PONTE DE SÓTÃO (GÓIS): Mural de Nunes Pereira inaugurado na Igreja de São Gens

Os restantes municípios que integram as comemorações também estiveram representados

O município de Góis inaugurou, no dia 20 de setembro, na Igreja de São Gens, em Ponte de Sótão, um mural em homenagem a monsenhor Nunes Pereira. A iniciativa decorreu no âmbito das comemorações dos 120 anos do nascimento e 25 anos da morte do pároco natural de Fajão, Pampilhosa da Serra, com o intuito de preservar o legado que deixou em vários concelhos da região Centro do país.

Virgínia Gomes, em representação da diretora do Museu Nacional Machado de Castro, Sandra Costa Saldanha, começou por salientar que é “importante” para esta instituição que a “arte” de “Nunes Pereira seja falada, lembrada e honrada”, quer na “capital da região Centro, como em todas as paróquias e locais onde ele trabalhou”. Ainda segundo a conservadora das coleções de pintura, desenho e gravura do Museu, a “comunidade” de Ponte de Sótão “lutou (…) para conseguir uma igreja com Nunes Pereira”. A responsável agradeceu à população local e à “Câmara Municipal de Góis” por “continuarem a honrar” o legado do padre natural de Fajão, bem como por “pugnarem, cada vez mais, para que a qualidade artística, a naturalidade [e] a ligação entre a terra e o céu seja possível também nas obras contemporâneas”.

“Celebrar Nunes Pereira também é recordar as nossas raízes. Não podemos esquecer o nosso passado, [pois precisamos] de uma base (…) para continuarmos a construir o futuro”, mencionou Nuno Santos, reitor do Seminário Maior de Coimbra. O pároco reconheceu que a aldeia de Ponte de Sótão atravessa “dificuldades”, nomeadamente no que respeita à “diminuição da população”, mas apelou aos seus habitantes para que “não deixem de acreditar no presente e sonhar o futuro”. O padre destacou também o papel “determinante” da “comunidade” local e da “autarquia” na “recuperação” da Igreja de São Gens, que terminou a 30 de novembro de 2025.

Paula Matos, em nome da Câmara Municipal de Góis, realçou o esforço das associações locais para permitir a reabilitação da Igreja de São Gens, nomeadamente da “Comissão de Culto da Igreja de Ponte de Sótão”, dado que “ajudou muito” a autarquia nesta “missão”. “Monsenhor Nunes Pereira chorou, ao ver os vitrais [da igreja danificados]”, referiu, acrescentando que o município decidiu averiguar o “custo” da respetiva “restauração”, chegando à conclusão que o montante necessário “não era nada de extraordinário”. Ainda de acordo com a responsável pelo pelouro da Cultura, este “foi um dos projetos” mais marcantes durante o seu percurso no executivo local.

“Nasceu da comunidade a construção desta igreja e nasceu da comunidade também o seu restauro. A Câmara deu um contributo, mas sem o trabalho dos voluntários e das pessoas que deram alguns materiais, nada disto seria possível”, sublinhou Paula Matos. A vereadora elogiou também a obra de Fernando Martins, autor do mural em homenagem a Nunes Pereira.

O percurso comemorativo de homenagem a Augusto Nunes Pereira arrancou a 3 de dezembro de 2025 e vai terminar a 9 de dezembro de 2026, ano no qual se assinalam os 120 anos do seu nascimento (3 de dezembro de 1906) e os 25 da sua morte (1 de junho de 2001). A iniciativa, que tem como lema “Do nascimento ao [re]nascimento”, é promovida pelo Seminário Maior de Coimbra e pelo Museu Nacional de Machado de Castro, que integram a comissão executiva do projeto, assim como por sete municípios do distrito de Coimbra: Arganil, Cantanhede, Coimbra, Góis, Lousã, Montemor-o-Velho e Pampilhosa da Serra.

A Igreja de Ponte de Sótão abriu as portas a 20 de setembro de 1970, tendo comemorado 56 anos de vida no dia em que o mural de Nunes Pereira foi inaugurado. Ao longo de cerca de dez anos, a comunidade local, que contou com o apoio da Fábrica de Papel de Ponte de Sótão, construiu este templo que conserva as imagens de São Gens e Santa Ana, além de conter o traço e a arte de Nunes Pereira, designadamente em vitrais, na via-sacra em ferro forjado e noutras peças de temática religiosa no interior do edifício.

Em 2020, no ano em que a Igreja de São Gens comemorou 50 anos, a Comissão de Culto da Igreja de Ponte de Sótão, com o apoio da Associação de Melhoramentos e da Casa do Povo desta aldeia, realizou uma campanha de angariação de fundos para financiar as obras de requalificação do espaço religioso. A Câmara de Góis também se juntou a esta iniciativa, tendo atribuído um subsídio para apoiar a recuperação do mesmo. Cinco anos mais tarde, a 30 de novembro de 2025, a Igreja foi reinaugurada.

Antes da inauguração do mural, pelas 15 horas, teve lugar uma missa presidida pelo reitor do Seminário Maior de Coimbra, Nuno Santos, que foi acompanhado por Orlando Henriques, pároco na aldeia de Ponte de Sótão. O Coro Misto da Associação Educativa e Recreativa de Góis também marcou presença, cantando em diferentes momentos da cerimónia religiosa. Cerca de duas horas mais tarde, já depois do descerramento da placa relativa à homenagem a Nunes Pereira, teve lugar um lanche aberto à população.

Recorde-se que monsenhor Augusto Nunes Pereira, além de sacerdote, era também escritor, poeta, professor e humanista, tendo deixado um legado cultural, artístico e espiritual em várias localidades do distrito de Coimbra.

Pedro Cunha – Estagiário