
Na sexta-feira, 12 de Setembro, em Góis, a ADESA – Associação de Desenvolvimento Regional da Serra do Açor realizou a cerimónia de apresentação e exposição (no Parque do Baião) de máquinas e equipamentos para beneficiação da rede viária florestal (que se insere no plano de investimentos levados a cabo pelo actual direcção) e que ficou também marcada pela comemoração dos seus 30 anos (22/3/1995-22-3-2025), ao longo dos quais e entre muitas outras funções “se dedica exclusivamente à questão da manutenção e valorização da nossa floresta e dos nossos recursos, que são a mais-valia destes territórios da Serra do Açor”, como foi salientando pelo presidente da direcção, Jorge Custódio.
E por tudo aquilo que representa o trabalho que a ADESA vem desenvolvendo e por aquilo que esteve na sua origem ao longo destes 30 anos “nos Municípios desta região e particularmente para aqueles que fazem parte da ADESA, no caso em concreto, Pampilhosa da Serra, Góis, Arganil, Penacova, Oliveira Hospital e Tábua”, o presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, depois de dar as boas-vindas e agradecer a presença das muitas entidades representadas e particularmente do Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, não deixou de se congratular “por esta cerimónia se realizar aqui, aliás a ADESA está sediada em Góis, é a partir daqui que desenvolve a sua atividade” e de considerar que “hoje estamos aqui num momento importante que é a comemoração do aniversário, mas também é um momento em que se dá a conhecer aquilo que é a ADESA, o que é que representa e os meios operacionais que a ADESA tem, que estão em exposição, e que recentemente foi tomada uma decisão da aquisição de equipamento para poder fortalecer aquilo que é o trabalho que ADESA vem fazendo”.
“Cada Município sinalizou o tipo de equipamento que necessitava em função daquilo que é a sua área. Como é de conhecimento de todos, estes Municípios são Municípios que têm uma área florestal muito grande, uma percentagem do território muito elevado, é composto por áreas florestais que necessitam de um trabalho constante e isso é uma preocupação de todos os Municípios. No caso concreto de Góis tem sido um foco nosso as intervenções na área florestal, não só naquilo que tem a ver com a prevenção, as faixas de gestão, os caminhos da aldeia, mas também as estradas florestais”, disse ainda Rui Sampaio, sem deixar de dar a conhecer a área ardida no concelho e que “o fogo obrigou-nos também a tomarmos uma decisão em função daquilo que era o momento”, o cancelamento da Concentração Mototurística, pelo que “acho que também era importante haver medidas que de alguma forma pudessem ajudar os comerciantes que adquiriram bens para poderem ajudar o Moto Clube a ter a logística suficiente para acolher todas as pessoas que aqui vêm”, deixando por isso o apelo ao Secretário de Estado “para que houvesse sensibilidade em relação a este aspecto”, terminando por deixar ainda “um muito obrigado a todos aqueles que trabalham pela ADESA, pelo trabalho que têm feito ao longo destes 30 anos”.
O presidente da ADESA (e também presidente da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra), Jorge Custódio, depois dos cumprimentos a todos os presentes e particularmente “aos nossos funcionários, aos nossos técnicos, que eles sim, é que verdadeiramente dão o músculo para que tudo possa acontecer” nos seis concelhos que, “em comum, têm muita floresta” e de considerar por isso “se nós próprios não olharmos para a nossa maior riqueza e não a soubermos cuidar, então de certeza absoluta que também não estamos a fazer o melhor caminho”, recordou que “esta Associação começou a aparecer precisamente no momento em que se percebeu que o Estado Central deixou de investir ou deixou de olhar para estes territórios florestais, como o fez durante muitos anos, como o fez com guardas florestais que tínhamos durante e em todo o território, com casas dos guardas que tínhamos habitadas, com engenheiros florestais que andavam verdadeiramente a fazer o serviço público, mas também de auxílio aos privados” e, por isso e tentando “ocupar um espaço que estava a ficar vazio e que era tanto, (…) durante estes 30 anos a ADESA foi-se capacitando, foi criando e foi comprando equipamentos precisamente para tentar fazer este investimento na floresta para mantermos o que de melhor temos”.
E depois de recordar os momentos difíceis com os recentes incêndios, “passámos, mais uma vez, por um momento de Verão com incêndios significativos” que “acontecem cada vez com uma periodicidade mais pequena”, Jorge Custódio disse ainda que “não posso deixar de o referir que um dos problemas que, na minha ótica, tem de maior preocupação para este território é precisamente a dificuldade que todos nós temos em segurar empresas, em fixar pessoas e em ter gente no território, (…) o maior problema que continua a existir, relativamente aos incêndios”, porque “se tivéssemos mais empresas, tínhamos seguramente mais pessoas e se tivéssemos mais pessoas tínhamos, seguramente, mais vigilância, mais fiscalização e mais actividade económica nas nossas florestas”.
