Em Arganil

As comemorações do 25 de Abril, em Arganil, iniciaram com o içar das bandeiras no edifício aos Paços do Concelho, ao som da Filarmónica com várias interpretações musicais e o Hino Nacional a enriquecer ainda mais os valores maiores da democracia e que continua a inspirar os valores que, há 52 anos, levou à Revolução dos Cravos.
E de entre esses valores e as conquistas que continua a inspirar Abril, destaque para um dos maiores que foi a ascensão do Poder Local que, em liberdade e no exercício da democracia, na renovação do compromisso com a participação cívica e com o futuro colectivo, permitiu aos eleitos reunirem-se também em Assembleia Municipal, realizada também neste simbólico dia, no salão nobre dos Paços do Município e que acaba por enriquecer ainda mais esta homenagem ao 25 de Abril.
“Quão importante foi o 25 de Abril para o nosso país”, referiu o deputado Luís Gomes (PSD), lembrando também a importância do dia 2 de Abril de 1976 quando foi aprovada a Constituição da República Portuguesa “um caminho difícil que tivemos de percorrer”, mas que “é o pilar da nossa democracia”, enquanto a presidente da União de Freguesia de Cepos e Teixeira, Margarida Marques, considerou que “é o dia mais importante do ano. (…) É preciso mesmo celebrar. (…) O 25 de Abril tem de ser defendido e conquistado todos os dias”.
Foram essas conquistas, esses valores, mesmo os perigos que corre a democracia e a liberdade que também os lideres das bancadas do Partido Social Democrata (Beatriz Seco), do Partido Socialista (Rodrigo Oliveira), o deputado do Chega, Rui Pedro Matos, e o presidente da Assembleia Municipal, António Cardoso, não deixaram de exaltar antes do início dos trabalhos, salientando que “Abril é de todos”, que “a liberdade conquista-se todos os dias com as nossas acções”, que “o momento é de união”, um apelo que não terá ter sido entendido por alguns que, independentemente dos suas convicções ou opiniões terão esquecido, ao serem eleitos, o seu compromisso com o futuro colectivo, com os interesses do concelho.
E foram também alguns desses interesses, os problemas que foram trazidos pelo público à Assembleia Municipal, como a necessidade de reparações de estradas, “estamos no terreno”, informou o presidente da Câmara Municipal, Luís Paulo Costa, que questionado ainda sobre o encerramento da Estrada Nacional 342 entre Arganil e Góis, adiantou que “o projecto está em execução”, prevendo-se que “seja um processo rápido” e que as obras poderão estar concluídas antes do final deste ano.
Mas também não foram esquecidos os animais abandonados e a necessidade do bem-estar animal, “o Município vai rever a sua postura” em relação a este assunto, como afirmou o presidente da Câmara Municipal, como não deixaram de ser referidas e questionadas depois pelo deputado Guilherme Correia, da bancada do PS, as “derrapagens financeiras, na ordem de quase 2 milhões de euros, (…) nas obras de novo Centro de Saúde em Arganil, na requalificação da Escola Secundária de Arganil e da EB 2, 3 de Coja”, considerando que “são os montantes destas derrapagens, a sua regularidade temporal e o facto de resultarem muitas das vezes de situações que podiam e deviam ter sido antecipadas e pensadas”, respondendo Luís Paulo Costa que estas “três grandes obras que estão neste momento a acontecer, todas elas, na sequência de projectos de execução que foram contratados ao mercado, que pela sua dimensão foram objecto de revisão, e pasme-se, foram projectos que uma vez que do ponto de vista técnico ficaram concluídos, foram apreciados, analisados e foram aprovados por todos os membros da autarquia”.
“Obviamente que quando existem erros e omissões nos projectos de execução que determinam a execução e aprovação de trabalhos complementares trata-se sempre de um acto que fazemos num espírito de obrigação porque efectivamente se o projectista deveria ter considerado uma determinada solução e não considerou, trata-se de uma deliberação do órgão Câmara Municipal”, disse ainda o presidente, sem deixar de considerar que “os trabalhos complementares de facto não é aquilo que mais apreciamos, mas são as soluções para erros e omissões que vão sendo detectados no decurso da obra”.
O deputado da bancada do Partido Socialista, Francisco Afonso, veio também manifestar a sua preocupação pelo facto de, no seu entender a vila de Arganil, ter pouca “vida” e, regozijando-se pela realização da “Páscoa na vila”, que “trouxe à Arganil aquilo que há muito reclamamos: vida, dinâmica, juventude, famílias na rua. (…) Há 15 ou 20 anos, daquilo que me lembro e até há 60 anos, daquilo que nos contam, a vila tinha vida, tinha gente, tinha movimento. Hoje, vemos o contrário”, afirmando por isso que “é hora de olhar para a vila com seriedade. Porque a vila tem de ser o centro. Se o centro não vive, o concelho perde força”, deixando o convite ao presidente da Câmara Municipal, “passe uma tarde na vila. Sem formalidades. Até mesmo sem o seu executivo. Observe. Veja a diferença entre o que foi possível e aquilo que é hoje”.
