LOUSÃ: Festival Internacional de Cinema de Circo regressa para nova edição

O Momo – Museu do Circo apresentou, no dia 18 de maio, a 3.ª edição do “Palari”: Festival Internacional de Curtas de Circo do Momo. O evento vai decorrer entre os dias 22 e 24 deste mês, com entrada gratuita.

O “Palari”, nome do festival, arranca para a 3.ª edição com 15 curtas-metragens selecionadas, oriundas de “11 países” diferentes. No total, segundo a vice-presidente da Câmara Municipal da Lousã, Ana Paula Sançana, concorreram “337 filmes”, de “68 países”, que unem o circo à sétima arte.

As 15 obras selecionadas vão ser reproduzidas ao longo dos três dias de evento: cinco no dia 22, no Momo – Museu do Circo, em Foz de Arouce, a partir das 21-30 horas; no dia 23, no mesmo local e horário, serão transmitidos seis filmes; e no último dia, a partir das 17 horas, o Teatro Municipal da Lousã vai acolher as quatro peças restantes. “Estamos muito contentes porque, este ano, foram muitos filmes portugueses a concurso. Chegaram 17 e selecionámos três “, revelou Eva Cabral, que integra a organização do “Palari”.

Estão em disputa “três prémios”, dois dos quais atribuídos pelo júri, um no âmbito da ficção e outro dos documentários, ficando o terceiro à mercê da decisão do público. “Todas as noites, [a plateia] elege os filmes da sua preferência e, no final, [os votos] são contabilizados”, explicou Eva Cabral. Os vencedores dos “Palari de Ouro” – nome oficial de cada prémio – serão anunciados na sessão de encerramento do festival, no Teatro Municipal da Lousã, seguindo-se a respetiva entrega dos galardões.

Em sequência de uma “parceria iniciada no ano passado”, continuou Eva Cabral, o “Palari” vai manter a ligação à “Capital Circus of Budapest”, da Hungria. A par dos 15 filmes selecionados no âmbito do concurso, está previsto um espaço dedicado à exibição de nove curtas-metragens animadas, três por cada dia de festival. Estas peças cinematográficas integram o projeto “Circus + Design”, que a instituição húngara desenvolve em cooperação com a Universidade Moholy-Nagy de Artes e Design de Budapeste. Contudo, trata-se de uma secção extracompetição, ou seja, não está relacionada com a atribuição dos “Palari de Ouro”.

A organização admite que a inteligência artificial tem suscitado novos desafios

Os dois rostos principais deste festival, e do museu, são Detlef Schaff e Eva Cabral, que destacaram o cariz “familiar” das iniciativas desenvolvidas pelo Momo. “As coisas são todas geridas por dinheiro, por números, por sucesso. Isto é gerido por carinho”, mencionou Detlef Schaff. Segundo o fundador da companhia “Marimbondo”, o importante é criar “amigos do Momo”, ou seja, procurar que quem visita o espaço e participa nas iniciativas que nele são dinamizadas, um dia mais tarde, regresse.

O desenvolvimento da inteligência artificial surge enquanto um novo desafio para a organização, conforme explicou Eva Cabral. “Subitamente, começam a aparecer filmes de inteligência artificial. Isso proporcionou também uma conversa, no fundo, sobre o que fazer com essa nova [tecnologia] aplicada à grande tela”, começou por dizer, frisando que os autores das peças assumiram a utilização desta ferramenta digital. Detlef Schaff completou, salientando que se encontram a estudar “duas maneiras” para enfrentar esta questão: “ou excluir, logo à partida, ou abrir uma [nova] categoria”, declarou, apontando que lhe agrada mais a segunda hipótese. Questionados se dispõem de meios para detetar conteúdos gerados por inteligência artificial, responderam que “ainda não”, argumentando que, “até à data”, não sentiram que “fosse necessário”, mas equacionam essa possibilidade. “O futuro está aí à porta. Portanto, provavelmente, será necessário em breve”, concluiu Eva Cabral.

O “Palari” é um festival dedicado ao cinema de circo, tendo em vista a promoção de obras que abordam o universo circense em várias perspetivas, reunindo filmes de diferentes países e géneros. Através das peças selecionadas, o objetivo passa por dar a conhecer a história de artistas, os bastidores, as companhias, entre outros aspetos que ajudam a compreender melhor o quotidiano de quem vive para o circo.

O Festival Internacional de Cinema de Circo é organizado pelo Momo – Museu do Circo, em colaboração com a companhia de circo “Marimbondo” e a “Filmes Sem Futuro”, contando também com o apoio da Câmara Municipal da Lousã.

PEDRO CUNHA – Estagiário