
No passado dia 29 de Maio, a União de Freguesias de Cepos e Teixeira, realizou uma sessão pública de apresentação à comunidade da primeira proposta de revitalização dos antigos lavadouros da aldeia de Cepos, integrada no projeto “Guardiãs das Águas” (que foi distinguido pela Comissão Europeia com o prémio New European Bauhaus para territórios de baixa densidade, no valor de 30 mil euros) e que teve também por finalidade a partilha de ideias, contributos e perspetivas sobre o futuro deste espaço que tem um forte significado para a população local.
Integrando uma estratégia de valorização do património local que alia memória, participação comunitária, sustentabilidade e adaptação às alterações climáticas, os lavadouros dos Cepos são atualmente constituídos por oito tanques de lavagem, tendo sido decidido no âmbito do referido processo participativo, manter quatro tanques em utilização para as suas funções tradicionais de lavagem, enquanto os outros quatro tanques serão reconvertidos em jardins aquáticos de tratamento natural, destinados à filtração e depuração das águas provenientes das lavagens. O projecto terá ainda um terraço para secagem de roupa e valorizará a água armazenada como recurso de apoio ao combate aos incêndios rurais.
Esta solução, além de contribuir para melhoria da qualidade da água contribuirá, de igual modo, para a “criação de habitats húmidos favoráveis à instalação de insetos polinizadores, anfíbios e outras espécies, promovendo a biodiversidade e a valorização ecológica do espaço”, como considerou a botânica Sílvia Martins, que orientou a construção de pequenos vasos representativos de ecossistemas aquáticos, permitindo dar a conhecer as plantas e soluções naturais que estarão na base do futuro jardim de água a instalar no lavadouro.
E através da construção de pequenos vasos representativos de ecossistemas aquáticos, os participantes ficaram a conhecer as plantas e o funcionamento do futuro jardim aquático que integrará o projeto de revitalização do lavadouro, considerando ainda Sílvia Martins que esta iniciativa “procurou não só partilhar com a comunidade os desenvolvimentos do projeto, mas também promover ações de sensibilização e capacitação em contextos de vulnerabilidade hídrica e incêndios rurais”, evidenciando ainda que o projeto é inspirado “no papel histórico das mulheres na gestão comunitária da água”, procurando transformar este espaço “num local de encontro, aprendizagem, valorização ambiental e reforço da resiliência territorial”.
O secretário da União de Freguesias de Cepos e Teixeira, José Costa (a presidente não conseguiu estar presente por motivos de agenda), com a arquiteta responsável pelo projeto não deixaram de recordar também que o projeto teve o reconhecimento por parte da Comissão Europeia “porque trazia a parte da beleza e do engajamento com a comunidade e que pode ser replicável. A nossa ideia, se tudo correr bem, é poder reutilizar estas infraestruturas que já estão um bocadinho em desuso e reapropriá-las para outro tipo de uso, tal como estes ambientes aquáticos que têm tanta importância para a biodiversidade, mas também para a mitigação climática, proteção contra os incêndios, mas sobretudo é um espaço coletivo”.
O presidente da Câmara Municipal, Luís Paulo Costa, depois de considerar que o projeto “Guardiãs das Águas” constitui “um exemplo muito feliz da forma como é possível conciliar a preservação da memória e identidade locais com respostas inovadoras para os desafios ambientais da atualidade”, destacou que os lavadouros de Cepos “fazem parte da memória e da vivência da aldeia”, acrescentando que a intervenção prevista permitirá “preservar esse legado, ao mesmo tempo que introduz novas valências ligadas à educação ambiental, à biodiversidade e à gestão sustentável da água”.
E dando nota de que os trinta mil euros do prémio serão transferidos para os Baldios que irão assumir a execução da intervenção, Luís Paulo Costa não deixou de salientar ainda que o projecto “é uma abordagem diferente em relação ao território, que além de uma intervenção no meio natural, conta também com a participação das pessoas, tentando também tirar proveito dos equilíbrios que existem, entre os elementos que existem, mas também dos que estão presentes na Natureza”.