“Já fiz esse exercício várias vezes”, respondeu o presidente da Câmara Municipal, sugerindo ao deputado que “faça esse mesmo exercício que me aconselha, relativamente à vila de Coja, visite e frequente esta vila ao domingo e esse processo, certamente, vai ajudá-lo a tirar ilações relativamente àquilo que acontece no centro da vila de Arganil” e relativamente ao Sub-Paço, referiu que “é um espaço que ao fim de muito tempo, é verdade, foi assumido pelas pessoas e, portanto, é passar lá, incluindo aos domingos e perceber aquilo que efectivamente é o resultado de uma mudança de paradigma” e relativamente “ao tal parque que lá existia antes e que não era utilizado”, recordou que “nessa altura o senhor deputado e todos nós éramos mais jovens e talvez não tenha a percepção de qual era o nível de utilização daquele parque”.
E depois de (muitas) outras considerações, de opiniões divergentes, de problemas levantados, entrou-se no período da ordem do dia dos trabalhos da Assembleia Municipal, tendo sido eleito o presidente da União de Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra, Bernardo Figueiredo, como presidente de Junta de Freguesia representante das Juntas de Freguesia para integrar a Comissão Municipal de Protecção Civil, a unanimidade dos deputados nas adendas e celebração de contratos-programa com as Juntas e Uniões de Freguesia do concelho, enquanto por maioria foram votados o documentos de prestação de contas relativos período de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2025, bem como a proposta da aplicação dos resultado líquido relativo ao anos de 2025.
100 ANOS DA CHEGADA DA ELETRICIDADE A ARGANIL:
Um marco determinante na história e no desenvolvimento do concelho

E mesmo apesar das poucas pessoas que, na tarde de 25 de Abril, estiveram no salão nobre dos Paços do Concelho, as celebrações de 25 de Abril em Arganil ficaram marcadas pela comemoração dos 100 anos da chegada da eletricidade a Arganil, que foi sem dúvida também um marco determinante na história e no desenvolvimento do concelho.
Num período em que grande parte das zonas rurais portuguesas ainda não dispunha de luz elétrica, Arganil destacou-se ao obter, em 1926, a primeira concessão para o fornecimento local de energia. No ano seguinte, em 1927, foi criada a Hidroelétrica de Arganil, com a instalação de uma central em Rei de Moinhos, dando início a um processo que, embora gradual, se revelou decisivo para a modernização do território, pelo que “a eletrificação constituiu um verdadeiro motor de transformação, impulsionando a actividade industrial, fomentando o crescimento do comércio e dos serviços, nomeadamente através do alargamento dos horários de funcionamento, contribuindo ainda para a melhoria das condições de vida da população, com impacto directo na sua fixação no concelho”.
O ano de 1926 assinala, assim, a entrada de Arganil na modernidade, um momento que importa evocar não apenas pelo seu significado histórico, mas pelo seu papel estruturante no progresso económico e social do território. Não se trata apenas de energia, mas de real desenvolvimento e, no âmbito desta efeméride e das comemorações dos 52 anos sobre a Revolução de Abril, o Município de Arganil vai promover um conjunto de iniciativas ao longo de todo o ano, cujo programa foi apresentado publicamente no salão nobre dos Paços do Município
“Um programa pensado para recordar, valorizar e envolver a comunidade arganilense nesta história que é de todos nós”, como considerou o presidente da Câmara Municipal, Luís Paulo Costa, e que se iniciará ainda em data a definir com a realização de uma caminhada interpretativa até à central de Rei de Moinhos, seguindo-se no dia 7 de Setembro, Feriado Municipal, a inauguração da exposição “100 anos de electricidade em Arganil”, na antiga Cerâmica Arganilense, e no mês de Outubro, terá lugar uma Rota da Energia, que permitirá efectuar visitas a infraestruturas contemporâneas como a Parques Eólicos e à Barragem das Fronhas.
“A central de Rei de Moinhos é um dos mais emblemáticos testemunhos de produção energética local”, disse Luís Paulo Costa, acrescentando que quanto à mostra a inaugurar “aí poderemos testemunhar este extraordinário percurso de transformação” e, no que se refere à Rota da Energia, referiu que “iremos ligar memória e futuro. Queremos que estas comemorações sejam mais do que um olhar para trás, queremos que sejam também, uma inspiração para o que está por fazer”.
