
A Sociedade de Recreio Filarmónica Avoense realizou, nos dias 19 e 20 de setembro, um intercâmbio artístico-cultural com a banda “Agrupación Musical Nuestra Señora de los Remedios”. O grupo avoense deslocou-se ao município espanhol de Pliego, na província de Múrcia.
Segundo o presidente da Filarmónica Avoense, Bruno Santos, a banda levou uma “comitiva de 35 músicos” a Pliego, que foi acompanhada pelo “presidente da Junta, Manuel Pimentel”. Partiram de Avô na noite de “18 de setembro” e chegaram ao município espanhol na manhã do dia seguinte, por volta das “9:00” (hora local), depois de percorrem quase 900 quilómetros de autocarro. “A viagem fez-se com grande animação, puxada sobretudo pelos elementos mais novos da banda”, realçou, acrescentando que, “muitos deles, tocaram pela primeira vez fora de Portugal”.
“Quando lá chegámos já estavam à nossa espera e fomos muito bem recebidos”, salientou o dirigente da associação, explicando que os elementos da banda anfitriã estiveram “sempre com um sorriso na cara” durante os dois dias. “Primeiro contacto que deixou, desde logo, o tom de todo o fim de semana”, reforçou Bruno Santos. Depois de saírem do autocarro, os membros da “Agrupación Musical Nuestra Señora de los Remedios” encaminharam os visitantes para a sua sede, onde permaneceram até se deslocarem ao “Ayuntamiento de Pliego” (órgão do governo local que desempenha um papel comparável ao das Câmara Municipais) para a “receção oficial”.
O grupo foi recebido pelo alcaide (presidente da Câmara) do município, Antonio Huéscar Pérez, e pelo presidente da banda anfitriã, Gregorio Andújar Díaz. “Houve troca de lembranças entre as duas coletividades, incluindo a que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital fez chegar ao Ayuntamiento de Pliego”, revelou Bruno Santos à A COMARCA. “A passagem de Avô” por esta localidade ficou gravada no respetivo “livro de honra do município”, que foi “assinado” pelo presidente da Junta de Freguesia avoense, Manuel Pimentel.
Ainda durante a receção oficial, o presidente da Filarmónica portuguesa sublinhou a “importância destes encontros para uma banda de aldeia, que ensaia quase sempre entre as mesmas paredes e toca quase sempre para as mesmas pessoas”. Bruno Santos explicou ao público presente na cerimónia que “Avô”, apesar de possuir “menos de quinhentos habitantes”, dispõe também de um “rancho folclórico, uma tuna, um grupo de concertinas e um coral”.
Após serem recebidos, os dois grupos realizaram um “ensaio conjunto”, configurando o “primeiro grande momento de confraternização” entre as duas organizações musicais. Os músicos trocaram “impressões sobre instrumentos, repertório e o modo como cada banda trabalha”. O conjunto espanhol “ofereceu” o almoço à Filarmónica Avoense e, durante a tarde, trocaram “músicas e danças” de ambos os países. “Os [elementos] mais novos”, apontou Bruno Santos, também quebraram as barreiras linguísticas, “partilhando conhecimentos” entre si.
Ainda no sábado (19), ao final do dia, “sob a direção do maestro Luís Ricardo Gonçalves”, os músicos avoenses subiram ao “palco do auditório [ao ar livre] de Pliego”. Segundo o dirigente da filarmónica portuguesa, atuaram “perante uma sala cheia” e procuraram “mostrar ao público espanhol três registos diferentes da música portuguesa”: começaram com a “música ligeira”, tocando canções de “Carlos Paião”, seguindo-se o “cantar popular alentejano” e as “festas de rua, com um tema das Marchas Populares de Lisboa”. A fechar, os dois grupos realizaram uma “atuação conjunta” que, segundo Bruno Santos, demonstrou que a “música se entende sem tradução”, ou seja, as “duas formações” sentaram-se “diante da mesma partitura” e “tocaram” a mesma composição musical. Terminado o espetáculo, a “noite prolongou-se num jantar-convívio entre as duas instituições, com música e dança até de madrugada”.
