GÓIS: Secretária de Estado nas Jornadas Ibéricas da Igualdade

Na passada quinta-feira, no auditório da Casa da Cultura, integrado no ciclo de iniciativas alusivo à celebração do Mês da Igualdade, o Município realizou as 1.ªs Jornadas Ibéricas da Igualdade, sob o tema “Igualdade, Direitos e Cidadania” e que tiveram como objectivo promover “a partilha e reflexão para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e participativa”, incluindo no seu programa dois painéis subordinados ao tema “Cuidar do Futuro” e “Livre do Medo, Livre da Violência”.

Na sessão de abertura, que contou com a presença da Secretária de Estado Adjunta da Juventude e da Igualdade, Carla Rodrigues, o presidente da Câmara Municipal, Rui Sampaio, referiu que “num mundo em que a igualdade não é, nem nunca foi, uma certeza ela deve ser, sem espaço para dúvidas, um objectivo final”, considerando ainda que “apesar de ainda ser uma palavra tabu, é essencial que retenhamos o feminismo como o único caminho a seguir na luta pela igualdade de género”.

 Fazendo uma reflexão sobre “o papel que as mulheres ocupam na vida em sociedade”, o presidente da Câmara deu a conhecer que “segundo a Fundação Francisco Manuel dos Santos, 73 por cento das mulheres realizam mais tarefas domésticas não pagas do que os homens, enquanto apenas cerca de metade dos casais dividem, equitativamente, estas funções”, referindo que “o mesmo acontece no que diz respeito à educação e ao cuidado dos filhos” e que “para além deste trabalho não remunerado e diário, o nível de disparidade salarial continua a ser de 8,6 por cento entre homens e mulheres, por trabalho igual”.

“É assustadora a realidade que se vive, particularmente em Portugal, no que toca à violência doméstica”, disse Rui Sampaio, e dirigindo-se “aos homens”, em particular, pediu para que “tenhamos a capacidade de escutar e de ter um papel activo nesta luta”, defendendo que “não podemos, nem devemos, demitir-nos do papel de agentes activos no que toca à educação para a igualdade”, porque “seja nas escolas, em casa ou até no local de trabalho, todos carregamos preconceitos porque é assim que somos ensinados, mas o que caminho que temos de percorrer, nós e as gerações futuras, terá de ser o oposto. Só desconstruindo as nossas crenças em relação aos papéis de género, repensando os mesmos, será possível almejarmos um mundo onde todas as pessoas sejam vistas exatamente e apenas por aquilo que são, seres humanos”.

A Secretária de Estado Adjunta da Juventude e Igualdade, manifestou a sua satisfação pela realização das Jornadas que “demonstram o compromisso firme do Poder Local com a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e coesa” e que se realizam “num ano particularmente simbólico” em que “celebramos os 51 anos da Revolução de Abril e assinalamos os 30 anos da Convenção de Pequim, um marco global na afirmação dos direitos das mulheres e na promoção da igualdade de género”, referindo que “estes dois momentos históricos lembram-nos que os direitos não são garantias permanentes, exigem vigilância, compromisso e acção contínua”, para considerar depois que “é tarefa fundamental do Estado promover a igualdade entre homens e mulheres, mas é também uma tarefa de cada um de nós, no plano pessoal, familiar e comunitário”.

“O Governo assume com determinação o compromisso de continuar a implementar políticas que abram espaço à participação plena das mulheres em todos os domínios da vida pública, política e económica”, disse Carla Rodrigues, sem contudo deixar de lamentar que “as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de decisão”, pelo que  “o caminho para uma verdadeira paridade ainda exige esforço e compromisso político”, acrescentando que “a legislação sobre paridade nas listas eleitorais tem sido essencial para promover um maior equilíbrio na representação política” e que “também as políticas públicas de promoção da conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar têm contribuído para uma mudança cultural importante”.

“O combate à violência doméstica é uma prioridade nacional”, referiu a Secretária de Estado Adjunta e da Igualdade, dizendo ainda que “hoje, enfrentamos também novas formas de violência, muitas vezes invisíveis, que se expressam no espaço digital”, incluindo “o assédio online, a partilha não consentida de imagens íntimas, o discurso de ódio e a perseguição em redes sociais, que tem atingido especialmente as mulheres e as raparigas” e que “neste combate, os jovens têm um papel central”, destacando ainda que “os Planos Municipais para a Igualdade e a Não Discriminação são instrumentos fundamentais” para “promover açcões concretas nas áreas da conciliação, da igualdade de oportunidades e do combate à violência doméstica e de género”.