O presidente da Câmara Municipal recordou estes 100 anos de eletricidade no concelho, “este centenário é muito mais do que do que recordar a instalação de um sistema eléctrico”, porque “com a chegada de uma nova tecnologia, homenageamos também mais um dos momentos transformadores da nossa história colectiva”, recordando que “em meados do século XX a iluminação pública era ainda uma aspiração distante e, em 1857, surgia já a proposta de iluminar algumas ruas com azeite e era essa a tecnologia de então e, mais tarde, em 1881, “seriam instalados os primeiros candeeiros públicos na nossa vila, primeiro a azeite e depois a petróleo”.
Mas, e como afirmou depois Luís Paulo Costa, “em 1914 já se estudava a possibilidade de produzir eletricidade associada ao abastecimento de água, depois da primeira Grande Guerra renasceu a visão de aproveitar a força do rio Alva para produzir energia e foi assim que chegámos há 100 anos a 25 de Abril de 1926 e, nesse mesmo dia, acendeu-se a luz elétrica em Arganil e acendeu-se também uma nova esperança, a eletricidade prolongou os dias, dinamizou o comércio, criou melhores condições de conforto e de segurança, aproximou pessoas, abriu portas à modernização e ao desenvolvimento económico e social”, acrescentando ainda que “isso foi o resultado da visão de quem decidiu investir, na coragem de quem arriscou, no trabalho de quem construiu infraestruturas exigentes e da persistência das populações, que ao longo de décadas, lutaram para que a luz chegasse às suas terras”.
“A eletrificação do concelho fez-se de forma gradual, mais de 50 anos até ficar concluída, freguesia a freguesia, aldeia a aldeia, a luz foi vencendo distâncias, serras e dificuldades”, mas com a eletricidade “foi chegando mais qualidade de vida e maior coesão territorial”, recordou o presidente da Câmara Municipal, referindo depois que “em 1978 dá-se a integração da Hidroelétrica na EDP, empresa então de capitais exclusivamente públicos, encerrava-se um ciclo pioneiro e abria-se uma nova etapa de integração plena no sistema elétrico nacional”, questionando mesmo se “teria sido possível cumprir a Revolução do 25 de Abril de 74, da forma como se cumpriu, se não houvesse eletricidade nessa altura”.
A apresentação do programa contou ainda com as intervenções do presidente da Junta de Freguesia de Arganil, Paulo Santos, e do historiador João Figueira, que aludiu a estes 100 anos de eletricidade no concelho e que não deixou de ser enaltecido pelo presidente da Câmara Municipal pelo “seu relevante trabalho de investigação sobre a história da eletrificação em Arganil e em Portugal” e que “constitui um contributo de inegável valor para o conhecimento da nossa memória colectiva”, acrescentando que “é igualmente digno de registo o gesto de generosidade que teve para com o Município, ao manifestar a sua vontade de doar o seu espólio documental relacionado com essa matéria, tendo já entregado parte desse acervo, (…) um património de grande importância histórica que muito contribuirá para preservar e valorizar um capítulo fundamental da nossa identidade colectiva. Pelo seu percurso académico, pelo rigor da sua investigação e pelo profundo sentido de ligação à sua terra a si dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão”.
Luís Paulo Costa terminou dizendo que “ao evocarmos estes 100 anos, prestamos homenagem a todos os que tornaram possível esta caminhada, autarcas, empresários, técnicos, trabalhadores e comunidades locais, homens e mulheres que, no seu tempo, perceberam que investir no futuro era a melhor forma de servir a sua terra”, porque “quando a luz elétrica chegou a Arganil chegou também uma nova forma de viver, de trabalhar, de conviver e de imaginar o futuro”.
Em Góis

Góis comemorou, em festa, o 25 de Abril, com um vasto e significativo programa que incluiu a inauguração (no dia 24) da exposição “Operação 25 de Abril” – Associação 25 de Abril (patente no foyer da Casa da Cultura) e o espectáculo AM I SOLO – Teatro, Dança e Música ao Vivo. No dia 25, hastear das bandeiras na Praça da República, seguida de uma saudação às entidades e ao público presente, a sessão solene comemorativa e o concerto “Sons de Liberdade” pelas Filarmónicas de Vila Nova do Ceira e de Góis, culminando no dia 26 com uma sessão de cinema, no auditório da Casa da Cultura, com apresentação do filme “Cartas de Guerra”, de Ivo M. Ferreira, em homenagem ao escritor António Lobo Antunes.
