ARGANIL: CELEBRAÇÕES DA SEMANA SANTA – Procissão dos Passos voltou às ruas da vila quase 60 anos depois

Uma multidão de pessoas assistiu, na Praça, ao emocionante Encontro entre Cristo e a sua Mãe

Em cada ano e com mais ou menos solenidade, as celebrações da Semana Santa são momentos muito altos de religiosidade e de fé vividos por muitos milhares de pessoas um pouco por todo o país e pela região e que culminam no Domingo de Páscoa com a alegria da Ressurreição.

Em Arganil, nos passados sábado e domingo e por iniciativa do reitor, padre Lucas Pio, foi recuperada a tradição da Procissão do Senhor dos Passos, que há mais de 50 anos não se realizava na vila e onde também foram vividos momentos únicos de religiosidade e de fé pelas muitas centenas de pessoas que participaram nas cerimónias, que tiveram início no sábado, com a celebração na Eucaristia finda a qual e numa inestimável colaboração com a paróquia, a Santa Casa da Misericórdia conduziu a imagem de Cristo do “Sepulcro” da sua igreja para a igreja matriz, numa procissão nocturna onde marcaram forte presença e empenho os irmãos da instituição.

Santa Casa da Misericórdia levou a imagem da Nossa Senhora das Dores até ao momento alto e emocionante do Encontro com Cristo a caminho do Calvário

No domingo, novamente a Santa Casa da Misericórdia levou a imagem da Nossa Senhora das Dores até ao momento alto e emocionante do Encontro, na Praça, com o Senhor dos Passos, percorrendo depois algumas das Estações da Via Sacra (gentilmente cedidas pelo presidente da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva) pelas ruas da vila até ao Calvário (magnificamente encenado no altar mor da igreja matriz) e regressando, ao final da tarde, com a imagem de Cristo descido da Cruz ao “Sepulcro”.

Mas além desta colaboração e destes momentos protagonizados pela Misericórdia, outros momentos e outras colaborações tornaram possível o retomar desta tradição da Procissão do Senhor dos Passos, com os Bombeiros a transportarem o seu andor; a Filarmónica conferindo-lhe ainda mais brilho na sua passagem pelas ruas da nossa vila; os escuteiros; as Irmandades e representações das capelas e das paróquias do baixo concelho; a Verónica, mulher que, no caminho para o Calvário, enxugou o rosto de Cristo; as três Marias; o Anjo do Cálice e os Anjos; Nossa Senhora; o povo.

E toda esta encenação, todos estes Passos de Cristo a caminho do Calvário, foram devidamente explicados pelo orador sagrado, padre Orlando Henriques, nos sermões em cada uma das Estações da Via Sacra e particularmente no comovente Sermão do Encontro de Jesus com sua Mãe Dolorosa, a “Senhora das Dores” ou “Senhora da Soledade”, que não deixou de tocar os corações das muitas centenas de fiéis que, de longe e de perto, vieram participar nas cerimónias que antecederam a Semana Santa.

Por tudo isto, não pode deixar de ser exaltado e reconhecido todo o grande trabalho dos muitos voluntários que tornaram possível o retomar da tradição, que permitiu voltar a viver não só momentos de fé e de esperança, mas também a fazer pensar que, como alguém disse, “a Cruz que Jesus carregou até ao Calvário é bem mais pesada que as dificuldades que nos vão aparecendo no caminho”.

E tantas, tantas são e a todos os níveis essas dificuldades, como tantos foram aqueles que tornaram possível a Procissão do Senhor dos Passos, que culminou no Silêncio, na igreja da Misericórdia, onde o reitor agradeceu aos irmãos da instituição pela colaboração e o provedor António Carvalhais da Costa deixou também os agradecimentos ao padre Lucas Pio pelo retomar desta tradição.

E muitos, muitos mais agradecimentos foram deixados, porque após mais de 50 anos, “emocionante é o sentimento que emerge do regresso da Procissão do Senhor dos Passos a Arganil”. E por isso e para isso e fazendo nossas as palavras de alguém, “as nossas felicitações a todos os que tiveram a coragem de reeditar esta que foi de facto uma grande e emocionante manifestação de fé”.