
Depois do chumbo, mais do que previsto, da moção de censura apresentada ao Governo pelo Partido CHEGA, por razão das polémicas suscitadas pelo atual Ministro da Administração Interna, enquanto anterior diretor nacional da Polícia Judiciária.
Depois do anúncio da Comissão de Inquérito ao mesmo ministro, correndo em simultâneo diversos inquéritos às anteriores funções desempenhadas por esse, ao qual foi agora acrescentado um novo inquérito aberto pelo Ministério Público, por alegado abuso de poder ao atual Diretor Nacional da Policia Judiciária e anterior membro da equipa diretiva de Luís Neves.
Depois de todos perceberem que ninguém na Assembleia da República está verdadeiramente interessado em eleições antecipadas, mesmo aqueles que propuseram a moção de censura, e depois de todos inferirem de que o povo português está saturado de eleições, e já agora de políticos! Eis que chegou a segunda moção de censura ao Governo, assim como a todos os Partidos Políticos que constituem, desde há 50 anos, o arco da governação.
E a segunda moção de censura foi apresentada sob a forma de estudo coordenado por Pedro Passos Coelho, Sérgio Sousa Pinto e Nuno Botelho, este último Presidente da Associação Comercial do Porto.
O referido documento, intitulado de “Bloqueios versus reformas: uma visão para Portugal”, é bem claro ao sinalizar que o nível de convergência do País com a Europa, e o reduzido crescimento económico de Portugal, são o resultado da ausência de reformas estruturais e profundas, a par da ausência de crescimento da produtividade sustentada e orientada para a competição internacional.
Desde logo, há a assinalar a junção de dois atores políticos e públicos na coordenação do referido estudo, cuja proveniência é potencializadora de uma certa objetividade nas críticas realizadas ao estado atual de coisas. Sérgio Sousa Pinto, militante do Partido Socialista (PS), e Pedro Passos Coelho, militante do Partido Social Democrata (PSD), coordenaram a realização deste trabalho.
No entanto, se a presença de Sérgio Sousa Pinto na coordenação deste trabalho representará o ressurgimento de uma nova via para o PS, já a desenvoltura de Pedro Passos Coelho significa, claramente, uma moção de censura àquilo que ele afirma ser a perda de tempo com a preocupação em não “hipotecar apoios futuros”.
Em bom rigor, se o partido CHEGA apresentou uma moção de censura no Parlamento nacional condenada ao fracasso, já Pedro Passos Coelho apresentou uma moção de censura suficientemente incisiva e acutilante para fazer estremecer o programa com que a Aliança Democrática (AD – PSD e CDS) se apresentaram a eleições.
Essa moção de censura, apresentada sob a forma de estudo, e alicerçada na presença pública do antigo ex-primeiro ministro, será entregue ao atual Primeiro-ministro, Luís Montenegro, assim como ao Presidente da República, António José Seguro.
Dessa entrega constarão diversas propostas de reformas, que corresponderão à segunda fase do trabalho desenvolvido. Ou seja, Pedro Passos Coelho, para além do diagnóstico entregará um manual de instruções para o Governo!
De forma corajosa, mas muito inteligente, Pedro Passos Coelho marca a agenda mediática e ocupa o espaço político de toda a oposição, falando antes de todos e antecipando os verdadeiros problemas.
Antes da polémica do Ministro da Administração Interna surgir, já Pedro Passos Coelho tinha alertado que não devia ir para o Governo quem investiga membros do Governo… parece que tinha razão!
Quando foi chumbado o pacote laboral, já Pedro Passos Coelho tinha alertado para a necessidade de afirmar politicamente a necessidade de alterações no quadro laboral, sob pena da economia nacional ficar ainda mais dependente da inércia na produtividade.
Quando a questão da imigração colocou a nu o agravamento da resposta dos serviços públicos em diversas áreas como a saúde, a educação, a habitação entre outras, já antes Pedro Passos Coelho tinha alertado para a necessidade de uma maior regulação da entrada em Portugal de imigrantes.
Sobre o PRR afirmou que este era uma “duplicação de fundos europeus” e que deveria integrar o orçamento permanente da União Europeia, indiciando logo o impacto que este iria ter no investimento público, muitas vezes realizado duplicando equipamentos e não cuidando da sustentabilidade desses mesmos investimentos.
Enfim, resguardado em Massamá, Pedro Passos Coelho tem tido tempo para meditar sobre estes assuntos e conhecendo a dimensão em que liderou o País aquando da TROIKA, estará bem mais ciente de que este mesmo País, como está amarrado à imobilidade politica, não irá a lado nenhum.
As únicas reformas na cabeça dos políticos, e diga-se desnecessárias, são a Regionalização e a Lei Eleitoral! Ora, não é dessas reformas de que o País necessita, este necessita de uma visão clara para o futuro e de determinação dos verdadeiros desígnios nacionais.
A verdadeira moção de censura feita ao atual Governo foi a de Pedro Passos Coelho e será esta que deve merecer a atenção de todos, a começar por Luís Montenegro, André Ventura e José Luís Carneiro.