Ainda integrado no programa comemorativo, durante o mês de Abril o Município, através da Biblioteca Municipal António Francisco Barata, acolheu também a exposição “Ditadura, Revolução, Democracia – 25 de Abril: Rumo ao Cinquentenário”, uma mostra composta por 11 painéis informativos que conduzem os/as visitantes por um percurso pela história contemporânea de Portugal, abordando o período da ditadura, a Revolução de 25 de Abril de 1974 e o processo de consolidação da democracia.
E “apesar das conquistas” alcançadas, “persistem desafios que exigem reflexão e união”, considerou o presidente da Câmara Municipal, Rui Sampaio, na sessão solene comemorativa, acrescentando que “o envelhecimento da população, a desertificação dos territórios do interior, a perda de oportunidades para os mais jovens e as desigualdades territoriais são realidades que interpelam a nossa acção colectiva”, pelo que, “num concelho como o nosso, de características rurais e montanhoso, Abril representou, e ainda representa, um compromisso sério: cuidar dos nossos recursos, valorizar as nossas tradições, dar continuidade às gerações que seguem”, sem deixar de considerar que “as promessas de Abril não se esgotaram, cabe-nos dar-lhes renovado sentido. (…) A liberdade também implica igualdade de acesso, desenvolvimento sustentável e coesão territorial, implica olhar para Góis e para tantos outros concelhos do interior não como zonas remotas, mas como territórios essenciais à diversidade e ao equilíbrio nacional”.
“Num tempo em que o mundo assiste, novamente, a crises que põem em causa valores fundamentais, como guerras que ameaçam a paz, discursos que testam os limites da tolerância e formas subtis de repressão que crescem nas sombras da desinformação, torna-se ainda mais urgente afirmar o valor da democracia, da liberdade e da humanidade”, salientou o presidente da Câmara Municipal, sem deixar de referir que “persistem ainda, é certo, dificuldades de investimento, de emprego, de mobilidade, mas persiste também, e felizmente, o espírito resiliente das nossas gentes, que não desistem de lutar pela terra, pela cultura, pela dignidade do viver onde se nasceu. Essa força, essa fidelidade às origens, continua a ser um dos maiores legados de Abril”.
Rui Sampaio realçou depois que “o futuro de Góis – e de Portugal – depende, hoje, da capacidade de continuar o caminho iniciado há meio século: um caminho de liberdade responsável, de solidariedade activa e de desenvolvimento equilibrado”, o que “para os territórios do interior, como o nosso, significa apostar na inovação sem perder autenticidade, promover o turismo sustentável, valorizar os saberes locais e criar oportunidades educativas e profissionais que permitam fixar população”, terminando com votos para “que este 25 de Abril nos inspire a continuar a sonhar, a construir, a cuidar. (…) E que Góis, na sua simplicidade e beleza, continue a ser exemplo de um território que honra Abril, todos os dias”.
Para exaltar Abril e as suas conquistas, usaram também da palavra o presidente da Assembleia Municipal, Nuno Baeta, salientando que com a Revolução do 25 de Abril foi “o dia em que Portugal reencontrou a sua voz, a sua dignidade e o seu futuro”, enquanto Liliana Serra, em representação do Grupo Municipal do Partido Socialista na bancada da Assembleia Municipal, exaltou o papel das mulheres “que, após a Revolução, exigiram que o direito ao voto e à igualdade não fossem apenas num papel, mas uma realidade”, deixando “de ser um mero figurante na vida do país”, para depois e em representação da bancada do Partido Social Democrata, Vítor Hugo Ribeiro afirmar que a Revolução dos Cravos foi “um dos dias mais importantes da história secular do nosso país. (…) Que saibamos, por isso, honrar a nossa história com a responsabilidade de responder aos problemas do presente e de preparar um futuro mais equilibrado, mais coeso e mais justo para todos nós”.
A voz dos jovens
E dada voz aos jovens, em nome do Grupo de Jovens Alvarenses, Martim Mateus referiu que “hoje, juntamo-nos para celebrar a liberdade e a democracia com enorme sentido de reconhecimento (…) por todas as gerações”, considerando que “a construção da liberdade não é agora distante, mas sim uma missão que nunca termina e depende de todos nós”.
“Celebramos hoje o 25 de Abril. Celebramos a liberdade, a democracia e a coragem de quem recusou aceitar o intolerável”, disse Carolina Sanches, da Associação de Juventude de Góis, enquanto Carlos Fernandes, da Associação de Juventude de Vila Nova do Ceira, referiu que “assinalamos hoje 52 anos desde a queda de um regime que, durante 48 anos, privou o povo português das suas liberdades fundamentais”, pelo que “evocar o 25 de Abril não é apenas recordar o passado, é assumir um compromisso com o presente e uma responsabilidade perante o futuro”.
