
Os Bombeiros Municipais da Lousã celebraram, no passado dia 1 de maio, o 122.º aniversário. A sessão solene decorreu no quartel da corporação que, em breve, vai sofrer obras de requalificação, anunciou o presidente da Câmara Municipal, Victor Carvalho.
“São 122 anos de serviço à comunidade, de prontidão permanente, de resposta firme nos momentos mais difíceis e de presença constante na proteção de pessoas e bens”, começou por dizer o presidente da Câmara Municipal da Lousã. Segundo Victor Carvalho, a “história” dos Bombeiros Municipais da Lousã é caracterizada pela “coragem”, “dedicação ao próximo” e pelo “sacrifício” em prol da “população”.
O autarca aproveitou a oportunidade para anunciar que, “muito em breve”, o quartel desta corporação vai ser alvo de “obras de ampliação e requalificação”. De acordo com o vídeo promocional reproduzido durante a cerimónia, este investimento vai implicar a renovação da fachada principal do edifício, do pavilhão desportivo e a abertura de um novo acesso para os veículos pesados, entre outras melhorias que a Câmara Municipal pretende aplicar ao espaço. No entanto, as datas de arranque e término do projeto ainda não estão definidas, existindo a perspetiva que seja concluído até ao final deste mandato autárquico.
Pedro Santa salientou o papel desempenhado pelos bombeiros, quer nos incêndios de 2025, quer durante o ‘comboio de tempestades’ no início deste ano
“Ao longo destes 122 anos houve sempre algo que se manteve: a vontade de servir. Servir a Lousã, servir os lousanenses, servir a região [e] servir Portugal sempre que fomos chamados. Essa é a nossa identidade. Essa é a razão maior da existência deste corpo de bombeiros”, declarou Pedro Santa, comandante dos Bombeiros Municipais da Lousã. De acordo com o próprio, a “compreensão” das “famílias” é também um “sacrifício público”, nomeadamente, quando estes profissionais não têm a possibilidade de marcar “presença em datas importantes” ou são forçados a passar “fins de semana” e “noites” fora de casa. Por este motivo, dedicou-lhes um agradecimento “especial”.
Pedro Santa recordou também as dificuldades sentidas durante o último verão. “Foram dias difíceis. Dias longos. Dias em que o território foi posto à prova, em que as populações sentiram preocupação e os agentes da Proteção Civil tiveram de mobilizar tudo o que tinham: meios, conhecimento, experiência, coragem e resistência”, afirmou relativamente aos “incêndios rurais de 2025”. Adicionalmente, explicou que as “intempéries que afetaram” o concelho da Lousã, entre o final de janeiro e as semanas iniciais do mês de fevereiro, demonstraram que os “desafios da Proteção Civil não se resumem aos incêndios”. No seu entender, estes profissionais enfrentam “desafios múltiplos”, entre eles, os “fenómenos meteorológicos extremos”, que são uma “realidade” e tornam a “missão” dos bombeiros “mais exigente”.
O representante da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra, comandante Fernando Jorge, em linha com as observações efetuadas por Pedro Santa, elencou algumas das adversidades que os bombeiros enfrentam atualmente, como os incêndios, as tempestades e a intensificação do clima de guerra na Europa. “Nestes períodos (…) a sociedade, mais do que nunca, precisa daqueles que, em qualquer tipo de circunstância, estão na linha da frente”, ou seja, dos “bombeiros”. Neste sentido, apelou a que seja prestada “mais atenção” a estes profissionais, em particular aos “bombeiros voluntários”, que “continuam a ficar esquecidos pelos sucessivos governos”. O responsável assegurou que os bombeiros do distrito de Coimbra vão “continuar unidos” na “ajuda às populações”, convictos que a comunidade lhes “reconhece” o devido “valor”.
Eduardo Correia, em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), salientou os “valores da transparência, da participação, da solidariedade, da igualdade, do profissionalismo, da inovação” e do “humanismo” que caracterizam os “122 anos de história” dos Bombeiros Municipais da Lousã. O vice-presidente da LBP encerrou o seu discurso, “homenageando todos aqueles que, no dia a dia, dão o melhor de si” e fazem “jus ao lema: vida por vida”, tendo a “ajuda ao próximo como horizonte da sua própria existência”.
Por fim, o comandante do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil, Carlos Luís Tavares, alertou que se aproxima a “época do maior risco de incêndios rurais”. Apontou também que estão “preparados” para o que se avizinha, mas é necessário um esforço conjunto entre “instituições, agentes de Proteção Civil, autarquias” e “cidadãos” na “prevenção e mitigação dos riscos”. Caso contrário, continuou, os “incêndios deste ano poderão ser ainda mais severos e devastadores”, dado o “desordenamento e abandono da floresta”, a par dos “efeitos recentes da depressão ‘Kristin’, que deixou no chão uma enorme quantidade combustível [árvores]”. Portanto, estes fatores “aumentam significativamente o potencial de risco” durante o próximo verão, concluiu.
O programa comemorativo do 122.º aniversário dos Bombeiros Municipais da Lousã decorreu durante todo o dia, com particular intensidade durante a parte da manhã. A cerimónia arrancou pelas 9 horas da manhã, com a formatura geral e o hastear das bandeiras. Seguidamente, os profissionais deslocaram-se ao cemitério da Lousã, antes de regressarem ao quartel para receberem as entidades convidadas. Pouco depois, arrancou a sessão solene e, posteriormente, teve lugar o desfile apeado com a Fanfarra de São Romão, assim como a bênção das três viaturas oferecidas à corporação. O almoço/convívio realizou-se perto das 13 horas e, ao final da tarde, foi o momento de arrear as bandeiras.
As viaturas foram adquiridas com o apoio de beneméritos locais, contando com a bênção de António Domingues, pároco da Unidade Pastoral da Lousã.
PEDRO CUNHA – Estagiário