No domingo (20), a manhã arrancou com uma visita ao município espanhol. “Guiada pelos anfitriões”, explicou Bruno Santos, a comitiva avoense percorreu os “principais pontos de interesse da vila” e conheceu a “história” daquela “povoação de origem árabe”. Estiveram no “Castelo de Pliego”, na “Igreja Paroquial de Santiago Apóstol” e descobriram quais são as “festividades e os padroeiros” desta localidade, “com destaque para a Virgem dos Remédios (…) que dá nome à banda anfitriã”. Por fim, os músicos portugueses foram informados sobre como se “vive” e “organiza” a “Semana Santa em Pliego”, ficando a par das “tradições” desta comunidade que, segundo o dirigente da Filarmónica Avoense, são “diferentes” da realidade “portuguesa”.
Terminada a visita, a banda local “preparou um almoço” que serviu para “novas trocas de lembranças e muitas promessas de reencontro”, salientou Bruno Santos. “Apesar de terem sido poucos dias, a cumplicidade criada entre os músicos das duas bandas foi evidente”, realçou, explicando que a “despedida” foi o momento “mais marcante” desta deslocação. “Foram várias as pessoas, de um lado e do outro, que não conseguiram conter as lágrimas”, apontou o presidente da filarmónica, contando que a banda espanhola fez um “corredor, semelhante ao que acontece no futebol, para se despedirem” deles.
Os músicos portugueses arrancaram de Pliego ao início da tarde, chegando a Avô depois das “quatro da manhã de segunda-feira (21)”. Bruno Santos apontou que o “balanço” final é “claro”, uma vez que o “intercâmbio deixou laços entre duas coletividades e, sobretudo, um estímulo para os músicos mais jovens”, atendendo que usufruíram da “oportunidade de tocar fora do país, conhecendo outra banda e outra realidade” artístico-cultural.
“No próximo ano, será a filarmónica de Pliego a deslocar-se a Avô”, adiantou o responsável. Provavelmente, no fim de semana de 14 e 15 de agosto, para estarem presentes no dia de aniversário (15) da banda portuguesa. Esta foi a primeira deslocação da Filarmónica Avoense ao estrangeiro, desde 2002. Aconteceu no ano em que esta celebra 160 anos de vida, sendo a coletividade mais antiga da vila de Avô.
Francisco Mota foi o principal responsável por este intercâmbio
“A iniciativa nasceu de Francisco Mota, antigo executante da Filarmónica Avoense que, depois de se fixar em Espanha, passou a tocar na banda de Pliego”, revelou Bruno Santos. Francisco tem “pouco mais de trinta anos” e partiu dele a “proposta deste intercâmbio”, estabelecendo a “ponte entre as duas coletividades” e “acompanhando de perto a preparação da visita”. Na perspetiva do dirigente da filarmónica portuguesa, o percurso de “Francisco Mota” demonstra que a “música acompanha quem a leva consigo, seja em que país for”.
“Os músicos não pagaram nada” neste intercâmbio, realçou o entrevistado, acrescentando que os custos foram assumidos pela Filarmónica. “A única despesa” que a banda teve, prosseguiu, esteve relacionada com o “pagamento do autocarro”, mas a “Câmara Municipal de Oliveira do Hospital” assegurou ao dirigente que vai “apoiar” a associação a suportar este custo. Já no que respeita à “estadia” e à “alimentação”, foram oferecidas pela “Agrupación Musical Nuestra Señora de los Remedios”, de Pliego.
“Correu tudo lindamente”, concluiu Bruno Santos, adiantando que as trocas de experiências com outras bandas, nacionais e estrangeiras, “são para manter” no futuro.

