
Os vereadores do Partido Socialista (PS), na Câmara Municipal de Arganil, vêm publicamente expressar a sua profunda indignação e total discordância perante a decisão da maioria do executivo PSD, em demolir a chaminé prevista na construção do novo Centro de Saúde e SUB de Arganil. A decisão, tomada na última reunião de câmara do ano (29 de dezembro), representa um “golpe severo” na memória histórica da vila e uma gestão financeira incompreensível.
Um “Crime” contra a Memória Industrial
A chaminé em causa, que já fazia parte do terreno adquirido para a construção deste Centro, construída em alvenaria de tijolo burro, é mais do que uma estrutura de engenharia, é um elemento icónico do património arquitetónico industrial de Arganil, que perpetua a memória de uma antiga Fábrica de Resina que ali laborou.
“Assistimos a um ato de crueldade patrimonial”, afirmam os vereadores do PS. “Estas estruturas são preservadas em todo o país como símbolos de uma era industrial. Em Arganil, a maioria do executivo PSD prefere o caminho mais fácil, da destruição em vez da preservação que a nossa história exige.”
Uma Gestão Financeira Questionável: Pagar mais para destruir
Para além do valor histórico, os vereadores do Partido Socialista alertam para o impacto financeiro negativo desta decisão. A proposta de demolição baseou-se num relatório do ITeCons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, encomendado pelo próprio empreiteiro da obra e que revela valores preocupantes: A Câmara Municipal decidiu abdicar de 8.679,68 € que estavam destinados à reabilitação da estrutura e em contrapartida, aprovou o gasto de 14.750,00 € para a sua demolição.
“É inaceitável que o município opte por pagar quase o dobro para destruir um símbolo histórico do que pagaria para o recuperar. Não houve sequer a vontade política de solicitar ao ITeCons um estudo para o reforço da estabilidade da chaminé”, sublinham os eleitos do PS.
A bancada do PS lamenta ainda que uma decisão com este impacto tenha sido tomada numa reunião que não foi pública e com o aval da entidade fiscalizadora (Invall Portugal), sem que tenham sido esgotadas todas as vias técnicas para a manutenção da chaminé.
A proposta foi aprovada com 4 votos a favor do PSD e 3 votos contra do PS. Na sua declaração de voto, os vereadores socialistas reiteraram que o património não é um obstáculo, mas sim um ativo que deveria ser integrado com dignidade no novo Centro de Saúde, tal como havia sido previsto.
Os vereadores do Partido Socialista reafirmam o seu compromisso com a defesa da identidade da nossa terra e não abdicarão de denunciar decisões que empobrecem o nosso legado comum.
2026-01-08

