
Oliveira do Hospital comemorou, no dia 7 de outubro, na Casa da Cultura César Oliveira, o Dia do Município. A construção do troço do IC6, entre Candosa (Tábua) e Folhadosa (Seia), foi o grande tema da sessão solene, na presença do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território. Silvério Regalado anunciou que o “estudo de impacte ambiental” será entregue em “novembro” e o “lançamento do concurso de empreitada” deverá acontecer no “segundo trimestre de 2027”, num “investimento estimado de 175 milhões de euros”.
“Há um constrangimento estrutural que continua a condicionar o nosso desenvolvimento”, começou por mencionar José Francisco Rolo, presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. De acordo com o próprio, o “caminho de modernização” da cidade “ficará sempre incompleto, enquanto não forem concretizadas as acessibilidades rodoviárias” que esta “necessita”, nomeadamente a conclusão do “itinerário complementar número 6” (IC6). O autarca enfatizou que se trata de uma “infraestrutura há muito reivindicada pelas populações”, sendo “fundamental para melhorar a ligação” do município oliveirense a “outros territórios”, para “reduzir distâncias”, “reforçar a competitividade das empresas” do concelho e “garantir rapidez no acesso aos cuidados de saúde especializados”.
José Francisco Rolo, dirigindo-se ao secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, solicitou ao “Governo de Portugal” que “assuma o seu compromisso e continue a dar passos concretos para a concretização desta infraestrutura”, reforçando que as populações “esperam” por esta obra há “30 anos”. “Oliveira do Hospital não pede privilégios, pede condições para se desenvolver, competir e contribuir, em igualdade de circunstâncias, para o crescimento do país”, reforçou.
Na resposta à intervenção do presidente da Câmara relativa à conclusão do IC6, Silvério Regalado revelou que o “projeto de execução está em curso” e a “entrega do processo de avaliação de impacte ambiental está prevista para novembro”. Quanto ao “lançamento do concurso de empreitada”, o representante do Governo afirmou que se encontra “previsto para o segundo trimestre de 2027”, num “investimento estimado de 175 milhões de euros”.
“Não há coesão territorial sem boas acessibilidades”, reconheceu o secretário de Estado, embora tenha alertado que uma “obra desta dimensão não se faz num dia”. Silvério Regalado sublinhou que o “Governo conhece a importância desta ligação entre [o nó de] Tábua e [o nó de] Folhadosa [Seia]”, designadamente para “aproximar empresas, trabalhadores e famílias dos grandes eixos rodoviários” e, desta forma, aumentar a “atratividade da região”.
O vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra, Luís Paulo Costa, realçou que a “conclusão do IC6 não é apenas uma aspiração de Oliveira do Hospital”, considerando tratar-se de uma “necessidade regional”. Segundo o representante da CIM Região de Coimbra, que também desempenha funções enquanto presidente da Câmara de Arganil, a infraestrutura em causa é uma “condição para aumentar a competitividade das empresas”, além de contribuir para “facilitar a mobilidade das pessoas, aproximar os territórios e reforçar a igualdade de oportunidades”.
“Quem vive no interior não pode ter menos oportunidades. Quem investe no interior não pode enfrentar mais obstáculos. Quem escolhe construir o seu futuro no interior merece as mesmas condições de desenvolvimento”, declarou Luís Paulo Costa. O autarca enfatizou ainda que a “Região Metropolitana de Coimbra continuará a defender soluções que reforcem a mobilidade, a conectividade e a coesão do território”, estando “disponível para construir pontes de diálogo, promover consensos e defender aquilo que é justo para os municípios” que integram esta CIM.
Educação esteve em destaque na cerimónia
Luísa Correia, vereadora na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, apontou que “celebrar uma terra é também pensar no futuro que se quer construir”. Na perspetiva da responsável pelo pelouro da Educação e Formação, o ensino é uma “área que tem estado no centro das prioridades” deste município, sendo uma “escolha política” que se tem “traduzido em investimento nas escolas” do concelho. A autarca salientou os investimentos que têm sido realizados na “melhoria dos edifícios” e na “requalificação dos espaços” escolares, com o intuito de assegurar “condições de aprendizagem” adequadas, “conforto e segurança”, quer aos “alunos”, como aos “profissionais da Educação”.
“Oliveira do Hospital tem um território educativo de qualidade”, declarou Luísa Correia, acrescentando que proporciona uma oferta pedagógica do “pré-escolar até ao ensino superior, incluindo a formação ao nível de mestrado”. Segundo a vereadora, encontram-se inscritos “3200” alunos nos estabelecimentos de ensino que integram o concelho, “300” dos quais de “origem estrangeira e, aproximadamente, de 40 nacionalidades diferentes”. No seu entender, esta “diversidade” constitui uma “riqueza extraordinária” para o concelho, ainda que configure também uma “responsabilidade” acrescida, em particular no que respeita à necessidade de “garantir uma escola onde todos são acolhidos, respeitados e tenham as mesmas oportunidades”.