Foi dessa e com essa responsabilidade que falou Carolina Rosa, dos Escoteiros de Góis, ao dizer também que “num mundo onde ainda existem pressões, desigualdades e tentativas de uniformização, o escotismo continua a ser um espaço raro: um lugar onde cada um pode ser verdadeiramente quem é. E talvez essa seja a maior homenagem que podemos fazer ao 25 de Abril”.
Em Tábua: “O 25 de Abril não é um museu de glórias passadas, é um projecto inacabado que nos convoca a todos”

Um conjunto de iniciativas promovidas pelo Município marcou as comemorações dos 52 anos do 25 de Abril de 1974 na vila de Tábua.
Após o Hastear das Bandeiras na Praça da República e a inauguração da remodelação do Balcão Único (ver notícia relativa), as celebrações centraram-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho, para um primeiro momento musical “Canções de Abril” pela pianista e cantora Adelaide Sofia – com raízes maternas na localidade das Barras (Tábua) – que interpretou temas de José Afonso, Fausto e Paulo de Carvalho, que fazem a história do antes e pós Revolução, mas que recordam o papel da música enquanto meio de combate à ditadura e expressão da liberdade, ou como diz a canção de José Mário Branco: “A cantiga é uma arma”.
A cerimónia evocativa do 25 de Abril de 1974 – momento central das comemorações – contou com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal (AM), Nuno Tavares, e dos representantes dos partidos e movimentos com assento na Assembleia Municipal: Movimento de Independentes “Juntos por São João”; Iniciativa Liberal (IL), CHEGA; Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), num exemplo de pluralidade e participação democrática.
Começando por elogiar a coragem dos militares de Abril, o presidente da AM, evocou os 50 anos da Constituição da República Portuguesa (que se celebram este ano). Nuno Tavares alertou para o surgimento de (…) «ideologias extremistas» que dão lugar às ditaduras. «Tenho pena dos que desejam mudar o mundo para pior, mas pena tenho dos que obedecem confundindo ordem e cumprimento da lei com a ditadura».
A representar o Movimento de Independentes “Unidos por São João”, João Nunes alertou que (…) «a Liberdade não é um dado adquirido», apontando que é preciso (…) «ouvir os jovens, dar-lhes voz e confiar». Para o jovem autarca (…) «Abril não é o que conquistámos, é o que não podemos perder».
Manuel Pestana da Iniciativa Liberal (IL), acredita que (…) «estamos hoje melhores do que estaríamos sob a égide daquele regime caduco», contudo, reconhece que ainda há (…) «vícios do velho regime» de que o (…) «país ainda padece», apontando à centralização do poder.
João Portugal, do partido CHEGA, tem dúvidas que estejamos (…) «a honrar verdadeiramente o 25 de Abril», e, por isso, lembrou que (…) «o 25 de Abril não foi feito para criar maus privilégios, não foi feito para perpetuar desigualdades, não foi feito para criar uma classe política distante das pessoas». «A melhor forma de honrar o 25 de Abril não é apenas lembrar o passado, é cumprir o futuro. É garantir que a liberdade conquistada não se perde. É garantir que Portugal é um país de oportunidades».
Em representação do PSD, António Fonseca salientou que para a sua geração nasceu (…) «num país onde a liberdade já era um dado adquirido», contudo, reconheceu que a Revolução (…) «não nos prometeu uma sociedade onde todos estávamos de acordo. Prometeu-nos, sim, o privilégio de discordar pacificamente». «A democracia não é a ausência de conflito. É um processo contínuo, frágil e, hoje, severamente testado».
«A Liberdade que herdámos é o empréstimo que temos de devolver, com juros às gerações seguintes. O 25 de Abril não é um museu de glórias passadas, é um projecto inacabado que nos convoca a todos».
Olga Nunes (PS) teve a intervenção mais política da sessão. Lembrou que depois da “explosão de esperança” que o 25 de Abril proporcionou aos portugueses (…) «não podemos, não devemos e não aceitaremos voltar ao tempo de Salazar», não sendo, por isso, aceitáveis (…) «recuos no 25 de Abril».
Fazendo uma cronologia dos acontecimentos políticos, garante que (…) «não aceitamos lições de quem nunca defendeu Abril. Não aceitamos que se banalize a Democracia ou que se brinque com a confiança das pessoas. Não aceitamos que se limite a Liberdade através da propagação da mentira, do ódio e do medo».
