
A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Penacova (AHBVP) comemorou 96 anos de vida. A sessão solene decorreu no dia 1 de março, na presença do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha. O membro do Governo avançou que, “até o final deste primeiro trimestre”, o “Estatuto de Carreira” dos Bombeiros vai avançar.
A cerimónia, no âmbito do 96.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Penacova, arrancou na manhã do último domingo, com o hastear da bandeira. Posteriormente, teve lugar a receção aos representantes das entidades convidadas: o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, o presidente da Câmara Municipal (CM), Álvaro Coimbra, o vice-presidente do Conselho Jurisdicional da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), Carlos Amaral, e o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Coimbra (FBDC), comandante Luís Sousa. Após serem recebidos, seguiram-se as promoções e condecorações de elementos da AHBVP (ver caixa).
A sessão solene teve início pouco depois, incluindo na mesa de honra os representantes das entidades convidadas, bem com o presidente da Direção da AHBVP, Ricardo Simões, o presidente da Assembleia Geral, Paulo Dias, e o comandante do corpo de bombeiros local, Vasco Viseu. Os discursos, dada a presença do membro do Governo, focaram-se no caminho que é necessário percorrer para valorizar a carreira profissional dos bombeiros voluntários.
Rui Rocha prometeu avançar com a criação da “estrutura de carreira”, envolvendo “todos aqueles que têm contrato de trabalho com as associações humanitárias”
O trabalho realizado por Rui Rocha foi elogiado pelo presidente da Direção da AHBVP, Ricardo Simões, que confessou ter “uma enorme esperança e confiança na sua ação governativa”, nomeadamente na “defesa” dos “bombeiros e das “associações humanitárias”. Contudo, aproveitou a oportunidade para o recordar da “promessa” que fez em torno da “criação de uma carreira profissional”, quer para os “bombeiros”, quer para o “pessoal administrativo”. Por outro lado, pediu-lhe que avance no “reforço dos direitos, regalias e benefícios sociais” dos voluntários. “Por isso, senhor secretário de Estado, peço-lhe que coloque o seu máximo empenho nestas nossas reivindicações, que são da mais elementar justiça”, sublinhou.
“Comprometi-me e vamos cumprir: até ao final deste primeiro trimestre, vamos ter uma estrutura de carreira [dos bombeiros] para debater com os nossos parceiros”, respondeu Rui Rocha. Segundo o secretário de Estado da Proteção Civil, numa “primeira fase”, a ideia é “envolver todos aqueles que têm contrato de trabalho com as associações humanitárias”. Posteriormente, será necessário “perceber como é que se introduz uma tabela remuneratória associada a essa carreira”, de modo a “garantir previsibilidade, sustentabilidade, ressarcimento efetivo e equidade” entre as instituições.
A sessão solene serviu também para enaltecer o papel dos bombeiros nas recentes tempestades
“Os bombeiros não podem ser pedintes”, afirmou Paulo Dias, presidente da AG. “Os bombeiros têm de saber com o que contam, os seus diretores têm de saber (…) quais os meios financeiros ao seu dispor”, continuou, de modo que consigam “cobrir as necessidades” e enfrentar os “novos desafios” que se avizinham. “Cada vez mais, vivemos num tempo de [fenómenos] climatéricos extremos e os bombeiros precisam de ter capacidade de resposta”, defendeu, complementando que se trata de um aspeto basilar para manter o setor enquanto um “pilar fundamental da Proteção Civil”.
Luís Sousa, presidente da FBDC, reforçou que os profissionais responderam ao “recente comboio de tempestades” com “prontidão” e “espírito de missão, protegendo pessoas e bens”. Por sua vez, Carlos Amaral, que esteve presente em nome da LBP, relembrou que a “tempestade ‘Kristin’ (…) colocou os bombeiros perante exigências absolutamente excecionais”, implicando “dias e noite de intervenção contínua” e “meios no terreno para além do previsto”. Esforço adicional que se traduziu em “despesas extraordinárias” para as “associações”, uma vez que “muitas delas não estão cobertas por qualquer apoio” suplementar. Por este motivo, apelou ao Governo para que tais “encargos” passem a ser “reconhecidos e compensados”.
Álvaro Coimbra agradeceu ao secretário de Estado por ter “desbloqueado” a terceira EIP
O presidente da CM, Álvaro Coimbra, reiterou que os “bombeiros” são o “pilar da Proteção Civil”, aspeto que ficou “bem visto” durante as “tempestades que assolaram o país inteiro e, de forma muito particular, o concelho de Penacova”. A ação dos voluntários, continuou, foi “essencial” durante estes “dias difíceis”, tanto no “socorro às populações”, como nas “emergências que surgiram de todo o lado”. Por outro lado, agradeceu a Rui Rocha por ter “desbloqueado a terceira Equipa de Intervenção Permanente (EIP) para os bombeiros de Penacova”, reivindicação que perdurava “há dois anos”.
Face à importância social que o município reconhece à AHBVP, tem sido “crescente o apoio financeiro” prestado pela autarquia aos “bombeiros”, apontou Álvaro Coimbra, permitindo-lhes “cumprir a sua missão com maior eficácia e cada vez maior operacionalidade”. Segundo o próprio, juntando as “EIPs, o apoio ao investimento, o apoio ao funcionamento e os seguros”, no ano de “2021”, o contributo dado aos “bombeiros” foi de “141 mil euros”. Este ano, “será de 312 mil euros”, acrescentou, frisando que este “esforço financeiro não deve ser apenas das Câmaras, deve ser também do poder central”, ou seja, do “Estado”.
Em 2026, o município de Penacova vai apoiar os bombeiros com 312 mil euros
“São 96 anos de história, 96 anos de coragem, 96 anos de serviço dedicado à nossa comunidade. É quase um século de vidas salvas, de património protegido, de uma presença constante nos momentos mais difíceis das nossas vidas. Um percurso construído por gerações de homens e mulheres que aceitaram, de forma voluntária e abnegada, o compromisso de servir o próximo”, destacou Vasco Viseu. O comandante dos bombeiros de Penacova lamentou a “crise” sentida no “voluntariado”, sendo uma “realidade” que não se pode “ignorar”. Neste sentido, insistiu na necessidade de ser criada uma “carreira de bombeiro” que “dignifique o serviço prestado, valorize a formação exigida, reconheça o risco assumido e ofereça estabilidade a quem serve”, concluiu.
As comemorações terminaram com a bênção de três novas viaturas, por parte do padre João Paulo Vaz, e o almoço de aniversário no quartel dos bombeiros. Recorde-se que a AHBVP foi fundada a 24 de fevereiro de 1930, por um grupo de penacovenses conscientes da necessidade de protegerem o seu concelho.
PEDRO CUNHA – Estagiário

