
No sábado 1 de Agosto de 2026, no encerramento da oitava edição do Jamboree das Beira, realizado em S. Gião (Oliveira do Hospital, o coordenador da dimensão pedagógica do Acampamento Regional dos Escuteiros de Coimbra, Gonçalo Moura Costa, nas suas palavras finais, referiu que “chegámos ao fim. E, no entanto, é agora que tudo começa”.
O XV Acampamento Regional da Região de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas (CNE), simultaneamente designado VIII Jamboree das Beiras – JamBeiras –, reunindo cerca de milhar e meio de escuteiros provenientes maioritariamente da Região de Coimbra, mas também da Região de Lisboa, do Agrupamento de Genebra e uma delegação de quarenta escuteiros da Roménia, celebraram o centenário do Escutismo em Coimbra, durante as actividades do Acampamento que teve como base a Praia Fluvial de São Gião, em Oliveira do Hospital, mas estendeu-se pelo concelho e também pelo concelho de Seia. Começou a 27 de Julho e prolongou-se até ao Dia Internacional do Lenço Escutista, 1 de Agosto, dia em que em todo o mundo é recordado o amanhecer do Escutismo e os 119 anos do acampamento experimental de Brownsea.
O JamBeiras constituiu o ponto alto das comemorações do Centenário da Região de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas, assinalando também o regresso do Acampamento Regional, oito anos após a última edição. Sob o lema “C Semente – Sê Semente”, o acampamento desafiou crianças, jovens e dirigentes a refletirem sobre o impacto que cada pessoa pode ter na transformação das comunidades, promovendo uma semana intensa de vida em campo, serviço, fraternidade, aventura, espiritualidade e contacto com a natureza.
Durante seis dias, a “cidade de lona” instalada em São Gião foi palco de centenas de atividades educativas, jogos, oficinas, desafios físicos, de técnica escutista, e de destreza mental, momentos culturais, celebrações e experiências de Serviço, envolvendo todas as secções do movimento. O programa integrou igualmente cerimónias marcantes das comemorações do centenário, culminando na Eucaristia de Ação de Graças presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, e na cerimónia de encerramento realizada a 1 de Agosto.
A dimensão internacional voltou a marcar o JamBeiras, reforçando a tradição iniciada em 1989 de atribuir a designação de Jamboree das Beiras aos Acampamentos Regionais que contam com participação estrangeira. A presença da delegação romena e de escuteiros portugueses residentes na Suíça proporcionou uma verdadeira experiência de intercâmbio cultural e de fraternidade escutista.
Para o Chefe Regional de Coimbra e Chefe de Campo do Acampamento, Nuno Castela Canilho, “o JamBeiras superou as expectativas, não apenas pela dimensão da participação, mas sobretudo pela qualidade da experiência vivida por cada escuteiro. Durante uma semana fomos verdadeiramente uma comunidade onde se apreenderam valores, se criaram amizades e se confirmou que o Escutismo continua a transformar pessoas para transformar o mundo.”
O responsável regional sublinha igualmente que “este foi um acampamento construído por centenas de voluntários, fruto do trabalho de muitos meses de preparação, demonstrando a enorme capacidade organizativa do Escutismo de Coimbra e a força da rede de parceiros que acreditou neste projeto.”
O XV Acampamento Regional encerra, assim, uma das mais significativas iniciativas do Centenário da Região de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas, deixando uma marca de entusiasmo, amizade e esperança nas gerações mais jovens e reafirmando o compromisso do Escutismo com a educação integral das crianças e dos jovens através do método escutista, do serviço e da vida em comunidade.
O Jamboree das Beiras terminou com um desafio de continuidade. Na cerimónia de encerramento foi entregue a cada escuteiro uma semente já germinada de árvores autóctones portuguesas, oferecidas pela empresa ALTRI (empresa portuguesa de referência na Europa no setor da produção de pasta de papel e na gestão florestal sustentável). “Não é uma lembrança. É uma responsabilidade”, afirmou Gonçalo Moura Costa, acrescentando que “é a mesma que o homem do livro – ‘O Homem que plantava árvores’, de Jean Giono, que serviu de base simbólica e de imaginário ao acampamento, de forma transversal – carregou, em silêncio, durante uma vida inteira: a de plantar sem esperar aplausos, a de cuidar sem esperar reconhecimento, a de acreditar que aquilo que fazemos hoje, com estas mãos pequenas, vai dar sombra a quem talvez nunca conheçamos”.
“Por isso deixamos um convite. Chamamos-lhe “C Semente” — como desafio, como promessa, e também como semente C, de Coimbra”, referiu ainda Gonçalo Costa, “o convite é simples: que cada um de vós, e cada Agrupamento, leve este Jambeiras para casa não como recordação, mas como compromisso. Uma ação concreta. Um gesto real de transformação na vossa comunidade. Porque o Escutismo, sabemos bem, não existe para si próprio. Existe para o mundo”, concluindo, “levem esta árvore. Plantem-na onde puderem. E, sempre que a virem crescer, lembrem-se: também vocês são, desde hoje, semente e semeadores”.
Presença do Bispo de Coimbra
O Bispo de Coimbra, esteve por duas vezes no Acampamento Regional dos Escuteiros da sua Diocese. Reservou um período de uma tarde ou de uma manhã para cada uma das quatro secções etárias do escutismo católico português. Do contacto com as crianças e com os jovens o prelado deu sinal de uma empatia profunda e marcante na relação dos jovens com a Igreja. Sinais que D. Virgílio Antunes partilhou na Eucaristia de Ação de Graças que celebrou na sexta-feira, ao fim da tarde, para todos os participantes e muitos convidados – entre eles o Chefe Nacional do CNE, Bento Sousa Lopes.
