
No dia 7, a sessão solene do Feriado Municipal, como estava previsto, não foi presidida pela Ministra da Justiça, Rita Júdice (devido ao dia de luto nacional declarado pelo Governo a 4 de Setembro), mas contou com a presença do presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Emílio Torrão, do presidente da Assembleia Municipal de Arganil, António Cardoso, do bourgmestre de Dudelange, Dan Biancalana, e presidente da Câmara Municipal, Luís Paulo Costa.
O presidente da Assembleia Municipal deu as boas-vindas a todos os convidados e agradeceu a sua presença, enquanto o bourgmestre de Dudelange (cidade luxemburguesa geminada com Arganil há 25 anos) manifestou a sua satisfação por estar em Arganil e deixou a certeza do reforço da geminação e da amizade entre os dois Municípios, enquanto o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Emílio Torrão, começou por considerar que “Arganil é hoje um concelho diferente, mas dinâmico, empreendedor e moderno”, acrescentando ainda que “Arganil sobressaiu no aproveitamento de fundos comunitários alcançando uma das mais altas taxas de execução a nível nacional”.
E segundo Emílio Torrão, “este sucesso é resultado e uma estratégia de desenvolvimento bem definida e alinhada com as politicas de desenvolvimento regional e nacional, sempre com a sustentabilidade ambiental e social como pilares”, para deixar depois uma “palavra de solidariedade” a todos os arganilenses afectados pelos “terríveis” incêndios florestais que devastaram o concelho e a região, no mês de Agosto, e que consumiram uma área de cerca de 65 mil hectares, (…) não houve perdas humanas, mas os danos no património natural e nas nossas comunidades são muito profundos”, referindo que “Portugal tem, de uma vez por todas, resolver este problema dos incêndios. Os autarcas não podem continuar a ser os culpados, os últimos responsáveis, aqueles que dão a cara nos momentos de crise”.
“O país tem que assumir este problema de uma forma diferente, profissional, assumidamente organizada de forma central, em muitos aspectos no ordenamento do território, na prevenção, na primeira intervenção no combate aos incêndios”, disse ainda o presidente da CIM, “os autarcas não podem continuar a improvisar e a tapar o sol com a peneira. (…) Nós, no terreno, damos tudo e se calhar aquilo que às vezes não temos para dar, inventando soluções e resolvendo problemas, ou seja, improvisando”, deixando palavras de apreço para com o presidente da Câmara Municipal de Arganil. Luís Paulo Costa e para o seu executivo, agradecendo-lhes pela forma “perseverante como se tem debatido pelo desenvolvimento de Arganil, que é hoje um Município mais vibrante, que oferece uma excelente qualidade de vida e onde foi possível melhorar significativamente as condições de vida dos seus residentes”.
“O Município de Arganil não se cala, nem se resigna e a exercer pressão junto do Estado, a reivindicar respostas céleres e a defender, de formafirme, os interesses dos arganilenses”
O presidente da Câmara Municipal, depois de deixar críticas ao (mau) funcionamento de alguns organismos intermédios do Estado e a certeza que “o Município de Arganil não se cala, nem se resigna e a exercer pressão junto do Estado, a reivindicar respostas céleres e a defender, de forma firme, os interesses dos arganilenses”, referiu-se também aos incêndios, recordando que quando iniciou o seu mandato em 2017, foi desde logo “confrontado com a destruição do incêndio mais avassalador de que há memória, que consumiu 92% da nossa floresta e exigiu uma resposta urgente e incansável junto das pessoas e do território” e, volvidos oito anos, encerra o seu segundo mandato “confrontado com o incêndio que fica na história por consumir a maior área ardida de sempre”.
Um incêndio que “devastou cerca de 40% do concelho de Arganil e deixou marcas profundas na paisagem e feridas que ainda hoje avaliamos e sentimos”, referiu Luís Paulo Costa, afirmando ainda que “nunca os incêndios tiveram a dimensão que nos últimos anos se tem verificado. Só neste que nos assolou, arderam cerca de 65 mil hectares, dos quais 11.800 em Arganil. Isto não é normal, (…) o país vai ter que olhar seriamente para este problema. E tomar decisões. Na prevenção, no ordenamento, na gestão e, também, nas estratégias de combate aos fogos”.