“Eu estarei disponível para, neste território da ADESA, nestes seis Municípios, podermos fazer, quiçá, um projeto piloto onde o Governo faça claramente uma diferença fiscal para fixar empresas, diferença fiscal positiva, obviamente para tentar fixar empresas. E depois, ao fim de cinco anos, mediremos se de facto esse impacto ou esses benefícios fiscais que foram trazidos por esse território se teve ou não teve implicação nos anos seguintes”, disse o presidente da ADESA, sem deixar de salientar o seu papel ao longo de 30 anos, “quando estamos aflitos é no nome da ADESA que se chama e é pelas máquinas e pelos equipamentos que a ADESA tem que se chama”, deixando mais uma vez o reconhecimento aos seus funcionários que “mesmo à meia-noite ou às duas da manhã, se receberem uma chamada arrancarem com as máquinas e, mesmo sem conhecerem o território onde vão, arriscarem a vida deles para tentarem ajudar. E é desta massa que é feita a ADESA, com estes equipamentos, com estes homens”.
E depois de dar a conhecer esses equipamentos e a necessidade da sua renovação, “esta Associação precisa muito de continuar a funcionar e a funcionar bem”, mas para isso “é necessário haver aqui uma ajuda”, como referiu Jorge Custódio, uma vez que “este esforço que nós, associados, vamos fazendo já não é suficiente. (…) Os equipamentos que a ADESA tem já vão tendo muitos anos de utilização” e “muitos gastos de manutenção”, sublinhando que para efectuar este investimento recente “tivemos de nos endividar”, sem deixar de referir que “precisamos de renovar este parque de máquinas”, terminando por deixar o apelo ao Secretário de Estado “se temos ou não temos coragem para mexer e tem a ver com a propriedade”, porque “não faz sentido estarmos a falar em planeamento florestal, não faz sentido estarmos a falar em redes primárias, em mosaicos florestais, em pontos de água se não tivermos de uma vez por todas resolvida a questão da propriedade. (…) Ou vamos lá à força, ou não conseguimos fazer mais nada. E no que diz respeito à propriedade, tem mesmo que ser à força. (…) Aqui não há ilhas. E nestes territórios ainda mais. Todos precisamos de todos. E todos nós somos elementos, na verdade, da Proteção Civil, mas somos sobretudo pessoas que gostamos muito da nossa serra, do nosso sítio, de onde vivemos e queremos o melhor para ela e é isso que hoje aqui também estamos a assinalar”.
E depois das palavras do secretário executivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Jorge Brito, a destacar “o papel que a ADESA tem no território”, congratulando-se com a parceria que tem sido estabelecida com esta Associação, o Secretário de Estado das Florestas destacou também o seu papel e deixou a garantia que “o Governo fará tudo aquilo que é possível, para poder minimizar os impactos destes episódios e este, em concreto, (…) se não houvesse a limpeza de caminhos, equipamento, operacionais, esta dinâmica, concertação, seria muito mais gravoso”, agradecendo também à CCDR pelas “respostas” dadas no que concerne ao apoio aos lesados destes incêndios, referindo que “o que nos preocupa é o impacto da estabilização de emergência”, já que “estamos numa zona de serra, com grande inclinação”, deixando o compromisso que “esta estabilização está a ser feita, para fazer contenções de obstruções”, adiantando ainda que “como a área ronda próximo dos 260 mil hectares no país, nestes incêndios, há necessidade de fazer os relatórios e, na próxima semana, teremos os relatórios para haver contratos-programa” e informando que também está “a ser pensada” a questão da fauna selvagem.
“Este Governo tomou a iniciativa, ainda no ano anterior (em Setembro de 2024), de apresentar um plano de ação para agir, executar, estrutural para o país, com uma dimensão de longo prazo”, disse Rui Ladeira, esclarecendo que trata-se de “um plano estratégico” que permite “preparar o país, em várias dimensões para estes desafios e preocupações de criar rendimento, mais resiliência, resolver problemas estruturais, como a propriedade e fazer mais e melhor num curto espaço de tempo”, acrescentando que “definimos um plano de intervenção para a floresta para 25 anos (2025-2050), com quatro áreas estruturais: valorização, resiliência, propriedade e governança” e que “tivemos o cuidado de procurar não perder fundos no âmbito do PRR e lançámos vários procedimentos para a aquisição e reforço do parque de máquinas das CIM (…), para arranjar os caminhos florestais e infraestruturas necessárias”. Para além disso, será dada a oportunidade a “todos os Municípios que têm também o plano municipal de defesa da floresta contra incêndios de terem um tractor com um braço, para poderem fazer as faixas de gestão de combustível e toda esta gestão” e que “este equipamento será entregue durante o último trimestre do ano, eventualmente, no primeiro trimestre de 2026. (…) Vamos substituir todos os equipamentos moto manuais das equipas de Sapadores Florestais do país”, terminando por referir que “o plano de intervenção para a floresta vai ser discutido, na próxima semana, na Assembleia da República” e por dar a conhecer que “já estamos com 30 medidas que estão em desenvolvimento”, num total de “150 ações”, que representam “50 milhões de euros de investimento, no âmbito do PRR”.
A cerimónia terminou no Parque de Lazer do Baião, com uma visita à exposição de máquinas e equipamentos da ADESA, 24 dos quais adquiridos recentemente num investimento total de um milhão e cem mil euros.

