NOTA DA SEMANA: Alemanha, ventos de mudança que anunciam tempestades!

Com uma afluência significativa, na casa dos 75%, as eleições realizadas no Estado federado de Saxónia-Anhalt marcaram uma mudança histórica na política alemã, levando o atual Chanceler, Friedrich Merz, a colocar o dedo na ferida!

Com efeito, o partido Alternativa para a Alemanha (ADF), com 43,8% de votação nesse Estado federado, e ficando a 3 deputados da maioria absoluta, levou a que o atual Chanceler alemão assumisse que muitas das bandeiras que os designados radicais têm ostentado, como as politicas anti-imigração, ou a segurança, terão que passar a ser incorporadas nas agendas dos Partidos ditos de moderados.

Na realidade, a marca de água da ADF, entre outras, tem sido a defesa de políticas anti-imigração, num País que ficou marcado pela decisão politica tomada alguns anos atrás pela então Chanceler Angela Merkel, de concessão de asilo a mais de um milhão de imigrantes durante a crise migratória de 2015, muito em resultado da guerra na Síria.

Essa decisão, muito aplaudida à época por vários quadrantes europeus, acabou por agravar o conflito entre culturas que atualmente existe na Alemanha, e que é inegável em outros países como França e Espanha.

Em todos esses casos, o tema comum e transversal que suporta e sustenta o crescimento de diversos Partidos Políticos mais radicalizados é, sem dúvida alguma, a questão da imigração.

A somar a essa temática junta-se a instabilidade económica, e no caso em concreto da Alemanha não é alheia a crise do modelo de desenvolvimento vigente nesse País europeu há longas e várias décadas, designadamente sustentado na sua indústria automóvel.

Essa crise, muito suportada pela transferência de conhecimento e capacidade industrial para a China, foi apenas a ponta do iceberg do que estamos a viver, somando-se a isso a dependência energética de que a Alemanha padeceu nos últimos anos, face à vulnerabilidade aos fornecimentos de gaz e petróleo russos.

A Europa, ou melhor a União Europeia, está a ser minada pelo seu interior e a lógica burocrática, e reguladora, que há largos anos tomou conta desta entidade, apenas a têm incapacitado para se afirmar no panorama internacional.

Os ventos de mudança, ao contrário do que se possa imaginar, não surgiram apenas agora, mas sopram há pelo menos trinta anos e durante estas últimas três décadas têm corroído toda a estrutura de uma organização política que esteve, e continua a estar, amarrada a uma visão elitista, ideologicamente dependente de novas causas, e sem noção das mudanças que ocorrem no mundo onde se insere.

A Europa nunca esteve sozinha, e há muito que deixou de ser o centro desse mesmo mundo, cujo epicentro está no indo-pacífico e para o qual as mentes “iluminadas” de muitos dos Comissários Europeus nunca estiveram despertas.

A transição energética e, consequentemente, as alterações climáticas, conjuntamente com a diversidade cultural, passaram a ser os temas de fundo das politicas europeias, ao mesmo tempo que se empurrava para o gigante chinês, e já agora também de muitos países asiáticos, a responsabilidade para produzir e poluir, assistindo dessa forma ao desmantelar de toda a capacidade produtiva europeia.

O que sucedeu num dos Estados federados mais pobres da Alemanha, e originário do leste antes controlado pelos Soviéticos (Alemanha de Leste), começa a ser cada vez mais inevitável que venha a suceder em outros países europeus.

A preocupação recai agora sobre a França, onde Marie Le Pen continua a ser uma forte candidata a ganhar as próximas eleições, e em que todas as polémicas em seu redor apenas têm assegurado o argumentário para se vitimizar como sendo perseguida por um sistema dominado pela extrema-esquerda.

Por outro lado, em Espanha, Pedro Sánchez começa a seguir uma estratégia de preservação do poder, preparando uma guerra ideológica levada ao limite, confrontando os ideais da República perante a Monarquia, o Primeiro-ministro contra o Rei, a direita contra a esquerda, usando os independentistas como seus aliados.

Pedro Sánchez faz a política de terra queimada, que apenas terá como resultado a deterioração da democracia espanhola, com o único intuito de se manter e perpetuar no poder.

Estivéssemos nas décadas de vinte e trinta do século XX e Espanha teria já todos os ingredientes para uma Guerra Civil!… Tal como no passado sucedeu!

Hoje, é mais do que evidente, que nunca foi preciso existirem Donald Trump, ou Vladimir Putin, para que o modelo europeu entrasse em convulsão, estes, quando muito, aceleraram esse processo que foi iniciado pelos próprios europeus quando não perscrutaram no horizonte os novos desafios e “venderam” a alma ao “Diabo vermelho” – a República Popular da China!

Os ventos de mudança começaram há muito, hoje começam já as tempestades e tenho sérias dúvidas que as lideranças de António Costa e Ursula Von Der Leyen sejam capazes de aguentar a “nau”, especialmente quando o dinheiro começar a escassear nos cofres da Europa para distribuir para países como…Portugal!