Portugal excluído do Campeonato do Mundo de Ralis de 2027 – autarcas reagem

O Automóvel Club de Portugal (ACP) anunciou, no dia 29 de setembro, que o Vodafone Rally de Portugal não consta no calendário do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) do próximo ano. Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal, considerou que se trata de uma “notícia profundamente negativa” para o país.

Rally de Portugal é uma das grandes marcas internacionais do nosso país, construída ao longo de décadas e reconhecida em todo o mundo”, afirmou Rui Ventura, segundo a nota de imprensa publicada pela Turismo Centro de Portugal. De acordo com o presidente desta instituição, trata-se de uma “notícia profundamente negativa” para o país, dado o impacto económico e turístico associado à realização desta prova.

“Estamos a falar de um evento com um impacto extraordinário na promoção externa de Portugal, na economia dos territórios, na hotelaria, na restauração, no comércio e no emprego”, reforçou, acrescentando que esta competição atrai “milhares de visitantes”, além de ser acompanhada por “milhões de pessoas em todo o mundo”.

O presidente da Turismo Centro de Portugal revelou ainda que estava um “trabalho em curso para reforçar a presença do Rally no território”, com “Viseu a assumir um papel relevante”, nomeadamente no que respeita à “promoção internacional” e ao “retorno económico para toda a região”. Por este motivo, Rui Ventura considerou pertinente que sejam conhecidas as circunstâncias que conduziram à exclusão da prova portuguesa do calendário de 2027, lançando algumas perguntas: “como é possível que uma prova com este historial, esta notoriedade e este impacto fique de fora do calendário mundial? Que negociações foram realizadas? Que alternativas foram apresentadas? Que condições colocou o promotor? E, sobretudo, o que foi feito para defender até ao limite a presença de Portugal?”.

Ainda segundo a Turismo Centro de Portugal, o ACP anunciou que esta decisão resultou de uma alteração efetuada pelo promotor do WRC na fase final de preparação do calendário de 2027, com o intuito de assegurar uma maior diversidade geográfica e uma dimensão mais intercontinental ao campeonato. O ACP revelou também que já decorreram contactos com o promotor, tendo em vista um eventual regresso do Rally de Portugal em 2028.

Na visão de Rui Ventura, “se houve uma alteração de última hora, por parte do promotor” do campeonato, devido às questões geográficas e à dimensão intercontinental do WRC, o país precisa de “perceber por que razão foi o Rally de Portugal a pagar esse preço”. O presidente apontou ainda que “não basta dizer que poderá regressar em 2028”, atendendo que uma “marca internacional desta dimensão não pode entrar e sair do calendário como se nada estivesse em causa”.

“O nosso país acolhe e apoia muitos acontecimentos desportivos, mas alguns têm uma dimensão absolutamente diferenciadora. O Rally de Portugal é um deles”, reforçou o presidente da Turismo Centro de Portugal. No seu entendimento, em “2027” o país “não perde apenas uma prova de automóveis: perde economia, dormidas, promoção internacional e perde, durante um ano, uma das grandes marcas de Portugal no mundo”.

Rui Ventura defendeu que são necessárias mais “explicações” relativamente a este processo, além de ser preciso “garantir que esta ausência não se transforma numa perda definitiva”, concluindo que o “Rally de Portugal tem um valor demasiado importante para o turismo, para os territórios e para a imagem internacional do país”.

Reacção dos presidentes da Câmara

Victor Carvalho

LOUSÃ: “A reação foi de surpresa porque, na verdade, nada fazia prever esta decisão. Muito menos, quando sou confrontado com isso através da comunicação social. Houve um telefonema a dizer que estava em risco, mas, de repente, sabemos pela comunicação social e estou à espera ainda de uma comunicação formal”.
“Esta decisão penaliza-nos imenso. A Lousã é um dos locais mais procurados pelos adeptos do Rally, pelos amantes e os apaixonados desta modalidade do desporto motorizado. Portanto, a Lousã reúne sempre, em torno do Rally, milhares e milhares de pessoas que vêm até ao nosso concelho para poderem ver um dos melhores troços do Rally de Portugal. A Lousã tem tido sempre dos melhores troços do Rally de Portugal e, portanto, ficámos muito surpreendidos com esta tomada de decisão, com esta reviravolta naquilo que estava perspetivado. É uma perda, não só para a Lousã, mas, sobretudo, para o país, uma vez que o Rally não vai sequer existir no próximo ano em Portugal”.
Impacto económico
“Sim, são sempre, sobretudo, em termos económicos [e] também em termos de projeção do nome do município. É de notar que o Rally projetava-nos também e, assim, deixamos de ter esse período de projeção do nosso território enquanto território de desporto de aventura, de desporto motorizado [e] de desporto de natureza. Portanto, ficámos muito surpreendidos”.

