NOTA DA SEMANA: Os números não enganam, alguns políticos é que os usam conforme convém!

Sempre aprendemos que a matemática é linear, pode até ter diferentes variáveis, mas quando estas são previamente definidas o resultado é sempre igual.

Simplificando, um a somar a um são, e serão, sempre dois.

Obviamente haverá uns estudiosos da matéria que dirão sempre que não é exatamente assim, por norma até são os políticos, ou pelo menos alguns deles, a deturparem o peso dos números ajeitando-os de acordo com a respetiva narrativa no âmbito da afirmação dos seus projetos e agendas mediáticas.

Colocar os números em perspetiva é algo para o qual deveremos estar muito atentos, ou não vá sermos enganados na leitura dos mesmos e em especial por alguns políticos designados de “mangas-de-alpaca”, os quais são hábeis na forma como fazem a leitura dos mesmos!

Enfim, esquecem-se porventura de que ainda há quem tenha aprendido a tabuada na escola primária e ainda seja capaz de fazer a “regra de três simples”…

Pego na questão dos números e da matemática em virtude de terem saído os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), e que pela primeira vez utilizou uma metodologia mais aprofundada cruzando diferentes fontes de recolha de informação, indo dos dados da Segurança Social, passando pela Educação e chegando à Saúde, permitindo desenhar um retrato mais fidedigno do estado demográfico do País.

Da análise desses dados verificou-se que Portugal tem 11,4 milhões de habitantes, mas destes, 14% da população é imigrante, ou seja, 1 597 539, duplicando do ano de 2021 para 2025.

Olhando para os dados do INE percebe-se que os anos de maior entrada de fluxos migratórios ocorreram em 2022 (326 090) e 2023 (275 929) e apenas em 2024 esses números começaram a registar um decréscimo mais significativo, percebendo-se aqui qual foi o papel da figura da manifestação de interesse para agilizar a permanência no País dos imigrantes.

Assim, aquilo que os dados do INE nos dizem é que entre 2021 e 2025 a população emigrante aumentou em mais 849 384 pessoas (113%), o que, indubitavelmente, aumentou a pressão junto de diversos setores como a habitação, a educação, a saúde, as prestações sociais, etc, etc.

E antes de alguns amigos começarem a fazer juízos de valor de natureza ideológica sobre aquilo que disse até aqui, desde já esclareço que não é esse o objetivo, antes sim e tão só, dar nota de que o crescimento verificado no número de habitantes em Portugal não foi acompanhado pelo aumento da oferta de serviços públicos, o que teve claramente impacto, por exemplo, no aumento do número de utentes sem médico de família, ou nas urgências entupidas. Situações, sem dúvida alguma, influenciadas pelo crescimento da população em Portugal.

Chegará o momento em que será realmente apurada a contribuição, versos despesa, que este aumento de população imigrante deu, ou retirou, aos cofres da Segurança Social, pois ainda hoje desconhecemos tal impacto, e isto porque, em rigor, ainda ninguém sabe quantos estrangeiros residentes em Portugal estão inscritos, efetivamente, na Segurança Social.

Em Portugal existem diversas entidades a divulgar números sobre estes registos na Segurança Social, a PORDATA anunciou entre 400 mil a 500 mil imigrantes inscritos, o Banco de Portugal refere cerca de 1 milhão e 100 mil!

Nesse contexto é mais fácil relacionar o aumento das contribuições registadas para a Segurança Social e o saldo das contas desta, com o aumento do número de pessoas em idade ativa no contexto da imigração, esquecendo-se muitas vezes o peso da relação entre o aumento do salário mínimo nacional (cresceu entre 5% a 6% ao ano) e, por essa via, o aumento do volume de receitas do Estado Social.

Uma coisa é já certa, neste momento precisamos de mão-de-obra, mas acima de tudo necessitamos de inverter a pirâmide demográfica, caso contrário o sistema de solidariedade intergeracional que suporte o pagamento das pensões de reforma irá colapsar.

Mas isso não quer dizer que não sejam necessárias regras na imigração e, por mais que custe dizer isto, que perfil de imigração desejamos.

No entanto, e crendo nos dados do INE, alguém andou a esconder os reais dados da imigração, agora imaginem se os relatórios de segurança interna fizessem registos por nacionalidade ou etnia!

Contudo, qualquer cidadão que ouse formular o aprofundamento da natureza dos registos passará rapidamente a ser classificado, no mínimo, como um “fascista”, mas não tardará que as perceções de hoje venham a ser as certezas de amanhã.

Os números nunca enganaram, infelizmente quem nos engana é quem os utiliza conforme a narrativa política que interessa no momento.