
Foi no ano de 1128, mais precisamente a 1 de Julho (calendário Gregoriano), que teve lugar a Batalha de S. Mamede, marco histórico do início da independência do Condado Portucalense e da afirmação de uma ideia, liderada por Afonso Henriques, daquilo que viria a ser o reino de Portugal.
Afonso Henriques veio a dar lugar, e a ser conhecido, como D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal e seu fundador na historiografia nacional e bem assim no imaginário popular, libertando-se do jugo de sua mãe, D. Teresa de Leão, e do seu amante galego, Fernando Peres de Trava.
Portugal tem pois, quase novecentos anos de existência, aproximando-se daquilo que poderemos designar como uma Nação milenar, com a vantagem de ser um Estado.
Caso raro no mundo, Portugal é um Estado-Nação, com uma língua comum e um território cuja imutabilidade das suas fronteiras terrestres é das mais antigas, senão mesmo a mais antiga, na Europa.
Não há assim dúvidas de que Portugal, apesar da ignorância que grassa no exterior do País, mas já agora também no interior deste, nunca foi uma Nação menor ou com problemas de reconhecimento histórico.
Ao longo de quase novecentos anos de existência teve altos e baixos, marcou a existência da humanidade e desenvolveu aquilo que poderíamos designar de embrião da globalização, através da exploração comercial das rotas marítimas e do descobrimento do mundo.
Fruto da sua extensa história, Portugal tem diversos momentos marcantes da sua existência, com momentos gloriosos e outros nem por isso, e é neste contexto que o 25 de Abril deve ser entendido e enquadrado, como um dos momentos importantes da existência nacional.
Foi por via do movimento dos capitães que a ditadura do Estado Novo caiu, que a palavra liberdade adquiriu o seu verdadeiro significado, depois de mais de quatro décadas esquecida e amordaçada pela omnipresença da PIDE, ao serviço de um regime opressivo, mas ainda assim distante de muitas ditaduras comunistas que à época existiam no mundo.
Contudo, a esperança que o 25 de Abril trouxe à Nação portuguesa, os exageros e desvarios que se lhe seguiram pelos radicais de esquerda, emoldurados pelo PREC (Plano Revolucionário em Curso), logo lhe condicionaram os sonhos de um País mais desenvolvido e justo.
Felizmente, os moderados de direita e de esquerda, conseguiram conter os laivos de imposição da ditadura do proletariado e um modelo sovietizado da organização da vida em sociedade.
Seguiram-se os ganhos de uma Democracia que dava os seus primeiros passos, as revisões da Constituição da República Portuguesa, a entrada na Comunidade Económica Europeia, mais tarde União Europeia (EU), a abertura ao mundo globalizado de um País, até aí pobre, fechado e marcado pelos fracos índices de educação, as elevadas taxas de mortalidade e uma esperança média de vida muito inferior aos países mais desenvolvidos de então.
Através dos infindáveis fundos europeus construímos uma rede viária moderna, com as autoestradas a ligarem todo o País, equipamentos comunitários, novas escolas, uma rede de serviços públicos moderna e parecíamos caminhar para o maravilhoso mundo da modernidade!
Mas era isso mesmo… parecíamos estar a caminhar para algo melhor.
Infelizmente não tem sido assim.
Estamos melhor, claramente que estamos.
Temos uma rede de apoio social, melhores serviços públicos, um sistema judicial mais justo (mesmo que imperfeito), índices de vida com maior qualidade e, acima de tudo, um conforto que nunca os nossos avós imaginaram que seria possível.
Mas e o País como está?
Temos liberdade como nunca tivemos, dinheiro a circular como nunca se imaginou, direitos incomparáveis com o que existia até 1974, se é que existiam realmente, mas não temos, verdadeiramente, um desígnio para a nossa Nação.
O 25 de Abril de hoje, apesar de termos um País claramente melhor do que há 52 anos, está “pendurado por arames” – vivemos num País adiado.
Adiado porque somos irrelevantes no mundo, porque nos deliciamos com pequenas vitórias que sabem a pouco e disso fazemos alarido como se tivéssemos conquistado a Lua, quando antes conquistávamos o mundo!
Falta-nos aquilo que sempre faltou depois do 25 de Abril de 1974, a ambição enquanto povo.
Não temos uma visão estratégica para o nosso lugar no mundo, vivemos na pequenez de que é preferível não corrermos o risco da mudança e da incerteza dessa mudança, optando pela segurança do que se conquistou, mesmo que essas conquistas sejam delapidadas em cada data em que se celebra o 25 de Abril, pois o tempo é inexorável na sua marcha.
O 25 de Abril não se fez para que o País viva de mãos estendidas à Europa, cujo saco de euros vai permitindo fazer piscinas e pavilhões para satisfazer o ego de alguns Presidentes, e muitos deles sem utilidade prática.
Ou gastar dinheiro a rodos, porque vem da Europa, para fazer festas e festinhas de Verão, enquanto a indústria definha por vários pontos do País, e as empresas de transportes públicos dão lucro quando passam mais tempo paradas em greve do que em funções!
O 25 de Abril que se celebra no ano de 2026, pela importância que merece na nossa história nacional, não corresponde a este País preso por arames e que continua, há muito, adiado.
Celebrar Abril implicará sempre, pela importância que a data merece, ter um País com um desígnio nacional, sendo que a liberdade de nada valerá se a esta não corresponder uma vontade e uma ambição em termos uma Nação realmente importante no panorama internacional, justa, eficaz e capaz de promover o bem-estar dos seus cidadãos.
25 de Abril sempre, mas com vontade e ambição para um País melhor!

