
Na passada quinta-feira, na Praia Fluvial da Peneda, em Góis, realizou-se a apresentação pública do projecto europeu LIFE LUDWIGIA, que tem como objectivo contribuir para a protecção e recuperação dos ecossistemas aquáticos, através da prevenção, detecção precoce e controlo de espécies exóticas invasoras (como é o caso da ludwigia) e que está a ser desenvolvido e coordenado pela Região Metropolitana de Coimbra, à qual se juntam os 19 Municípios que a integram.
Contando com um investimento global de 2,61 milhões de euros, sendo cofinanciado com 1,56 milhões de euros do Programa Life da União Europeia, este foi o único projecto português aprovado na convocatória LIFE 2025 no domínio Natureza e Biodiversidade visando, ao longo dos próximos cinco anos (até Maio de 2031), “prevenir novas introduções, detectar e responder cedo, controlar os focos existentes e restaurar os habitats afectados”.
“Queremos diminuir 90 por cento da área invadida até ao final do projecto”, disse o secretário executivo da Região Metropolitana de Coimbra, Jorge Brito, na apresentação do projecto, dando ainda a conhecer que o que se pretende é conseguir também que haja “cinco espécies nativas protegidas”, bem como “25,08 km2 de habitats recuperados”, acrescentando que em termos de detecção e governação o desiderato é obter “12 focos com detecção precoce, 671 km sob gestão permanente e que este modelo seja replicado na União Europeia”.
Para além da Região Metropolitana de Coimbra, este projeto vai envolver seis entidades, o Instituto Politécnico de Coimbra, a Universidade de Coimbra, o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e o DEX – Desarrollo de Estratégias Exteriores, como deu a conhecer ainda Jorge Brito, informando que o LIFE LUDWIGIA vai concretizar-se na sequência de um conjunto de acções desenvolvidas desde 2017 e, no que concerne às espécies invasoras, “remover não basta, é necessário acompanhar e evitar a reinvasão”, pelo que “actuar cedo é decisivo para evitar a dispersão”.
O presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, começou por se referir à importância do rio para o concelho, lembrou que “nos últimos anos, o Município esteve envolvido em intervenções de grande relevância para a protecção e valorização da bacia hidrográfica do Ceira, nomeadamente através do projeto Gestão da Bacia Hidrográfica do Rio Ceira face às Alterações Climáticas, financiado pelo programa EEA Grants”, destacando que “esse trabalho permitiu concretizar acções de recuperação ambiental das galerias ripícolas, estabilização de margens sujeitas a erosão, reabilitação de infraestruturas e açudes históricos e instalação de sistemas de monitorização de caudais”.
“A acção articulada entre entidades públicas pode produzir resultados concretos e criar melhores condições de resiliência para os nossos rios e para as comunidades que deles dependem”, considerou Rui Sampaio, referindo que “no rio Ceira, felizmente, estas espécies (ludwigia) não foram, até ao momento, detectadas. É precisamente por isso que este projecto é tão importante, prevenir é agir antes de termos um problema instalado”, terminando por salientar que “queremos um Ceira vivo, limpo, biodiverso e resiliente (…), capaz de continuar a sustentar os nossos ecossistemas, a nossa economia, as nossas actividades de lazer e a vida das comunidades que vivem nas suas margens”.
E depois das intervenções do director regional do ICNF, Paulo Farinha Luís, do director da ARH Centro da APA, Nuno Bravo, e de Hélia Marchante, em representação do Instituto Politécnico de Coimbra, a presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, salientou que este projecto é “sobre aquilo que escolhemos fazer quando percebemos que um problema ambiental já não pode ser adiado”, ou que “podemos limitar-nos a reagir quando os problemas aparecem ou podemos antecipar, conhecer, cooperar e agir, é esta segunda opção que estamos aqui a assumir”, para referir depois que “durante os próximos cinco anos, teremos ciência, tecnologia e equipas no terreno”, assim como “monitorização, detecção precoce, intervenção e recuperação dos habitats. (…) Teremos Municípios, Universidades, Administração Pública e comunidades a trabalhar lado a lado. É aqui que reside a maior força deste projecto, porque nenhum rio termina na fronteira de um concelho, nenhuma espécie invasora respeita limites administrativos e nenhum destes problemas pode ser resolvido por uma entidade isoladamente”.
“Proteger os rios é uma responsabilidade colectiva”, até porque “o Mondego, o Ceira, o Alva e tantos outros cursos de água, não são apenas elementos da nossa paisagem, são biodiversidade, economia, lazer, agricultura, memória, qualidade de vida e também uma herança que temos a responsabilidade de entregar às próximas gerações em melhores condições do que aquelas em que a recebemos”, salientou Helena Teodósio, acrescentando ainda que “este projetco tem de deixar mais do que intervenções no terreno, tem de deixar conhecimento, capacidades de resposta, redes de cooperação, ecossistemas mais resilientes”, considerando que “acima de tudo, tem de deixar uma cultura diferente, de prevenção, de vigilância e de responsabilidade partilhada”.
Uma resposta regional às espécies invasoras
O LIFE LUDWIGIA dá continuidade ao trabalho desenvolvido pela Região Metropolitana de Coimbra ao longo dos últimos anos no controlo de espécies invasoras nos sistemas aquáticos, consolidando o conhecimento e a experiência adquiridos através de diferentes projectos e intervenções no território, assentando a nova estratégia em quatro áreas de intervenção: prevenção, detecção precoce, controlo e restauro e entre as ferramentas previstas estão a recolha de ADN ambiental (eDNA), a deteção remota, a informação geoespacial e a ciência cidadã, permitindo identificar novos focos numa fase inicial e desencadear respostas rápidas, prevendo ainda intervenções de remoção das espécies invasoras, gestão segura da biomassa e recuperação dos habitats afectados através da utilização de flora nativa e para assegurar uma capacidade de intervenção permanente no território, serão criadas três equipas territoriais, com bases em Soure, Tábua e Lousã, três unidades de biossegurança, depósitos seguros para a biomassa removida e um viveiro de flora nativa, apoiados por sistemas de monitorização e gestão de dados.
E é com esta visão de que “os rios não terminam nos limites administrativos dos concelhos. As espécies invasoras também não”, o LIFE LUDWIGIA procura transformar o conhecimento e a experiência acumulados numa capacidade permanente de prevenir, detectar, intervir e restaurar, contribuindo para a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas aquáticos da Região Metropolitana de Coimbra.

