ficar surpresos pela emergência de uma nova ordem mundial que agora começa a tomar realmente forma, apesar de estar esboçada há vários anos.

O mundo caminha para a delimitação territorial de dois blocos geopolíticos. Um dominado pelos americanos e um outro dominado pelos chineses.

Os americanos procuram controlar, ou retomar o controlo, dos espaços territoriais que são essenciais para a sua segurança, como é o caso de todo o hemisférios ocidental, com particular incidência na américa do sul e, se possível, parte considerável do continente africano, sem perder a presença no Pacífico.

Os chineses, por seu turno, desejam diminuir a presença americana no indo-pacífico, controlar o continente africano e assegurar alguma continuidade na américa do sul.

Perante a existência de áreas territoriais com interesses coincidentes para os dois blocos, será inevitável a ocorrência de choques, sendo que a europa terá sempre que fazer uma opção sobre qual dos blocos irá integrar ou apoiar.

Por outro lado, também a Rússia ambicionava representar ela própria um bloco, à semelhança da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), mas cuja perda de influência não lhe permite manter essa aspiração, estando hoje a ser disputada quer pela esfera de influência americana e quer pela dos chineses.

A nova ordem mundial está aí, a Venezuela é apenas a materialização do uso da força para a consolidação dos dois blocos que há muito existem, seguir-se-á a questão de Tawain e, antes disso, Cuba, sendo que muito provavelmente terá que ser concedida uma extensão de um modelo económico que possibilite que a Gronelândia possa acolher os interesses económicos americanos!  

Nicolás Maduro foi apenas o bode expiatório para o início da segunda fase de consolidação dos dois blocos geopolíticos que dominarão o século XXI…impõe-se a questão: de qual deles tomarão parte as Nações Europeias, e em particular Portugal?