
A Associação de Combatentes do Concelho de Tábua encerrou no passado dia 5 de Outubro, o périplo de tributo aos tabuenses que tombaram na Guerra Ultramarina entre 1960-1974, nas antigas províncias portuguesas, sobretudo na Guiné, Angola e Moçambique.
Tratou-se da derradeira homenagem que desde a primeira hora, recorde-se, pretendeu perpetuar, na sede de cada freguesia do concelho (15 ao todo) (…) «a memória dos bravos e heróicos tabuenses caídos além-mar, na defesa do solo de pátria», como fez questão de sublinhar Abílio Rodrigues, combatente e fundador da Associação.
À semelhança do ano passado, a cerimónia evocativa teve início junto do Monumento aos Combatentes, onde, para além de terem sido depostas coroas de flores, foi observado um minuto de silêncio e foram “chamados” (um a um), os 21 militares falecidos entre 4 de Fevereiro de 1961 e 25 de Abril de 1974 (13 anos, 2 meses e 3 semanas) período em que durou o “conflito”, tendo como resposta um arrepiante “PRESENTE!” gritado pelos combatentes e familiares presentes. (ver caixa)
No uso da palavra, o vice-presidente da Câmara Municipal começou por felicitar a Associação de Combatentes (…) «pela iniciativa, pela persistência, pela resiliência em manter viva esta cerimónia que enaltece efectivamente os bravos, os 21 bravos que tombaram em serviço».
Dirigindo-se aos presentes, nomeadamente aos familiares dos combatentes, ao presidente da Junta de Freguesia de Tábua, Francisco Pais; ao presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Oliveirinha (Vítor Melo); ao presidente da Assembleia Municipal de Tábua, Nuno Tavares, e aos representantes da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar (Tondela), Associação dos Combatentes do Ultramar Português (Castelo de Paiva) Núcleo de Tábua da Liga dos Combatentes, Associação de Combatentes Beirões (Mangualde), Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, Associação de Combatentes de Pampilhosa da Serra, Associação de Combatentes do Concelho de Góis e Associação de Combatentes do Ultramar (Vila do Conde), o autarca, reconheceu que (…) «as nossas palavras serão poucas para elevar o sentido de missão e por tudo o que vocês passaram», reconhecendo que história não pode ser esquecida e que (…) «é importante passar aos mais novos», elogiando a este propósito (…) «todas as iniciativas que têm feito», tanto a Associação de Combatentes como, mais recentemente, o Núcleo de Tábua da Liga dos Combatentes.
«O município de Tábua estará sempre presente nas vossas iniciativas, porque só assim é que estes valores se conseguem cultivar e passar aos mais novos. Esta defesa, a missão que é em defesa da nossa Pátria», assumiu António Oliveira.
Após este primeiro momento, os presentes participaram na eucaristia dominical e de sufrágio aos Combatentes, dirigindo-se depois ao cemitério municipal onde foram também deixadas duas coroas de flores.
Este ano, a freguesia em foco foi a de Tábua, e uma vez mais foram homenageados os três tabuenses tombados além-mar naturais da freguesia, tendo sido descerrada uma lápide à entrada do edifício da Junta de Freguesia com os nomes de Carlos Alberto Costa, Mário Andrade Constantino e João Paulo Alves Antunes (…) «sem esquecer todos os combatentes do concelho», salientou Abílio Rodrigues.
«É para nós um enorme orgulho fazer parte deste roteiro que se iniciou há onze anos», começou por referir o presidente da Junta de Freguesia após o descerramento da placa alusiva, e que representa (…) «uma justa homenagem a todos aqueles que a combateram (Guerra Colonial). Uns infelizmente ficaram, outros não regressaram nas melhores condições, mas vocês regressaram e representam essa grande moldura humana que combateu em apresentação do nosso país».
Francisco Pais, emocionado, evocou a memória de seu – António Monteiro Pais, falecido recentemente – que combateu em Angola. «Contou-me muitas histórias que se passaram por lá, e sinto um orgulho enorme por ele também ter pertencido à vossa família. Eu também me sinto um bocadinho nesse campo», concluiu.
Nunca é de mais recordar os valorosos e bravos tabuenses que faleceram no decurso da Guerra do Ultramar, ou como emocionado proferiu Abílio Rodrigues…
… «Houve um tempo em que jovens portugueses, ainda com sonhos por viver e famílias por abraçar, partiram sem hesitar para terras longínquas, chamos por um dever maior: defender Portugal além-mar. deixaram para trás mães em lágrimas, namoradas de coração apertado, filhos pequenos – que talvez nunca mais veriam – para vestir a farda e honrar a Pátria. Lutarem em matas densas, em climas duros, com o medo nos olhos, mas com a coragem no peito. Muitos tombaram, muitos ficaram feridos para sempre – no corpo e na alma. Morreram por ideal, por um país que acreditavam ser eterno, por uma entidade que julgavam sagrada.
E hoje? Hoje querem apagar essa memoria. Querem reescrever a História como se esses homens e mulheres fossem meros peões de um jogo político. Como se a sua entrega, a sua dor e o seu sangue fossem apenas notas de rodapé num livro esquecido.
O patriotismo português não nasceu de discursos bonitos. Nasceu do sacrifício, nasceu do sangue derramado por Portugal. Mas neste tempo moderno, onde tudo se relativiza, onde a Pátria parece ser uma palavra ultrapassada, os nossos combatentes da Guerra do Ultramar são esquecidos. Pior: são desrespeitados.
Os seus nomes desapareceram das praças, os seus feitos são ignorados nas escolas, as suas memórias apagadas dos jornais. Mas nós não os esquecemos.
Nós sabemos que a Liberdade que hoje temos – mesmo que maltratada – foi construída com os corpos desses homens. Sabemos que Portugal só existe porque houve quem o amasse até ao último suspiro. Sabemos que o patriotismo não se aprende em livros, nem se ensina em cartazes de campanha. Vive-se, defende-se, e, se for preciso, morre-se por ele.
Aos combatentes da Guerra do Ultramar: a vossa honra vive em nós. Mesmo que o tempo tente apagar-vos, seremos memória viva da vossa coragem.
Portugal não se constrói com vergonha. Constrói-se com verdade, respeito e gratidão. E, enquanto houver um português de verdade, vocês jamais serão esquecidos. Viva os combatentes. Viva Portugal».

