NOTA DA SEMANA: A extrema-esquerda não gosta, e não quer, a Democracia

A França está a saque e não há outra forma de encarar o que se passa nesse país da União Europeia (UE), mesmo que alguns tentem banalizar a violência extrema e ideológica que marcam os protestos na República Francesa, classificando-a como o exercício dos direitos constitucionais de manifestação e reunião.

Recordo que as manifestações nas cidades francesas começaram por questões relacionadas com a educação, mas rapidamente foram tomadas por hordas de arruaceiros, na maioria ostentando rostos mascarados e uma indumentária que define bem a respetiva propensão para a destruição, e que pugnam pela alteração do regime democrático vigente.

Essa amálgama de intervenientes nas manifestações que ao longo das últimas semanas têm grassado pela França, resultaram apenas na destruição de bens públicos, como escolas incendiadas e monumentos vandalizados, e bens privados como lojas, viaturas, entre tantas outras coisas.

Esse clima de terror foi instaurado de forma deliberada pela agenda mediática da extrema-esquerda, transformando as preocupações com um setor fundamental como a educação, num saco de outras causas como a Palestina, o combate ao capitalismo… enfim, transformaram as reivindicações em prol de um bem comum, num panfleto político e apelando a uma revolução social!

Essa revolução social que a extrema-esquerda procura, faz parte de um manual de insurreição que há muito é conhecido e “lecionado” nos fóruns e encontros da especialidade, juntando anarquistas, antifas, trotskistas, e outros que tais, que rejubilam com a liberdade que o sistema democrático lhes permite para a partir daí quererem instaurar uma nova ordem que, indubitavelmente, terminará, como sempre terminou, numa ditadura do proletariado.

E essa postura de destruição tem sido internacionalizada, conforme os movimentos radicais vão deambulando pelo espaço europeu, ocorrendo na Bélgica, no Reino de Espanha e agora em Portugal.

Tudo começa por razões de indesmentível interesse dos cidadãos, seja na educação, na saúde e na habitação, como sucede agora em Portugal, para depois serem usadas para alavancar o que realmente interessa a esses movimentos radicais que aglomeram as minorias mais ruidosas que tomam de assalto a rua…

Se houvesse vergonha e honestidade intelectual, todos saberiam que o problema da falta de habitação em Portugal tem várias causas, mas uma dessas apenas pode ser imputada aos partidos de extrema-esquerda como o Bloco de Esquerda (BE), o Livre, e o Partido Comunista Português (PCP), para falar apenas dos que ainda têm expressão na Assembleia da República.

Hoje a memória é curta e tendemos a desvalorizar que, entre Novembro de 2015 e Outubro de 2019 (XXI Governo Constitucional), a geringonça assumiu um conjunto de políticas que permitiram, nesse período, e no subsequente, o aumento exponencial de imigrantes e que hoje contribuem para que 14% da população residente seja estrangeira.

Esse aumento exponencial revelou um País que não estava preparado para acolher e integrar tanta gente, afetando o sistema de educação, a saúde, e, obviamente, a habitação.

Hoje, esquecemos que o mercado habitacional foi prejudicado por várias decisões patrocinadas pela extrema-esquerda durante esse período, e que culminaram na retirada de vários imóveis do mercado por receio das políticas implementadas, e que nem o PRR e a sua execução veio a corresponder ao que tinha sido anunciado.

Contudo, os maiores responsáveis pela crise habitacional no país, registe-se o BE, o PCP e o Partido Socialista (PS) a reboque, não têm prurido em aparecer agora a defender intervenções no setor da habitação.

É tempo de desmascarar a extrema-esquerda que promove o desrespeito pela Lei, abusando das preocupações reais dos cidadãos, mas pelas quais são os seus maiores responsáveis.

Uma extrema-esquerda, por via dos seus grupos organizados, que agenda manifestações, mas entende que não deve cumprir as regras que regulamentam o direito à manifestação, montando tendas e assumindo que não têm que as retirar depois da hora que a Lei prevê, e colocando o ónus nas forças policiais para fazerem cumprir essa mesma Lei.

A cartilha da revolução social que esses extremistas preconizam, radica na destruição, na violência, na intimidação e uso abusivo dos direitos previstos na Lei Portuguesa com o único propósito de recuperar na rua o que as urnas lhe retiraram.

Na atualidade, a expressão na Assembleia da República de BE e PCP, juntos, não chega a 4 deputados, e o Livre, o Partido culturalmente mais elitista, mas cuja cultura democrática deixa muito a desejar, tem apenas 6 deputados, ainda assim maior que os outros extremistas.

No entanto, não deixa de ser preocupante que o exemplo de modelo democrático que os movimentos que incorporam hoje as manifestações que ocorrem no Porto e em Lisboa pela habitação, assente nas assembleias populares, verdadeiros sovietes, que se assumem como comunas, à semelhança do PREC ou dos piores exemplos da extinta União Soviética.

Desde apelos à violência e à destruição feitos nessas assembleias populares, a par do desafio permanente da autoridade do Estado, temo que o tema da habitação já não seja essencial, ou tenha sido sequer o verdadeiro mote para as referidas mobilizações.

Depois, deveríamos tomar atenção aos representantes desses movimentos, perceber o que realmente defendem, para rapidamente entendermos que algumas das ideias que propõem, como o congelamento de rendas, correspondem afinal, a algumas das medidas que o famigerado Salazar impôs. Não deixa de ser curioso!

Temo que este alimentar da convulsão social, reforçado com a definição cirúrgica de algumas greves pela CGTP, em conluio com o PCP, e em simultâneo com os movimentos radicais, que inclusive partilham algumas figuras com responsabilidades políticas, não augura nada de bom.

Imaginem se a extrema-direita, usando do direito constitucional à manifestação, decidisse acampar no Rossio, qual seria então a reação dos pseudomoralistas dessa esquerda composta pelo BE, PCP e Livre?

Não tenho hoje quaisquer dúvidas de que o populismo e a extrema-direita crescem, mas muito devido ao facto de que a extrema-esquerda quer tomar a rua. Os extremos alimentam-se, e a maioria silenciosa e moderada terá que assumir as suas responsabilidades se quer manter o regime democrático.

É tempo do País ganhar juízo! Ou dar espaço a quem o tenha…