Ainda sobre a Educação, Francisco Rolo adicionou que o “investimento público” nesta área significa “criar oportunidades, combater desigualdades, preparar os jovens para o mercado de trabalho e garantir que cada criança, independentemente da sua origem ou da condição económica da sua família, pode desenvolver as suas capacidades e concretizar os seus sonhos”. Segundo o presidente da Câmara, o município oliveirense investe “cerca de 5,5 milhões de euros” neste setor, com o objetivo de “criar condições” para que a juventude “possa estudar, qualificar-se e encontrar oportunidades no seu território”, contribuindo também para atrair alunos de “outros pontos do país”.
O autarca saudou a “abertura, neste ano letivo, da nova residência de estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital”, considerando-a um “equipamento importante para reforçar a capacidade de acolhimento dos estudantes do ensino superior”. Luísa Correia recordou, por outro lado, a alocação de “60 mil euros em bolsas de estudo para alunos do ensino superior”, definida este ano, com o intuito de promover a “igualdade de oportunidades” entre os jovens. Já no âmbito do ensino obrigatório, a vereadora socialista destacou o investimento de “cerca de três milhões de euros” em “dois Centros Tecnológicos Especializados”, um na “área da informática”, instalado na “Eptoliva”, e outro no âmbito das “Energias Renováveis”, no “Agrupamento de Escolas” deste concelho.
“Oliveira do Hospital tem razões para olhar para o futuro com confiança”
No entendimento de José Francisco Rolo, “Oliveira do Hospital tem razões para olhar para o futuro com confiança”, dado que possui “capacidade de atração de novos residentes, captação de investimentos e concretização de projetos estruturantes para o seu desenvolvimento”. O autarca acrescentou que o município oliveirense foi o “quarto concelho, da região de Coimbra, com maior volume de verbas captadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência”, correspondendo a “cerca de 60 milhões de euros”. Estes “recursos” financeiros, continuou, são essenciais para “modernizar equipamentos, qualificar serviços, reforçar a competitividade da economia e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”.
“Oliveira do Hospital tem uma forte identidade empresarial e industrial”, enfatizou o presidente da Câmara, tendo sido “construída” por várias “gerações de empresários, trabalhadores e famílias que acreditam nesta terra”. Em alguns casos, apesar de enfrentarem “condições difíceis”, decidiram “criar empresas, postos de trabalho e oportunidades” no concelho. “Herança que deve ser preservada e valorizada, mas também renovada”, adicionou, sublinhando que é necessário continuar a “produzir, inovar, criar emprego e atrair investimento” para promover uma “economia mais competitiva e preparada para o futuro”.
Francisco Rolo enalteceu ainda os projetos premiados no âmbito do concurso “Empreender + Oliveira do Hospital”, os cidadãos e entidades galardoados com a Medalha de Mérito Municipal, bem como os estudantes distinguidos por se destacarem no ano letivo 2025/2026 (ver caixa).
José Carlos Alexandrino, presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, começou por afirmar que o feriado municipal “é, sobretudo, um momento de encontro, memória e identidade”. A 7 de outubro, prosseguiu, recorda-se a “história” do município, “aqueles que partiram” e o “contributo de homens e mulheres que, ao longo dos anos, construíram” esta cidade. Por outro lado, trata-se de um “dia de reconhecimento” a todos os que integram o quotidiano desta localidade, “desempenhando um trabalho que, muitas vezes, não se vê e não é enaltecido”, mas contribui para que Oliveira do Hospital seja um “concelho melhor”.
“Um concelho com futuro sabe respeitar o seu passado”, declarou José Carlos Alexandrino, recordando que o feriado passou a ser celebrado, a partir de 1910, a “7 de outubro”, data em que foi proclamada a República neste município. Portanto, dois dias depois de José Relvas ter subido à varanda da Câmara Municipal de Lisboa para anunciar o fim do regime monárquico em Portugal. Silvério Regalado, por sua vez, também aludiu a este facto histórico, realçando que o “7 de outubro tem um significado muito próprio” nesta cidade. Segundo o secretário de Estado, “mais de um século depois” de ter sido implantada a República no país, esta “continua a ser uma data para afirmar a comunidade” oliveirense, “lembrar a sua história” e “olhar para o futuro”.
O representante do Governo português, à semelhança de outros autarcas que discursaram na sessão solene, sublinhou que este ano se assinalam os “50 anos do poder local democrático”. Silvério Regalado apelou aos cidadãos em idade adulta que “transmitam” aos “mais novos” a relevância desta conquista, nomeadamente no que respeita à evolução que os “territórios” sofreram durante estas cinco décadas. “Se há frase que não gosto de ouvir é: ‘estamos pior do que há 50 anos’. Não é verdade (…) e não é justo para todos aqueles que representaram as nossas freguesias”, defendeu.
Pedro Cunha – Estagiário

