
Na terça-feira, na Casa Amarela, realizou-se a conferência de apresentação do projecto “Miranda Family Lab”, um laboratório territorial inovador que visa redesenhar o desenvolvimento local e posicionar o concelho como uma referência na atratividade para as famílias e com o qual o Município deu um passo estratégico no combate aos desafios demográficos, como considerou, na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal, José Miguel Ferreira.
José Miguel Ferreira salientou ainda que o “Miranda Family Lab” nasce com “o objectivo de inverter trajectórias demográficas negativas, apostando na qualidade de vida como o principal motor de crescimento económico e coesão social”, acrescentando ainda que “através de uma estratégia multidisciplinar, o projecto conta com o suporte de um ecossistema institucional alargado, incluindo Universidades, entidades europeias e organizações de inovação social, estruturando-se em cinco pilares fundamentais de experimentação e “entre os principais focos, destaca-se a criação de um ambiente amigo das famílias, que promove o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, além de apoios robustos à natalidade e educação e, paralelamente, o projeto pretende fomentar uma ‘Comunidade que cuida’, valorizando as relações intergeracionais, a integração de novos residentes e a requalificação do espaço público e habitacional, tornando o concelho mais moderno e acolhedor”.
E com a conferência “Miranda Family Lab” foi dado início à iniciativa, que na Casa Amarela, reuniu especialistas, académicos e decisores políticos para debater estratégias de fixação de famílias e os novos paradigmas da inovação social em territórios de baixa densidade e que, como disse ainda o presidente da Câmara, se pode resignar, trabalhar sem estratégia ou “definir um caminho objectivo, um modelo de desenvolvimento concreto, no qual acredito e que possa permitir deixar de perder população e inverter também a queda económica. Nós, em Miranda, escolhemos o terceiro caminho, (…) porque acreditamos que é possível ao nosso território, com as condições que tem, inverter este ciclo de empobrecimento demográfico e económico que tem acontecido nos últimos anos”.
“A visão que nós temos para o nosso desenvolvimento colectivo parte do princípio muito simples, se um concelho, se um território de baixa densidade com determinadas condições se transformar em um concelho extraordinariamente bom para viver em família, ele vai ser mais atrativo e mais competitivo com os restantes territórios à sua volta”, considerou o presidente da Câmara Municipal, acrescentando que “aquilo que nós acreditamos é que se formos capazes de criar no nosso concelho políticas para a família verdadeiramente competitivas, atrativas, competentes, eficientes e eficazes, vamos estar mais perto de atrair e fixar novos habitantes, população mais jovem, mais qualificada e com isso também conseguimos atrair e fixar mais investimento privado, produzir mais riqueza, mais desenvolvimento económico”.
“Perder praticamente dez por cento da população em 10 anos é um problema muito grave”, referiu José Miguel Ferreira, acrescentando que para dar resposta a este problema “ao longo dos últimos meses temos sido tão existentes na criação de reuniões, de fóruns, de momentos de convívio, participação e reflexão junto com a população” para “medir o impacto daquilo que estamos a fazer” e, também por isso, a realização “da conferência de arranque do projecto, que pretende não ser um momento único, mas ser um momento repetível todos os anos, para que daqui a um ano possamos estar aqui outra vez, ou noutro espaço do nosso território, a refletirmos sobre estas importantes matérias que dizem tanto respeito às famílias, mas também a avaliarmos o trabalho daquilo que foi feito no período entre as conferências”.
“E é esse o papel que reservamos para estes parceiros, (…) eu acredito que é convosco e com outros que se juntem a nós, que podemos desenhar algo totalmente inovador, que pode ser replicável em Portugal e também na Europa. Nós precisamos também de mais parceiros, (…) que podem vir em primeiro lugar de Municípios parceiros em Portugal e fora de Portugal, porque a troca de experiências é absolutamente fundamental”, considerou o presidente da Câmara Municipal, salientando que o “Miranda Family Lab” é “um laboratório vivo, um laboratório permanentemente aberto a novas ideias, permanentemente aberto ao seu teste, à sua medição, desde que sejam ideias e políticas vocacionadas para família”.
E depois de se referir a outros projectos e medidas de apoio às famílias e direccionadas para o bem-estar da população, José Miguel Ferreira, considerou que “se nós formos um concelho extraordinariamente bom para vivermos em família, eu estou certo que seremos um concelho que vai estar mais perto de atrair aqueles que procuram viver em paz, em sossego e perto da Natureza, mas também aqueles que até gostavam de viver em um grande centro urbano, mas não têm a capacidade financeira para o pagar. E é essa a crença e a convicção do Miranda Family Lab, (…) um projecto como não há igual nos Municípios aqui à volta (…) e espero que, como eu, acreditem no projecto e obriguem a que este projecto seja um projecto a implementar nos próximos anos em Miranda, independentemente da pessoa que tiver o privilégio de liderar o território por alguns anos. Obrigado a todos”.
O programa da conferência estruturou-se em três painéis principais que abordaram desafios estruturais contemporâneos. O primeiro painel, moderado por Luís Matias, coordenador do IIBT do Pinhal Interior, foi focado em “Famílias, natalidade e competitividade territorial”, contou com a intervenção de Luís Leite Ramos, presidente do PTRR, Ana Oliveira, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica e de Sónia Guadalupe, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Sob o tema “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança?” e em debate moderado por Lara Branco, presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo, seguiu-se uma reflexão sobre a educação das novas gerações, que contou com os contributos de Susana Costa Ramalho, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, de Dina Soeiro, do Instituto Politécnico de Coimbra e de Manuel Castelo Branco, do Instituto Superior Miguel Torga.
O terceiro e derradeiro painel da conferência foi subordinado ao tema “Os pequenos territórios podem liderar a inovação social?”, moderado por Sofia Vaz, vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo e que teve os contributos de João Homem Cristo António, do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, de Jorge Brito, da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, de Sofia Rosas da Silva, do Instituto Politécnico de Coimbra e de João Meneses, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica.
Com esta conferência, Miranda do Corvo reafirmou o seu papel como um laboratório vivo de políticas públicas, demonstrando que os Municípios de pequena dimensão podem, através da colaboração e da inovação social, liderar a mudança e enfrentar os desafios estruturais contemporâneos e, no encerramento, conduzido pelo presidente da Portugal Inovação Social, Filipe Almeida, que sublinhou o compromisso do concelho com a sustentabilidade demográfica da região.

