
Com o prolongar do conflito entre a Republica Islâmica do Irão e os Estados Unidos da América o Estreito de Ormuz tem estado intransitável, o que impede que cerca de 20% do total de petróleo mundial chegue aos mercados internacionais, assim como de gás natural.
Não obstante esse condicionamento, o cenário catastrófico imaginado por inúmeros economistas não se tem registado, mantendo-se o preço do “grude” em valores inferiores aos atingidos com o início da guerra na Ucrânia.
Com efeito, durante o ano de 2022 o preço máximo do petróleo foi de 139 dólares, já durante o atual conflito no médio oriente o valor mais alto foi de, até ao momento, cerca de 120 dólares, sendo que ao longo dos últimos meses tem oscilado entre subidas e descidas mais ou menos acentuadas.
Contudo, o reflexo dessas oscilações, nomeadamente das descidas no preço do petróleo não é acompanhada pela descida dos produtos refinados como a gasolina, gasóleo e outros derivados.
A razão para tal suceder ficou a dever-se ao desmantelamento de refinarias por toda a Europa, locais onde o “grude” era tratado e transformado em gasolina, petróleo, jet-fuel, e outros tantos derivados.
Mais uma vez a culpa é da incapacidade da Europa em manter a sua capacidade industrial, uma vez que as refinarias foram mudadas para os países do médio oriente, como a Arábia saudita, isto explica o motivo para a subida de preços destes produtos nas bombas de gasolina, apesar do preço do petróleo não ter atingido níveis mais elevados.
Simultaneamente, os Estados Unidos da América tornaram-se nos maiores produtores de petróleo e gás natural, mesmo que os cidadãos americanos não estejam a ter o retorno dessa produção na respetiva carteira.
Contudo, pouco se discute o motivo do encerramento das refinarias nos países europeus, e pouco é adiantado sobre o crescimento do mercado dos carros elétricos e quem é o seu maior produtor.
A Europa não definiu uma estratégia consciente de transição energética, optando por seguir a lógica ambientalista sem se questionar sobre o impacto desta. Desmantelou parte das suas centrais nucleares, e impôs à sua indústria automóvel uma alteração abrupta dos seus motores, passando da combustão (gasóleo) e explosão (gasolina) para elétricos.
Resultado disso, as principais marcas europeias, nomeadamente alemãs e francesas, entraram em sérias dificuldades dando origem a um arrefecimento da economia europeia.
Em contrapartida, a República Popular da China importou, durante décadas, tecnologia e absorveu a base industrial europeia, tornou-se o maior exportador de tecnologia renovável mas, curiosamente, manteve o consumo de produtos fosseis e a exploração de minerais.
Procurou adquirir recursos ao longo de todo o planeta e, ao mesmo tempo que produzia produtos para captar as energias renováveis, como painéis fotovoltaicos, aerogeradores, painéis térmicos, passou a exportá-los para toda a Europa tendo por base as políticas ambientalistas vigentes.
Tudo parecia fácil, produtos baratos, um ambiente mais limpo e enquanto a Europa contribuía para a melhoria do planeta, a República Popular da China tornou-se no maior poluidor mundial com a emissão de gases de estufa e dióxido de carbono.
Bastaria essa contradição para que os políticos europeus tivessem despertado para o que estava a suceder, enquanto a Europa descarbonizava à custa dos produtos chineses, estes continuavam a aumentar a poluição na sua produção a preços baixos.
Foi assim que o modelo económico e social da Europa se manteve nos últimos tempos, sem perguntas e sem uma estratégia, enquanto isso era mais fácil criticar as leviandades de Donald Trump.
Hoje, o mundo está nas mãos da indústria chinesa e nos seus carros elétricos.
O lóbi dos elétricos foi suportado numa rede de organizações ambientalistas para lá do razoável, num desconhecimento do que significava uma transição energética real e efetiva, na exploração de recursos fosseis e na exploração de mão-de-obra por parte do governo chinês.
Nós europeus estamos orgulhosos de comprarmos carros elétricos cada vez mais autónomos, bonitos e competitivos em termos económicos, esquecendo no entanto que caminhamos para uma dependência de uma ditadura que tem uma paciência milenar como é a chinesa e que vai minando a capacidade industrial e tecnológica da Europa.

