D. VIRGÍLIO ANTUNES – BISPO DE COIMBRA: MENSAGEM DA PÁSCOA 2026

“Cristo Ressuscitou. Aleluia, aleluia”. A saudação pascal dos cristãos faz-se ouvir nas nossas igrejas, nas nossas ruas e nas nossas casas. O anúncio da morte e da ressurreição de Jesus ecoa de novo em cada um de nós como palavra de fé, que consola e anima na busca de um futuro feliz de esperança.

A espiritualidade cristã nasce na Páscoa de Jesus. A morte e ressurreição do Senhor é o sinal da presença do Espírito Santo, que nos dá a Vida Eterna, já experimentada no caminho terreno que percorremos e que aguarda a realização plena que Deus nos oferece na contemplação celeste.

Entre o batismo na água e no Espírito, que inaugura a vida nova da graça, e a morte no Senhor, que nos abre as portas do encontro definitivo com Deus, somos convidados a viver como filhos da luz. Neste arco de tempo e espaço, por meio da fé, manifestamos a nossa adesão a Cristo, respondemos à sua iniciativa de amor e caminhamos iluminados pelo Espírito Santo em direção à casa do Pai.

A espiritualidade cristã consiste em estar na Igreja, a comunidade do Ressuscitado, como a nossa casa, acolher a Palavra da Escritura como a revelação dos mistérios da fé, celebrar a Eucaristia como alimento do amor de Deus e assumir o mundo como o lugar da missão.

Para muitas pessoas, a linguagem proveniente da Sagrada Escritura e da Tradição Cristã pode parecer estranha e difícil de compreender. Habituámo-nos a tratar das coisas práticas da vida e a buscar respostas para as questões imediatas que nos preocupam. Torna-se, por isso, mais necessário e urgente procurar os fundamentos da fé, as razões da esperança e as origens do amor, que encontramos em Jesus Cristo.

Pode parecer supérfluo ocuparmo-nos de Deus quando temos tantos problemas humanos para resolver. Falamos das questões que afetam as pessoas, as sociedades e os povos, enunciamos concretamente a guerra, a injustiça, o pecado, a divisão, a doença física ou espiritual, a morte, na esperança de encontrar as soluções na bondade humana, no desenvolvimento, no progresso, nos apelos à boa vontade ou até no amor fraterno.

A fé leva-nos aos fundamentos da nossa peregrinação quando proclama que é no espírito de Cristo Ressuscitado que está toda a nossa vida. A ação humana é indispensável, as nossas capacidades transformadoras também, mas a superação da fronteira da nossa debilidade é obra do amor de Deus que nos liberta da morte e nos salva.

A morte e ressurreição de Jesus, a Páscoa do Senhor, constitui a passagem do que é resultado da possibilidade humana ao que é fruto da graça e do poder de Deus.

A fé na ressurreição do Senhor oferece-nos a possibilidade de conhecer mais do que agora vemos, de amar mais do que podemos, de esperar mais do que o resultado daquilo que fazemos.

A fé na ressurreição de Jesus leva-nos a entrar no amor de Deus que nos criou, nos perdoa, nos guia, nos liberta e nos salva.

A fé na ressurreição de Jesus compromete-nos totalmente com a conversão da mente e do coração, com a missão de transformação da sociedade, com a ação de edificação de um mundo bom e belo.

Irmãos e irmãs: “No espírito de Cristo está toda a nossa vida”, como proclamamos de forma solene no nosso Plano Pastoral Diocesano, porque Ele está vivo e oferece a vida a todos nós.

Em Cristo, nossa Páscoa, saúdo-vos a todos, com um abraço especial aos idosos, aos doentes, a todos os que estão em sofrimento e pedem com fé a manifestação do amor de Cristo Vivo, portadora de consolação e esperança.

Feliz e Santa Páscoa!

+ Virgílio Antunes