NOTA DA SEMANA: O que nos vale é um Aeroporto já velhinho!

Faz mais de meio século, precisamente cinquenta e três anos, que a construção do novo aeroporto de Lisboa é debatida, concluindo-se que, se este já estivesse sido concluído nos anos imediatamente subsequentes à constituição, em 1969, do Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa, por Marcello Caetano e Américo Thomaz, provavelmente já estaria era obsoleto.

No entanto, nem o novo aeroporto é uma realidade e, como se não bastasse, ficámos a saber que vamos ficar, não com um, mas com dois aeroportos, sendo caso para se dizer que “não há fome que não dê em fartura”.

No diploma de 1969 a previsão de um novo aeroporto era considerado, e tratado, como um importante problema nacional, face à expetativa do aumento do tráfego aéreo na capital portuguesa.

Mas não só, a pressão urbanística que se começava a registar na capital implicava um planeamento a longo prazo e, com isso, a deslocalização do aeroporto era fundamental para permitir o crescimento da cidade de Lisboa.

Importa no entanto reter alguns aspetos, e um deles passa por percebermos que o atual aeroporto da Portela, inaugurado em 1942, tem conseguido resistir e dar resposta ao longo de 80 anos e mérito seja dado a quem, inicialmente, o projetou.

A este propósito é bom que se saiba que a previsão do movimento de passageiros para 1975 era de 4 milhões, ora, na atualidade, o aeroporto da Portela acolhe, anualmente, cerca de 29 milhões de passageiros.
Significa pois, que a projeção do “velhinho” aeroporto de Lisboa foi devidamente pensada para as futuras ampliações que sucederam ao longo do tempo e se assim não fosse, ao longo destes fatídicos 50 anos de “reflexão” e estudos, atrevo-me a alvitrar que nem aeroporto na capital teríamos.

Outro dado pertinente é o número de localizações estudadas e anunciadas para a substituição ou relocalização da Portela e neste caso registam-se, imaginem, 17 locais, o que não deixa de ser paradigmático.

O primeiro local identificado, pelo então Gabinete criado por Marcello Caetano, indicava Rio Frio, contudo, com o 25 de Abril, o projeto foi abandonado e esteve na gaveta, em parte também por força da crise petrolífera das décadas de 70 e 80, isto até 1999.

De lá para cá tem sido um corrilório de hipóteses para a construção do novo aeroporto e, por exemplo, só a hipótese da Ota custou ao erário público em estudos cerca de 40 milhões de euros.

Atualmente a expansão do aeroporto General Humberto Delgado (Portela) está esgotada, e mais não se lhe pode pedir e muito menos prever, afinal, como já referi anteriormente, esta estrutura funciona desde 1942, já lá vão 80 anos.

Infelizmente, tivemos nos últimos dias mais um triste espetáculo político com tomadas de decisões ao arrepio da estrutura hierárquica governativa, em que num dia se anuncia uma solução e no dia seguinte é anulada a dita decisão.

Agora, esperamos pela decisão do maior partido da oposição sobre esta matéria, como se fosse este que estivesse no Governo da Nação e pior, temos uma nova proposta, neste caso do Partido Comunista Português (PCP) – faça-se o aeroporto em Beja, aproveitando-se a estrutura existente e o investimento já realizado.

Que País este o que temos!

Com o andar da carruagem, ainda voltamos ao início, ou seja, fazer o aeroporto em Rio Frio, conforme noticiou o Diário de Noticias à época, em 29 de Janeiro de 1969, sendo na altura responsável pela pasta das Obras Públicas o então engenheiro civil, Rui Alves da Silva Sanches.

Rio Frio fica situado a cerca de 40 Km da capital e na margem sul do tejo, mas tem um grave problema, é que foi a solução apontada pelo tal Gabinete criado no tempo da “outra senhora”, e por sinal, vejam só, quem tutelava o dito Gabinete era alguém com ligações a Arganil e à nossa região…

NUNO GOMES (Director de A COMARCA DE ARGANIL)