NOTA DA SEMANA: Irão – Mais um exemplo da hipocrisia europeia e da sua irrelevância

Enquanto em Portugal continuamos inebriados por uma segunda volta nas Presidenciais, e em que a comunicação social enche as páginas com os apoios anunciados a um dos candidatos e a outro faz gáudio da ausência destes, o mundo lá fora vai girando e rodopiando.

Ao contrário do que a nossa pequenez nos faz imaginar, há muito que deixámos de ser o centro desse mesmo mundo e seguramente também há muito que deixámos de caminhar para esse lugar. Quando muito, somos hoje uma pequena extremidade do Continente Europeu e que já nem a audácia possui para se virar para o Atlântico.

O Atlântico, na atualidade, serve-nos apenas para continuarmos a empobrecer alegremente, e isto apenas porque apostámos as “fichas” todas na ilusão do turismo como motor de desenvolvimento económico, quando apenas deveria ser um complemento a esse.

Aceitámos, de mãos estendidas os inúmeros fundos comunitários, dos quais, com exceção dos primeiros anos da adesão à Comunidade de Estados Europeus (CEE), pouco retorno originaram e também há muito que continuamos a divergir da média europeia, sendo ultrapassados pela quase totalidade dos países oriundos do leste e já aderentes à União Europeia (UE).

Com uma zona económica exclusiva três vezes superior ao País, esta vasta plataforma marítima está longe de ser explorada economicamente, desconhecendo-se o seu real valor, já para não falar do esquecimento a que os políticos votaram este património.

O Atlântico que devia voltar a ser a nossa autoestrada, ligando-nos aos Continentes Africano e Americano e aproximando-nos do Indo-pacifico, é apenas uma mancha azul nos mapas das nossas escolas, isto naquelas em que ainda existem mapas dignos dessa classificação.

Portugal há muito que deixou de pensar o mundo e o mundo há muito que deixou de esperar alguma coisa desta Nação!

E se nada for feito, Portugal terá o mesmo destino que a União Europeia, resignar-se-á a subsistir na dependência de um modelo de financiamento europeu e apenas enquanto houver dinheiro para distribuir.

Olhar para figuras como António Costa e Ursula Von Der Leyen a falarem por uma União Europeia que vale menos, no palco geopolítico mundial, do que a Alemanha ou até a França separadamente, é simplesmente deprimente!

Uma Comissão Europeia, liderada por Ursula Von Der Leyen, que ao fim de vários meses depois de assinar um acordo comercial com os Estados Unidos da América (EUA), não conseguiu que o mesmo fosse ratificado pelo Parlamento Europeu e, por isso, ainda não entrou em vigor.

Escusado será dizer que o valor negocial da União Europeia é simplesmente nulo, isto perante os EUA, e por isso os compromissos desta têm o mesmo valor do que a palavra de Donald Trump.

Ou por exemplo o acordo comercial do MERCOSUL, que demorou 25 anos a ser negociado e que agora, depois de concluído, vai empobrecer ainda mais o setor agrícola europeu… mas que interessa isso, depois de termos alienado a nossa indústria pesada aos chineses, a tecnológica e a farmacêutica aos indianos, pouco importa entregar a agricultura aos sul-americanos!

Tem mais fibra Crhistine Lagarde do que aquelas duas figuras juntas (António Costa e Ursula Von Der Leyen), talvez por isso a líder do Banco Central Europeu pouca paciência tenha para elas, procurando seguir uma política monetária livre de amarras políticas e da hipocrisia que as sustentam, e talvez seja ainda isso que vai segurando o EURO como moeda.

Contudo, o exemplo maior desta nossa pequenez moral europeia radica na incapacidade em dizermos, ou fazermos qualquer exercício crítico, com o que se passa na República Islâmica do Irão.

Nesse País descendente do grande Império Persa, foram chacinados, segundo órgãos de comunicação social como a revista TIME, mais de 30 mil pessoas, e isto apenas nas últimas semanas.

Uma ditadura religiosa, autocrática e cujo poder radica numa elite de fanáticos que vociferam contra o mundo ocidental e os seus valores, tem da parte da União Europeia o beneplácito das palavras de mero azedume, sem que uma condenação veemente seja feita a esse regime criminoso.

Ao longo dos últimos dias não se perscruta uma manifestação contra os terroristas iranianos que matam, impunemente, o seu povo, que não sejam as organizadas pelos familiares desse mesmo povo que sofre e que tiveram de partir para a Europa.

Onde estão agora as bandeiras da Palestina, ou do HAMAS, orgulhosamente ostentadas a pouco mais de dois ou três meses atrás, em manifestações organizadas por uma certa burguesia intelectual de alguns círculos políticos nacionais e europeus?

Onde estão as “flotilhas” de apoio a esses cidadãos diariamente assassinados pelos fanáticos religiosos? Os mesmos fanáticos que financiaram, e financiam, inúmeros ataques terroristas por esse mundo fora!

Como poderá ter futuro uma União Europeia que agrega em seu redor 27 países que se reuniram por duas razões. A primeira para conseguirem manter a Paz no continente europeu, e a segunda para partilharem um espaço económico comum que lhes assegurasse os melhores negócios.

Tudo isto feito à sombra do “status quo” militar dos EUA, que assegurava que a Europa poupasse na defesa para implementar um modelo social custeado por outros, já que a componente militar não era prioritária.

A União Europeia sucumbirá, não pela oposição dos ainda aliados americanos, não pelo risco da invasão pelos russos, e não pela venda dos seus ativos aos chineses.

A União Europeia sucumbirá pelo peso da sua hipocrisia, mais uma vez manifestada pela forma como olha para os iranianos.