Rui Sampaio

GÓIS: A importância do Rally de Portugal para o nosso território é por demais evidente. Para o nosso território, para a região e para o país. O Rally de Portugal é uma das imagens de marca do nosso território e também do país. É uma prova desportiva com um alcance mundial, com um impacto muito grande: económico e de visibilidade dos territórios. Não termos o Rally de Portugal, naturalmente, é algo que todos lamentamos.
Não resulta, diretamente, da vontade dos municípios, nem da vontade do Automóvel Club de Portugal (ACP), nem da vontade do país. Foi uma decisão que o novo promotor do Rally teve (…) que, naturalmente, lamentamos pela importância que tem, pelo impacto que [gera] na economia dos territórios porque o fluxo de pessoas, que ocorre na altura em que o Rally se realiza, todos nós sabemos qual é: são milhares de pessoas que passam pelos nossos concelhos nestes dias, que deixam sempre cá ficar alguma coisa, e isso vai acabar por se sentir de qualquer das maneiras.
Tal como também já ouvimos dizer, o ACP estará a negociar o regresso do Rally… vamos ver. Mas, não posso deixar de lamentar, até porque esta região tem uma ligação histórica, de há muitos anos, com o Rally de Portugal. Por isso, esta decisão é, para todos nós, lamentável”. Impacto económico
“O impacto económico que poderá ter, naturalmente, será na aquisição de alguns bens e serviços. Estou a falar da restauração, dos cafés, das lojas que vendem outro tipo de produtos e, nas mais variadas situações, a hotelaria porque [há pessoas que ficam] de um dia para o outro, outras não, mas tem sempre impacto económico. Não consigo medir em termos pecuniários, sabemos que o ACP apresenta sempre resultados do que é que representa para a nossa economia, [ou seja], o número de pessoas que passam, os gastos que eventualmente podem ter, e isso tem relevância e importância para qualquer território destes”.

Luís Paulo Costa

ARGANIL: “Foi uma informação que suscitou grande surpresa, por um lado, e, por outro lado, muita tristeza porque estávamos todos a contar com o Rally de Portugal em 2027 no nosso país e em Arganil em particular”. Impacto económico
“Como costumo dizer, quando falo dos créditos do Rally e, naturalmente, não existindo Rally isso tem consequência exatamente do mesmo nível, há três aspetos fundamentais em que o Rally impacta o nosso concelho. Primeiro, e eventualmente aquilo que será mais visível (…) do ponto de vista material, tem a ver com a dinamização das atividades económicas locais, [portanto], do alojamento, da restauração, de todas aquelas que estão relacionadas e, naturalmente, aí há um impacto negativo.
Há depois tudo aquilo que tem a ver com o próprio circo do Rally que, regra geral, não se cinge (…) ao dia da prova, mas acaba por envolver equipas e especialistas algumas semanas antes [do início da competição], que vinham para o território e também contribuíam, diretamente, para a economia local.
E há depois um outro aspeto, que é aquele que, do ponto de vista da mensuração monetária tem mais impacto, embora nem sempre seja percebido por algumas pessoas, mas é o impacto mediático que uma prova com estas características tem a nível mundial. Essa enorme campanha publicitária, de que a Arganil e o país beneficiam (…) não a vamos ter em 2027”.
“Em termos de visibilidade para o concelho e para o país porque Portugal perde, de facto, esta grande janela de visibilidade mundial. Recordo que há momentos, ou intervalos temporais, em que a transmissão do Rally está a acontecer, em direto, em 140 países. Portanto, o impacto mediático, do ponto de vista internacional, é brutal. Temos noção clara que esse impacto acaba por se repercutir, depois, naquilo que é o nível de visitação e de procura do território ao longo do ano. Não temos dúvidas nenhumas em relação a isso”.