E depois de se referir ao projecto Floresta Serra do Açor, “um verdadeiro símbolo de resiliência e de esperança”, o presidente da Câmara Municipal deu a conhecer que “infelizmente, o incêndio deste ano também não poupou a nossa esperança: cerca de 100 dos 1.000 hectares já reflorestados, com árvores jovens e autóctones, foram consumidos pelas chamas”, mas “já decidimos avançar com a reflorestação dessa área, com o mesmo empenho e convicção, porque desistir nunca poderá ser opção. Uma floresta mais resistente ao fogo, a paisagem como elemento incontornável do nosso território, a preservação dos recursos hídricos, são pressupostos inerentes a este projeto ambicioso, pensado a 40 anos, que pretende também transformar a floresta num motor de desenvolvimento, de coesão social e de futuro para Arganil”.
Um futuro que passa necessariamente por aquele que é “o maior ciclo de investimento de sempre no nosso concelho sem precedentes, que transforma vidas e que prepara Arganil para o futuro, com segurança, qualidade e oportunidades para todos”, salientou Luís Paulo Costa ao referir-se a alguns investimento que têm sido feitos no concelho, como é o caso da construção de raiz do novo Serviço de Urgência Básico e o Centro de Saúde de Arganil, da requalificação e modernização da Escola Secundária de Arganil, da reabilitação da Escola EB 2,3 Professor Mendes Ferrão, em Coja, da construção de 29 apartamentos no âmbito do Parque Público de Habitação a Custos Acessíveis, entre outros, num investimento na ordem dos 23 milhões de euros.
“Mais do que feitos individuais, celebramos o espírito de Arganil,
a dedicação e o compromisso que cada um de vós demonstra todos os dias”
Mas neste dia maior do concelho, é também o dia da gratidão, com o Município a reconhecer “pessoas, associações e empresas” e a celebrar “mais do que feitos individuais, celebramos o espírito de Arganil, a dedicação e o compromisso que cada um de vós demonstra todos os dias”, disse o presidente da Câmara Municipal, deixando votos que “estas homenagens sirvam de inspiração para todos os arganilenses, lembrando-nos que o progresso, a cultura, a ciência e a coesão social se constroem com trabalho, paixão e entrega coletiva”.

E a título póstumo, foram entregues Medalhas de Mérito em Prata Dourada, a Carlos Bernardino, natural de Chãs d’Égua, que foi um verdadeiro embaixador da Beira Serra, no Luxemburgo, promovendo a cultura e tradições do concelho junto das comunidades portuguesas naquele país, e a António Lopes Machado, natural da freguesia de Pombeiro da Beira, “figura ímpar” do Regionalismo da Beira Serra, que se destacou “pela salvaguarda da identidade cultural e pelo compromisso com as suas raízes”.
Também foi agraciada com a Medalha de Mérito em Prata Dourada, a médica e investigadora com raízes em Coja, Patrícia Costa Reis (que não pôde receber a Medalha o ano passado) e que “reconhece o impacto do seu trabalho na área da Medicina, enquanto médica pediatra e investigadora, com especial destaque para a investigação em doenças autoimunes”, sendo ainda agraciadas com o mesmo galardão três associações com 90 ou mais anos, que ainda não tinham sido reconhecidas pelo Município, nomeadamente, a União e Progresso do Barril de Alva, a União Recreativa Sarzedense e a Liga Regional Alquevense e a duas empresas que foram distinguidas como PME Líder em 2024, Construções Alfredo Rodrigues José, Lda. e a InterArganil – Supermercados, Lda.
E Amílcar Martins, falou de Carlos Bernardino, do seu amor à terra que o viu nascer e que considerou “expoente máximo de espirito de solidariedade e de usufruir da sua amizade”, recordando que “a Tuna Mouronhense foi ao Luxemburgo acompanhada pela Tuna Popular de Arganil, apadrinhada pelo nosso muito querido amigo Carlos”, que descreveu “como um exemplo de generosidade, de liderança, de sucesso e também de infinita humildade”.
A filha do saudoso director de A COMARCA, Teresa Machado, falou sobre seu saudoso pai, da sua vida e obra, dos seus livros, do seu amor e dedicação ao nosso jornal que serviu dedicadamente ao longo de mais de meio seculo e que representou “em eventos da imprensa regional em Angola, Macau e Brasil. (…) Teve uma vida longa e preenchida, mantendo-se no activo quase até ao final. (…) O meu pai cumpriu, com empenho e dedicação, o percurso que traçou para si mesmo. Quando chegamos ao fim e olhamos para trás, penso que isso é o mais importante. (…) Ficará para sempre, na memória de quem o conheceu e para as gerações futuras, como um divulgador do Regionalismo da Beira Serra, tendo dedicado a sua vida ao jornalismo local e à promoção das tradições, cultura e identidade da região, através de reportagens, crónicas, entrevistas e envolvimento associativo”.

