TÁBUA: BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE TÁBUA Ministério Público acusa antigo funcionário de desvio de verbas

Os sócios aprovaram por unanimidade o Relatório de Contas do exercício fiscal de 2025

De acordo com o Ministério Público (MP) através do DIAP de Coimbra, foi deduzida acusação contra um antigo funcionário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tábua por alegada prática dos crimes de peculato, branqueamento de capitais e falsificação de documento, após investigação conduzida pela Directoria do Centro da Polícia Judiciária.

Os factos remontam ao período entre 2013 e 2018 e recai sobre dois arguidos: uma pessoa singular e uma pessoa colectiva. Segundo o MP, o principal arguido desempenhava várias funções na instituição, nomeadamente (…) «gestor, director de Centros de Exames de Condução, tesoureiro e, alegadamente em violação das normas legais, também contabilista certificado».

«O arguido foi paulatinamente apropriando-se de quantias existentes nas contas bancárias da AHBVT e das caixas dos Centros de Exame detidos pela mencionada Associação, a que tinha acesso em virtude das suas funções, canalizando-as para contas pessoais e para a conta da sociedade comercial arguida, por si constituída e de que era representante», adianta o MP de Coimbra em nota publicada na sua página de internet,

Ainda segundo o MP, em simultâneo, o suspeito terá manipulado os registos contabilísticos da associação, recorrendo à falsificação de documentos, de forma a ocultar as irregularidades e impedir que os restantes membros da direcção se apercebessem das alegadas apropriações.

«O arguido apoderou-se da quantia de 369.644,44 euros, que foi parcialmente por si usada na aquisição de diversos imóveis», acrescenta.

No âmbito do processo, o Ministério Público requereu a perda do montante a favor do Estado (…) «por corresponder à vantagem obtida com os alegados crimes», sem, contudo, prejuízo de eventual indemnização à entidade lesada.

Entretanto, a Direcção dos Bombeiros Voluntários de Tábua mostra-se expectante quanto ao desfecho do processo que, recorde-se, se arrasta há já uns anos.

Bombeiros fecham 2025 com saldo positivo

Rui Andrade falava à margem da Assembleia Geral que teve lugar esta segunda-feira, no salão Nobre da Associação Humanitária.

No decorrer da reunião magna dos Bombeiros Voluntários de Tábua, as pouco mais de duas dezenas de associados presentes aprovaram, por unanimidade, os dois pontos da ordem de trabalhos, com especial enfoque para a “apresentação, discussão e votação do Relatório de Contas do exercício de 2025 e respectivo parecer do Conselho Fiscal”, cujo resultado positivo se cifra em 223.444,90 euros.

Ainda sobre o processo do Ministério Público, a única intervenção por parte dos sócios foi de aplauso pela dedução de acusação mas, sobretudo para (…) «que se consiga chegar a um total mais realista».

Foram ainda aprovados por unanimidade votos de louvor ao Comando/Corpo Activo e à Direcção dos Bombeiros Voluntários de Tábua.

Montante apurado pode não ser o real

Por um lado, mostra-se “satisfeita” por, finalmente, a acusação ter sido deduzida e ter sido apurado um montante, mas, por outro lado, explicam que o valor apontado pelo Ministério Público – 369.644,44 euros – pode não corresponder à realidade.

Em declarações à A COMARCA, Rui Andrade explica que (…) «as despesas que isto tem acarretado (juros), há-de ir para outros valores», sem, contudo, estimar para quanto poderá ir (…) «agora não posso dizer nada». O presidente da Direcção dos Bombeiros acrescenta que o valor apurado pelo Ministério Público (…) «é real. O resto, depois, é para os advogados resolverem o assunto».

Para já, o dirigente garante que não vai especular sobre o montante que poderá ser recebido pela Associação Humanitária (…) «não vou andar a dizer que vou receber isto ou que é um milhão ou dois milhões», deixando claro (…) «que ninguém falou em valores», pondo assim um ponto final aos rumores que circulam nas redes sociais e na própria sociedade tabuense.

«Na altura, os contabilistas e os revisores de contas acharam outro valor, e se o Ministério Público agora acha que é este o montante, quem sou eu para estar a discordar? Mas, depois, os advogados irão pronunciar-se acerca desse assunto. Não vou ser eu a dizer», explica.

A acusação agora tornada pública recorde-se, remonta a factos ocorridos entre 2013 e 2018, e Rui Andrade deu nota de que nunca prestou declarações em relação ao processo (…) «eu não fazia parte das direcções e a actual Direcção nunca foi chamada ao Ministério Público».

Por se tratar de um processo que se arrasta há mais de 10 anos, o dirigente aponta que a anterior Direcção (…) «é que foi lá e é que sabe». «Nós temos sabido das coisas a conta-gotas», até porque todo o processo estava em segredo de justiça, conclui.