“A presença do nosso Bispo honra-nos muito. Apesar de Dom Virgílio Antunes ser presença assídua e ativa nas grandes atividades regionais dos Escuteiros de Coimbra, é uma honra recorrente”, salientou o Chefe Regional de Coimbra, considerando que “este cuidado que o nosso Bispo nos oferece ao querer estar presente, no meio dos jovens, no rebuliço da ‘cidade de lona’, mostra uma Igreja que se junta à juventude, e uma juventude que se abraça com a Igreja e com Jesus Cristo”.
No final da Eucaristia, o Chefe Regional de Coimbra, dirigindo-se ao Bispo de Coimbra, renovou o compromisso dos escuteiros de Coimbra permanecendo “firmes, fiéis e disponíveis”. E, ao Bispo, recitou o refrão hino do acampamento, em tom de compromisso: “Já não basta só Sonhar/ É preciso ir mais além. Mãos à obra, transformar/ Ser mudança para alguém. No caminho que perdura/ Há um tempo para dar. Ser fiel em cada passo / E com sentido Servir e Amar”.
Investimento na economia local como desígnio de sustentabilidade
A organização do Acampamento Regional assumiu, desde o primeiro momento, o compromisso de que um evento desta dimensão pudesse deixar um legado positivo no território que o acolheu. Nesse sentido, foi privilegiada, sempre que possível, a aquisição de bens e serviços junto de empresas, comerciantes e prestadores locais, reforçando a economia de proximidade e valorizando os recursos existentes no concelho de Oliveira do Hospital. Esta opção permitiu que o investimento realizado na preparação e concretização do JamBeiras tivesse um impacto direto na atividade económica local, contribuindo para gerar rendimento, apoiar o comércio e fortalecer as relações entre o movimento escutista e a comunidade anfitriã.
Mais do que uma opção logística, esta foi uma decisão alinhada com a visão de sustentabilidade que orientou toda a atividade. O Escutismo entende que educar para a sustentabilidade implica também promover modelos de consumo responsáveis, reduzir deslocações desnecessárias, privilegiar circuitos curtos de abastecimento e reconhecer o papel das comunidades locais na construção de um futuro mais resiliente.
Ao escolher fornecedores locais e estabelecer parcerias com instituições, associações e empresas do território, o JamBeiras procurou demonstrar que grandes eventos podem ser igualmente agentes de desenvolvimento local, deixando uma marca positiva que perdura para além dos dias de acampamento.
A Junta Regional de Coimbra agradece o extraordinário apoio da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, da Fundação Albino Mendes da Silva, do IPDJ, das Juntas de Freguesia de São Gião, Avô, Aldeia das Dez, Cabeça e Vide, Sazes da Beira, Penalva de Alva, Sandomil, São Sebastião da Feira, Oliveira do Hospital e de Pombal, das associações locais, como a Filarmónica da Aldeia das Dez e a Sociedade de Defesa de Avô, instituições particulares de solidariedade social de Cabeça, Vide, Sazes da Beira, mas também a ARCIAL, forças de segurança, serviços de proteção civil, entidades de saúde, como a Delegação de Coimbra da Cruz Vermelha Portuguesa, empresas parceiras, como a ALTRI e a Serração de Santa Luzia e do tecido económico local, como a Cooperativa Agropecuária de Oliveira do Hospital, cuja colaboração foi determinante para o sucesso da atividade. O agradecimento dos escuteiros de Coimbra estende-se, também, à Lab-i-duca (BLC3), à Associação de Astronomia do Alva, ao apicultor Telmo Cabral, ao professor de Biologia Igor Costa, ao Centro Social Caeiro da Matta, da Paróquia de Midões, e à Irmandade de Santa Ana, de Oliveira do Hospital, que apoiaram na dimensão pedagógica da atividade.
Base nacional do maior evento escutista do planeta será em Coimbra
Na cerimónia de encerramento, Nuno Castela Canilho, anunciou também já o próximo grande momento das comemorações do Centenário do Escutismo de Coimbra. A cidade de Coimbra será a anfitriã da edição portuguesa do JOTA/JOTI – Jamboree On The Air / Jamboree On The Internet, considerado o maior evento escutista do planeta, que liga, através da rádio e da internet, milhões de escuteiros de dezenas de países. A iniciativa decorrerá entre 16 e 18 de Outubro de 2026, reunindo em Coimbra escuteiros de todo o país para um fim de semana de fraternidade, comunicação, tecnologia e partilha, inserido nas celebrações dos cem anos da Região de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas.
Aproveitando esta concentração nacional de escuteiros, a Junta Regional de Coimbra promoverá igualmente a sessão solene do Centenário do Escutismo de Coimbra, assinalando publicamente os cem anos da fundação do movimento na cidade e na Diocese. A cerimónia terá lugar na sequência da data histórica de 15 de Outubro de 1926, dia em que foi oficialmente reconhecido o Escutismo em Coimbra, constituindo o momento formal, cívico e institucional das comemorações do centenário. Será uma ocasião para homenagear os fundadores, reconhecer o contributo de sucessivas gerações de escuteiros e dirigentes e reafirmar o compromisso do Escutismo com a educação das crianças e dos jovens ao serviço da comunidade e do bem comum.