A líder da bancada do PS na Assembleia Municipal reconhece ainda que (…) «há quem procure diminuir o significado de Abril. Há quem alimente discursos de divisão, intolerância e desinformação. E a esses dizemos com toda a firmeza e convicção que não passarão». «Porque Abril não é negociável. Porque a Democracia não é um detalhe. Porque os direitos de conquista não são nem podem ser reversíveis».
«O Partido Socialista assume com coragem e determinação a defesa intransigente do legado de Abril. Mas não ficamos apenas pelo passado. O nosso compromisso é com o futuro», concluindo parafraseando Mário Soares: «Só é vencido quem desiste de lutar».
A encerrar a Sessão Solene, o presidente da Câmara Municipal destacou a importância de assinalar a data histórica que devolveu a Democracia e a Liberdade a Portugal e abriu as portas para a sua integração na Europa do desenvolvimento o que foi determinante para vencer os atrasos económicos e sociais em que se encontrava em 1974.
Exemplo disso foi a inauguração da requalificação do Balcão Único. «Estamos a contribuir para uma Câmara mais próxima, mais solidária, mais inclusiva, onde ninguém deve ficar para trás», começou por salientar, destacando a responsabilidade da autarquia (Câmara) recentemente acrescidas pelas transferências de competências do Estado, defendendo neste particular (…) «uma nova Lei das Finanças Locais que reconheça as dificuldades dos municípios de baixa densidade».
Em dia de comemoração da Liberdade, Ricardo Cruz não deixou passar em claro desafios actuais, em concreto as redes sociais e os riscos da desinformação. Para o autarca – que já foi vítima de “roubo de identidade” no facebook – as redes sociais são (…) «excessivamente utilizadas como veículo de propagação de mensagens de ódio e de valores incompatíveis com os de Abril, exigindo-se mais verdade, mais transparência na vida pública e, sobretudo, forma de contrariar estes populismos».
«Comemorar o 25 de Abril não pode nem deve ser uma rotina. Pelo contrário, deve ser um acto criador de reafirmação e de confiança dos portugueses no futuro de Portugal e nas virtudes de um regime democrático ou da democracia pluralista para construímos em paz e em liberdade», destacou.
Para o autarca tabuense (…) «a Democracia e a Liberdade são conquistas não garantidas eternamente. Têm de ser permanentemente alimentadas para que se floresçam e fortaleçam, nunca podendo ser colocadas em causa, não obstante as novidades e os aperfeiçoamentos que temos de fazer», concluiu.
Em Oliveira do Hospital: “Data maior da nossa Democracia”

As comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974 foram assinaladas com a dinamização de várias iniciativas, cujo ponto alto aconteceu com a sessão solene evocativa nos Paços do Município, antecedida pela arruada na cidade pela Fanfarra e Escolinha dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, e pelo hastear da bandeira com interpretação do Hino Nacional por Rafael Abrantes, com guarda de honra.
A Sessão Solene contou com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, e do presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, e dos representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal.
Os momentos musicais estiveram a cargo do músico Paulo Ribeiro, e a poesia foi declamada pelo actor Filipe Crawford e pelas jovens Ariana Saraiva e Gabriela Gouveia.
A tarde prosseguiu com o VIII Encontro Municipal de Filarmónicas, na Casa da Cultura César Oliveira, com as participações da Associação Filarmónica Fidelidade de Aldeia das Dez, Filarmónica Sangianense e Sociedade de Recreio Filarmónica Avoense.
Ao final da tarde houve ainda o já habitual encontro desportivo de autarcas do concelho, este ano no renovado Polidesportivo de Lagares da Beira.
Em Penacova: 25 de Abril assinalado com homenagem no Largo Alberto Leitão

A manhã de hoje em Penacova foi marcada pela solenidade e pelo respeito à memória histórica. No âmbito das comemorações do 25 de Abril, o Largo Alberto Leitão foi o palco central das cerimónias, onde se procedeu à tradicional colocação de flores no busto de António José de Almeida e no monumento aos Antigos Combatentes.
«O momento de homenagem reafirma o compromisso do concelho com os valores da liberdade e da democracia».
As celebrações continuam durante a tarde, na Praça Mário da Cunha Brito, em São Pedro de Alva, recebe o Encontro de Bandas Filarmónicas, que contará com a participação da Filarmónica da Casa do Povo de São Pedro de Alva, da Filarmónica Boa Vontade Lorvanense e da Filarmónica da Casa do Povo de Penacova.
Em Vila Nova de Poiares: Município assinalou 25 de Abril com oferta de livro aos alunos

No âmbito das comemorações do 25 de Abril, e assinalando também o Dia Mundial do Livro, o Município de Vila Nova de Poiares procedeu à distribuição do livro “O Meu Município e Eu”, editado pela Associação Nacional de Municípios Portugueses, aos alunos dos 5.º, 6.º e 7.º anos da Escola Básica e Secundária Dr. Daniel de Matos.
