NOTA DA SEMANA: Estamos “nas vésperas” de qualquer coisa!

Assistimos nos últimos dias à violência nas ruas de França, da Espanha e agora também já na Bélgica, e no momento em que redijo estas linhas desconheço se a calma já voltou aos grandes centros urbanos desses dois países, ou se, pelo contrário, alastrou a outras capitais europeias.

Seja como for, todas essas movimentações começaram por razões com algum fundamento social (Habitação, Educação, etc), mas rapidamente foram tomadas pelos agitadores profissionais, mais ou menos oriundos da extrema-esquerda, de grupos alegadamente excluídos ou nas franjas das Sociedades Europeias.

Percebemos ainda, que muito dificilmente os Partidos com responsabilidades executivas nos governos europeus têm respostas, ou sequer recursos, que lhes permitam dar soluções às reivindicações da contestação que está na rua, muito envolta em demagogia oriunda das agendas mediáticas de causas como a Imigração, a Palestina, a Venezuela entre tantas outras.

Por exemplo, a França está estrangulada pelas dificuldades financeiras, sendo pré-anunciado por alguns analistas internacionais a possibilidade real de colapso do Estado Francês, ao qual não é alheio o facto da dívida pública desse País em 2025 ter sido de 115%, e em Junho deste ano cifrou-se já em 119% do PIB.

Por outro lado, o défice para 2026 estima-se que venha a ser de 5,4%, bem acima do limite estabelecido pela União Europeia (UE) que é de 3%.

A acrescer a essa situação não podemos deixar de referir que a França é um contribuinte líquido da UE, pelo que a rutura económica deste Estado terá inequivocamente impacto no orçamento destinado dos Fundos Europeus, dos quais países como Portugal, Grécia, Chéquia, etc, são beneficiários diretos através dos Fundos de Coesão.

Isto para não falar de que em Abril de 2027 terão lugar as eleições francesas, sendo que a extrema-esquerda liderada por Jean Luc Mélenchon anunciou que, caso seja eleito, irá desobedecer às regras europeias, enquanto a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, apregoa a diminuição das contribuições para o orçamento europeu como forma de resolver os problemas financeiros da economia francesa.

Não é pois por acaso que a Presidência Irlandesa do Conselho da UE apresenta uma proposta com cortes e reduções na ordem dos 8%, correspondente a menos qualquer coisa como 141 mil milhões de euros para o orçamento plurianual 2028-2034, ao contrário do solicitado pela Comissão Europeia.

Se somarmos a essa realidade indesmentível que marca a Europa o cenário geopolítico mundial, rapidamente percebemos que Portugal necessita de se preparar e antecipar o futuro, definindo e comprometendo-se a cumprir desígnios nacionais, algo que até agora não tem feito.

Este foi o cenário concreto da entrevista de Pedro Passos Coelho.

A Europa está amarrada a uma burocracia que impede o crescimento económico dos seus Estados membros, não tem uma estratégia clara sobre o seu posicionamento na política internacional e está incapaz de olhar para os problemas reais das pessoas.

Depois, os Países membros da UE, como é o caso de Portugal, estão incapazes de pensar e definir o futuro, optando por gerir o dia-a-dia na esperança da receção das esmolas europeias para suprimir a incapacidade para realizar investimento público, ou assegurar a cobertura de despesas de funcionamento de muitas das áreas do próprio Estado.

Estando no horizonte a possibilidade real da diminuição dos fundos comunitários, não tenhamos dúvidas de que o nosso País estará em sérias dificuldades, pois manter as contas certas implicará a realização de cortes significativos nas áreas que há muito já deviam ter sido alvo de profundas reformas e reestruturações.

Apesar da maioria dos cidadãos ainda não ter a noção do que realmente está em jogo, pois a memória da TROIKA já é distante, não tardará o momento em que essa recordação voltará à atualidade.

Talvez por isso, o Estado esteja novamente a engordar, a começar pelas autarquias e a necessidade de satisfazer a avidez de contratação de novos recursos humanos para satisfazer as máquinas partidárias.

Em última linha, quando o dinheiro voltar a escassear, será o Estado que continuará a sugar os recursos existentes para manter os “boys”, sejam eles da esquerda ou da direita!