REGIÃO: INCÊNDIOS AMEAÇARAM POVOAÇÕES EM ARGANIL, GÓIS, MIRANDA DO CORVO TÁBUA E VILA NOVA DE POIARES Sucessão de ignições registadas “é um acto de terrorismo”

É desta forma que o comandante dos Bombeiros Voluntários de Tábua classifica a sucessão de incêndios registados no sábado e domingo no distrito de Coimbra, e em particular os que afectaram os concelhos de Arganil e Vila Nova de Poiares – que se alastrou a até Góis – (dia 19) e em Tábua e Miranda do Corvo (dia 20).

«Começamos a ficar preocupados e começamos a pensar mesmo que são actos terroristas», declarou Rui Leitão esta segunda-feira, dia 21, após o controlo do reacendimento do incêndio de Mouronho (Tábua).

Os três focos de incêndio iniciais (no sábado) mobilizaram para o teatro de operações (TO), 16 meios aéreos, mais de 800 operacionais e 255 viaturas, que combateram as ignições registadas com um intervalo temporário muito curto. O primeiro alerta foi dado pelas 13H55, para um incêndio em Murganheira, na freguesia de Pombeiro da Beira, e, poucos minutos depois e a curta distância, um outro foco de incêndio eclodiu em Lavegadas, Sabouga, no concelho de Vila Nova de Poiares. Entre estes dois focos, foi registada uma terceira ignição que, acabaria por se unir aos dois primeiros originando um só incêndio com várias frentes activas e inúmeras projecções.

«É muito estranho»

Citado pelo Diário de Coimbra, o comandante sub-regional de Coimbra da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, admitiu ser (…) «muito estranho» três incêndios ao mesmo tempo, e, a curta distância entre eles, fez com que interagissem (…) «juntaram-se num só, fizeram a convecção, o que acaba por provocar muito mais libertação de energia e tornar a situação mais grave», explicou Carlos Luís Tavares.

Com o avançar da tarde – com vento intenso -, a frente que mais preocupava os operacionais era a que progredia para o concelho de Góis, muito por força da desmobilização dos meios aéreos, pelo que a aposta para debelar o incêndio passou pelo reforço de operacionais e dominá-lo durante a madrugada. O vento foi abrandando.

«A nossa prioridade foi sempre a salvaguarda das povoações», sublinha Carlos Luís Tavares, e, é facto, apesar das chamas terem ameaçado algumas povoações –Sabouga e Vilarinho do Alva – não há registo de qualquer habitação destruída.

Disso mesmo deu conta o presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, que destaca e elogia o (…) «dispositivo muito robusto» no combate ao fogo. Do mesmo modo, também o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares destaca o “ataque musculado” que permitiu travar o incêndio e impedir a destruição de habitações.

Nuno Neves aponta que (…) «a carga combustível existente é muita e em todo o lado, essencialmente eucaliptos, mato e árvores caídas ainda da tempestade Kristin», que em Fevereiro atingiu, sobretudo, a região Cento do país.

Incêndio de Mouronho é o maior do ano em Tábua

Cerca de 400 operacionais apoiados por 83 viaturas e 11 meios aéreos, combateram na tarde de domingo (dia 20) o incêndio que “eclodiu” pelas 15H12.

Também aqui, o ataque musculado dos operacionais permitiu que o incêndio não tivesse provocado qualquer perda habitacional, apesar de ter chegado a ameaçar as aldeias de Mouronho e Pousadouros.

Em declarações à LUSA, o vice-presidente da Câmara Municipal de Tábua, que detém o pelouro da Protecção Civil e Gestão de Riscos adiantava que o incêndio começou a ceder aos meios (…) «e deverá ser dado como dominado em duas ou três horas», o que veio a acontecer pelas 18H50, quando foi dado em “fase de resolução” pelas autoridades.

Na segunda-feira (dia 21), após o surgimento de um novo foco de incêndio em Mouronho, António Oliveira admitiu que os acontecimentos dos últimos dias levantam sérias preocupações.

«Temos que estar de acordo, porque realmente assistirmos ao dia de ontem (19), ao sábado (20) que foi extremamente exigente no distrito, com os incêndios de Arganil e de Poiares (…) «começamos a ficar preocupados e começamos a pensar mesmo que são actos terroristas», admitiu António Oliveira.

Citado pelo Notícias de Tábua, o autarca destacou ainda que o incêndio que deflagrou na tarde de domingo em Mouronho foi (…) «o maior incêndio até ao momento» no concelho de Tábua, lembrando que o município tem sido atingido por várias ignições nas últimas semanas (veja a edição de A COMARCA de 17 de Setembro).

Rui Leitão reforçou a preocupação relativamente à origem de várias ocorrências registadas no concelho e na região, explicando que o novo foco de incêndio surgiu num local afastado da área ardida no domingo, afastando a hipótese de reacendimento. «Não há qualquer tipo de possibilidade de que tenha sido um reacendimento», afirmou.

Perante este cenário, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Tábua foi peremptório: «Não deixa de ser estranho, não deixa de ser uma acção de terrorismo».

Comandante dos BV Argus ferido

O comandante dos Bombeiros Voluntários Argus (Arganil) é um dos três feridos registados no decorrer dos incêndios de sábado.

Fernando Gonçalves fracturou um cotovelo depois de ter sido (…) «apanhado por um veículo em manobras. O pequeno embate provocou a queda e, ao cair, magoou-se no braço», revelou Luís Paulo Costa.

Carlos Luís Tavares acrescentou que outros dois bombeiros ficaram feridos (ligeiros) por inalação de fumos e exaustão.

O comandante dos BV Argus teve alta dos Hospitais da Universidade de Coimbra ainda na tarde de sábado.

“Ou sim ou sopas” para os bombeiros

Em Mouronho estava tudo preparado para mais uma edição do “Ou sim ou sopas” mas, com o eclodir do incêndio, a organização decidiu cancelar o evento gastronómico, que é já uma referência concelho e regional.

Os responsáveis da Tuna de Mouronho encaminharam toda a logística alimentar para os “Soldados da Paz” que, durante quatro horas, combateram e controlaram o maior fogo registado este ano no concelho de Tábua.