A iniciativa teve como duplo mote a celebração da liberdade, conquistada com a Revolução dos Cravos, e a valorização do livro enquanto instrumento fundamental de conhecimento e formação cívica. A entrega contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Nuno Neves, do vice-presidente, Miguel Novo, do diretor do Agrupamento, Eduardo Sequeira, e da subdiretora, Sónia Costa.
Esta ação, que assinala também os 50 anos do Poder Local, pretende sensibilizar os mais jovens para o papel das autarquias e para a importância da participação cívica, incentivando uma cidadania mais informada, ativa e responsável.
“Celebrar Abril é também investir nas novas gerações, dando-lhes ferramentas para compreenderem o funcionamento das instituições e o valor da democracia. Este livro é um convite à participação e ao envolvimento na vida da comunidade”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal, Nuno Neves.
Num momento em que se evocam as conquistas da Revolução dos Cravos, esta ação reforça o compromisso do Município com a educação para a cidadania, promovendo os valores da liberdade, da proximidade e do Poder Local, pilares fundamentais de uma sociedade mais justa e participativa.
Em Lousã: “Abril não pertence a um partido, pertence ao povo”

A Lousã celebrou a efeméride associada ao derrube do Estado Novo, que ocorreu a 25 de Abril de 1974, com várias iniciativas ao longo do dia. A sessão solene decorreu no Teatro Municipal, onde discursaram os representantes das forças políticas com assento na Assembleia Municipal.
As celebrações tiveram início no Jardim do edifício dos Paços do Concelho, com o hastear da bandeira nacional e a interpretação da “A Portuguesa”, por parte da Sociedade Filarmónica Lousanense e da Associação Filarmónica Serpinense. Seguiu-se a arruada até ao Teatro Municipal da Lousã, onde decorreu a sessão solene em torno do 25 de Abril de 1974.
As funções do poder local e a importância da regionalização foram dois temas em destaque na sessão solene
“Recordar a liberdade conquistada, é lembrar que [esta] não é garantida. Que todos os dias devemos proteger e lutar por ela, pela liberdade de expressão [e] pela diversidade de opiniões”, mencionou a representante do partido Chega, Maria Luísa Aveiro, que foi a primeira a discursar. Por outro lado, acrescentou que é necessário impedir os “atropelos entre o Estado e o poder judicial”, privilegiando a “separação de poderes”, mencionando também que é preciso “controlar a vinda de pessoas com culturas intolerantes” e que “possam pôr em perigo a nossa liberdade, a nossa democracia, a nossa cultura [e] a nossa pátria”.
Seguidamente, discursou a representante do Movimento Independente pela Lousã, a deputada municipal Ana Paula Nunes. A autarca sublinhou que “recordar esta data deixa de ser apenas um gesto de memória” e torna-se num “dever de consciência democrática”, a partir do momento em que a “extrema-direita procura desvalorizar Abril, relativizar a ditadura ou branquear aquilo que foi a ausência de liberdade em Portugal”. Por outro lado, recordou que a “criação do poder local democrático” foi uma das “grandes conquistas do 25 de Abril”, permitindo “aproximar o poder dos cidadãos” e tornar os processos de “decisão mais próximos, transparentes e participativos”. Porém, “com demasiada frequência”, os representantes políticos “esquecem-se do que prometeram” depois de serem “eleitos”, lamentou.
Em nome do Partido Socialista, falou o deputado municipal João Pedro Melo. “A ditadura não se sentia apenas nas prisões, na censura, na polícia política. Sentia-se todos os dias na pobreza, no atraso, na falta de oportunidades, na ausência de direitos e na resignação frustrada de um povo, a quem durante demasiados anos disseram que obedecer era virtude e calar era dever”, recordou. Relativamente às mudanças que a Revolução dos Cravos proporcionou aos portugueses, salientou que a 25 de Abril se “celebra a palavra livre, o povo livre, o voto livre, a escola pública, a saúde, a proteção social, a participação cívica e o poder local democrático”. Porém, reconheceu que ainda restam promessas constitucionais por cumprir, nomeadamente a “regionalização”, pois no seu entender há “demasiadas decisões” que “continuam a ser tomadas longe dos territórios, das populações e da realidade concreta de cada região”, fomentando um “sentimento de abandono” no “interior” do país.
