PAMPILHOSA DA SERRA: Homenagem aos antigos cantoneiros marcou a inauguração da requalificação de nova entrada da vila

Bonito e moderno espaço público que tanto vem valorizar uma das principais entradas da vila de Pampilhosa da Serra

No dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, foi inaugurada a requalificação urbanística da entrada oeste da vila, um espaço de lazer inovador e sustentável que transforma uma das principais portas de entrada do concelho e que inclui uma pequena construção que correspondia ao “depósito dos materiais” dos antigos cantoneiros da antiga Junta Autónoma das Estradas (JAE) que, neste simbólico dia, também foram homenageados pelo Município.

“Não poderíamos inaugurar este espaço sem honrar aqueles que, durante tantos anos, trabalharam neste mesmo lugar e nas nossas estradas. São parte da história de Pampilhosa da Serra, e era justo que estivessem connosco neste momento”, salientou o presidente da Câmara Municipal, Jorge Custódio. E foi na presença de quatro antigos cantoneiros do concelho convidados para a cerimónia – José Barata, Joaquim Fernandes, Pedro Neves Gaspar e António Rodrigues e, em pleno Dia do Trabalhador, uma “data propositadamante escolhida e que ganha um signifcado especial porque estamos a homenagear um serviço público que era realizado com extrema dedicaçação por parte dos cantoneiros que trabalhavam em prol dos outros”.

E sem deixar de reconhcer ainda “o seu sacrifício no cumprimento da sua missão”, Jorge Custódio referiu, por isso, que “quisémos perpectuar e requalificar esta casa, precisamente para recordar o trabalho árduo e o legado destes homens que são um exemplo para para as novas gerações, um serviço público cujo equivalente nos dias de hoje fica muito aquém do que então se fazia”.

E como recordaram também os antigos cantoneiros, eram de facto “tempos difíceis, (…) sobretudo de muitos sacrifícios” para cumprirem a sua missão, “com chuva, friou ou vento, tínhamos de manter as estradas limpas e para lá chegar tinha de ser a pé”, como disse António Rodrigues. Só mais tarde “chegaram os dumpers”, lembrou Joaquim Fernandes, enquanto José Barata referiu que “à medida que iam avançando nos quilómetros que lhe eram atribuídos para limpar, tinham de levar a marmita para comer”.

Esta requalificação agora inaugurada e realizada no cruzamento entre a Rua Rangel de Lima e a Avenida de São Silvestre – em frente ao edifício da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia – marcou a conclusão de uma intervenção urbanística de referência, financiada pela União Europeia através do Programa Regional do Centro – Centro 2030. O novo espaço, projectado pela empresa Inline Engenharia, Lda. e construído pela empresa Construções Castanheira & Joaquim, Lda., no valor de 676 395,40 euros (acrescidos de IVA), nasce em terreno que pertencia à extinta Junta Autónoma das Estradas e que foi adquirido pelo Município.

“Esta obra representa muito mais do que um arranjo urbanístico. É umas das várias peças que estão a restruturar e a valorizar a vila ao nível da mobilidade e urbanismo, sendo também o símbolo de um território que valoriza o que tem, que aposta na sustentabilidade e que olha para o futuro com ambição”, salientou o presidente da Câmara Municipal, dando ainda a conhecer que a autarquia tem tambem o projecto para a ligação pedonal de Santo António à entrada oeste da vila.

O projecto tem na água o seu elemento central e gerador de conceito

Com inspiração no Rio Unhais, o projecto tem também na água o seu elemento central e gerador de conceito, com estaque para a cascata com três plataformas e para o espelho de água de desenho irregular na parte inferior, que criam percursos e zonas de estar distintas e convidativas. O espaço contempla ainda zona ajardinada, árvores, bancos e uma escadaria de acesso, integrando harmoniosamente natureza e design urbano, sendo ainda de destacar que a antiga construção afecta aos cantoneiros da JAE foi requalificada no âmbito desta intervenção, ganhando nova vida e utilidade num espaço que, até então, se encontrava sem utilização e alberga agora uma pequena coleção museológica com peças, mobiliário e ferramentas usadas outrora pelos antigos cantoneiros.

O elemento mais marcante e inovador da obra é a “Wind Tree” — uma árvore eólica composta por 36 microturbinas, com uma potência total de 10 800 W e, como referiu Jorge Custódio”, “não é um monte de ferros, mas sim um elemento inovador e com uma função na eficiência energética de todo o espaço”, dando a conhecer que esta estrutura será responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do novo espaço, desde a iluminação pública ao sistema de tratamento e recirculação da água do espelho de água, garantindo um custo de energia praticamente nulo.

Símbolo da valorização dos recursos naturais, trata-se da maior árvore eólica instalada em Portugal — existe apenas outra estrutura semelhante no país, mas de menor potência —, tornando o projecto numa referência em matéria de inovação e eficiência energética no bonito e moderno espaço público que tanto vem valorizar uma das principais entradas da vila de Pampilhosa da Serra.