
O País anda sob a pressão de uma doença bipolar, por um lado vive de forma eufórica as vitórias sucessivas da seleção nacional e celebra a passagem à próxima fase da Taça das Nações, ao mesmo tempo que padece de um sofrimento afetivo pela saída do capitão Ronaldo do último estágio da equipa das quinas.
Foram dias seguidos a discutir de quem é a culpa da novela Ronaldo, o maior jogador português de todos os tempos, e goste-se ou não do seu perfil, este é realmente o único facto digno de nota – Ronaldo é o maior jogador português de todos os tempos e, por cinco vezes, foi eleito o melhor do mundo.
A somar a isso, temos o treinador Jorge Jesus que nos habituou a juntar à sua experiência a paródia das suas declarações, acompanhado pelo Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que olha para as perdas financeiras que se avizinham com a saída em definitivo de Cristiano Ronaldo como sendo o maior problema para a sustentabilidade imediata da organização responsável pelo futebol nacional!
Para apimentar a novela Ronaldo, sabemos agora que até o Primeiro-ministro, Luís Montenegro, terá ligado aos protagonistas do referido enredo ficcional das produções audiovisuais nacionais!
E de repente, padecendo o País deste síndroma de bipolaridade que restringe as nossas prioridades aos problemas do futebol, o Reino de Espanha está em plena convulsão, quase à beira de um colapso político e no Brasil anuncia-se uma viragem à direita pró-Trump.
Somos nós e o Ronaldo, e os outros são o resto do mundo, mas por sinal o resto do mundo é bem mais importante do que julgamos.
O Reino de Espanha está nas mãos de um político, Pedro Sanchez, que é lunático e irresponsável, cuja principal preocupação é apenas a sobrevivência politica para evitar a vinda a lume dos inúmeros processos de corrupção que o cercam.
Se a Comissão Europeia fosse realmente um órgão sério há muito que a postura do Governo espanhol tinha sido sancionada nos mesmos moldes que a Hungria de Viktor Orban o foi, com a particularidade deste último ter perdido as eleições e saído de cena, como ditam as regras da democracia, algo que eu duvido que Pedro Sanchez seja capaz de fazer!
O Reino de Espanha tem em Pedro Sanchez um inimigo da sua integridade territorial, que sobrevive politicamente radicalizando o discurso e aproveitando um caso mediático para jogar a antecipação de eleições, tentando “cavalgar” uma onda social de defesa do acesso à habitação.
O Reino de Espanha, cujos equilíbrios demoraram décadas a construir, está à beira de um colapso total, com uma bipolarização da sociedade espanhola, e onde apenas o Rei consegue ter bom senso.
De Espanha nem bom vento, nem bom casamento, já só espero que sejamos capazes de aprender com eles!
Do outro lado do Atlântico, na América do Sul, o Brasil parece indiciar a mudança de ciclo, com a vitória de Flávio Bolsonaro a ganhar a primeira volta das presidenciais brasileiras.
Apesar das sondagens desfavoráveis, apesar das agendas mediáticas levarem o ainda Presidente Lula da Silva ao colo, apesar dos atropelos do Supremo Tribunal Federal ameaçando a liberdade de expressão, as urnas transmitiram que existe uma vontade diferente para o futuro da República Brasileira.
Depois, temos a França literalmente a arder, pré-anunciando também uma mudança do ciclo político, perante a completa desilusão que foi Emmanuel Macron e a sua incapacidade para reformar o Estado e a República Francesa, se somarmos a isso a crise que a Alemanha atravessa, que nos resta a nós?…o Ronaldo, o Jorge Jesus e o Pedro Proença…
Parece pouco, muito pouco, para um País que irá celebrar 900 anos de existência!