A encerrar os discursos das forças políticas com assento na Assembleia Municipal, a coligação “É Hora de Mudar”, que une PPD/PSD e CDS-PP, fez-se representar pelo deputado Paulo Magro. “É no exercício consciente dos nossos deveres e responsabilidades, no dia a dia, que verdadeiramente honramos e celebramos Abril”, começou por referir, acrescentando que é na “proximidade com os cidadãos [e] no modelo de descentralização política, que Abril também se cumpre”, aludindo que as autarquias precisam de mais recursos para responderem às necessidades das pessoas. Por este motivo, elogiou a “iniciativa do governo” em relação à “criação de um grupo de trabalho para a revisão da Lei das Finanças Locais”, com o intuito de “reforçar a autonomia de gestão financeira autárquica” e “dotar os municípios das capacidades necessárias para gerir os serviços descentralizados”.
O presidente da Câmara Municipal da Lousã destacou os investimentos em curso na Educação e na Saúde
“Abril não pertence a um partido, pertence ao povo”, afirmou Victor Carvalho, assegurando que, “enquanto presidente da Câmara Municipal da Lousã”, vai “governar com abertura, responsabilidade e respeito por todos”. De acordo com o social-democrata, o 25 de Abril de 1974 consistiu no “início de uma transformação profunda no nosso país, com impacto concreto em áreas fundamentais como o poder local, a educação e a saúde”. Neste sentido, aproveitou a oportunidade para destacar alguns investimentos que estão a ser realizados no âmbito destas duas últimas áreas.
No que respeita à Educação, Victor Carvalho salientou a “requalificação da Escola Secundária da Lousã”, que será “totalmente renovada” e cuja reabilitação vai abranger também o “pavilhão desportivo”, de modo a “reforçar não só a resposta educativa, mas também as condições para a prática desportiva dos clubes do concelho. Nos casos do “pré-escolar” e do “ensino básico”, concretamente nos “Jardins de Infância do Freixo, da Lousã e de Serpins, bem como na Escola do Casal Santo António, em Serpins”, o presidente do município revelou que também estão “em curso investimentos importantes”. Por último, “será ainda concretizada uma intervenção há muito aguardada: a cobertura do recreio da Escola Básica n.º 1 da Lousã”.
Relativamente ao segundo ponto, recordou o “compromisso” que assumiu para “reforçar o acesso a cuidados de saúde na Lousã”. Por este motivo, salientou que no “novo edifício do Centro de Saúde estarão disponíveis serviços como raio-X, oftalmologia, análises clínicas, nutrição, saúde oral, psicologia e psiquiatria”, além de ter mencionado que a autarquia está a “trabalhar para acrescentar novos meios complementares, como o eletrocardiograma”, de modo a “reforçar a capacidade de resposta local” e “reduzir” as “deslocações a Coimbra”. Por último, anunciou que está “previsto o funcionamento” do “Serviço de Atendimento Complementar” e que, no futuro, este possa “evoluir para um Serviço de Urgência Básica, assegurando resposta a situações agudas, incluindo ao fim de semana”. Para o efeito, garantiu o autarca, “existe” o “compromisso da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra” para “reforçar a contratação de médicos” e “garantir melhores respostas em situações urgentes”.
A encerrar a sessão solene, discursou Pedro Santinho Antunes, presidente da Assembleia Municipal da Lousã. “A data de 25 de Abril é algo único na história da democracia (…) data que nos permite ser parte de um sistema democrático, que por natureza é livre, dinâmico (…) e vive da capacidade de os cidadãos acreditarem em diferentes caminhos”, mencionou. Pedro Santinho Antunes relembrou que, “depois de décadas de continuidade política”, em 2025, a “Lousã decidiu” confiar “noutra visão para o concelho”, considerando que tal “mudança é um privilégio da democracia”. Por último, insistiu que, se o objetivo é que a Lousã tenha uma “Câmara Municipal mais forte, próxima e eficaz”, é “necessário reforçar o papel dos órgãos autárquicos”, “dignificar o estatuto dos eleitos locais” e “garantir meios adequados ao exercício das suas funções”.
As comemorações tiveram início de manhã e continuaram durante a tarde
Após a sessão solene, o Teatro Municipal recebeu um espetáculo musical do grupo “Almedina Ensemble”, intitulado “Cravos e Cordas”. A par desta iniciativa, na Sala Atelier do mesmo espaço, foi inaugurada a exposição “Às Armas ou ás urnas – Povo, MFA e Forças Armadas: Entre Revolução e Democracia (1974-1982). A encerrar o período da manhã, realizou-se também a 25.ª edição do “Street Basket da Liberdade”, na Avenida São Silvestre. Na parte da tarde, a Biblioteca Municipal Comendador Montenegro foi palco da exposição “Ler, Escrever, Obedecer – A Escola no Estado Novo”, seguida de uma tertúlia em torno deste tema.
PEDRO CUNHA – Estagiário

