
Caros amigos leitores saúdo-vos nesta quadra que agora se vivencia, marcada pela presença da família em todos os momentos que antecedem e culminam na noite de Natal.
Nos tempos atuais, a figurante berrante e colorida do “Pai Natal”, imortalizada pelos anúncios comerciais da Coca-Cola, parece querer ocupar o lugar de destaque no imaginário da nossa sociedade consumista, para o qual todos nós, de forma mais ou menos inconsciente, temos vindo a contribuir.
Na realidade, é demasiado confortável marcar o Natal apenas pela simbologia da troca de prendas na noite de 24, ou na manhã de 25, de Dezembro, restringindo apenas a esse momento o significado desta quadra.
Mas o Natal é bem mais do que isso!
Na nossa matriz judaico-cristã que marca e caracteriza ainda, maioritariamente, a sociedade portuguesa, é a figura do Menino Jesus que ocupa o espaço central das nossas tradições.
O presépio que, harmoniosamente, convive com o pinheiro de Natal, representa a família, pedra basilar da nossa existência enquanto humanidade, assim como o Menino Jesus representa o nascimento da esperança, que se renova com a fé.
Infelizmente, parece que todos nós nos vamos esquecendo da importância de toda a simbologia que envolve a quadra natalícia, e o espírito que ela incorpora que vai mais além do que ser apenas a antecâmara para as festas que se avizinham e que aguardam a chegada do “Réveillon” com a passagem do ano.
Assistimos a uma desconstrução lenta e gradual, com o beneplácito e estímulo da ânsia de consumir e comprar, ou mesmo com o apoio das novas vagas filosóficas de uma política de inclusão social e existencial do politicamente correto, do que é verdadeiramente o nosso Natal.
O nosso Natal, puro e inocente, reflete-se verdadeiramente na imagem simples do Menino Jesus, nascido na pobreza e envolto no sublime amor de uma Mãe imaculada e de um Pai terreno que aceitou acolher a bênção do Espirito Santo na conceção daquele que viria a sacrificar-se por todos nós.
O nosso Natal, é aquele em que a família está junta, muitas delas em que os seus membros fazem milhares de KM apenas para uma reunião, em redor de uma mesa farta, mas acima de tudo humilde e unida.
O nosso Natal, perde-se e entranha-se nas serranias e nas aldeias, onde a fogueira ainda aquece os largos das mesmas, com cepos recolhidos, ou tomados “emprestados”, em terrenos esquecidos de vizinhos.
O nosso Natal, seja nas cidades, ou nos lugarejos esquecidos deste nosso Portugal, ainda é feito com a simplicidade de quem não gosta da solidão na consoada, mas aprecia o convívio fraterno daqueles que mais amamos.
No nosso Natal, o Pai Natal é uma figura decorativa, meramente engraçada, simpática e “bonacheirão”, mas é o Menino Jesus quem realmente nos comove e enternece.
No nosso Natal, acabamos por perdoar aos que nos são mais próximos, pelo menos durante aquelas horas em que o amor de família é o que realmente nos aconchega.
E é por isso, e apenas por esta simbologia do nosso Natal, que hoje vos envio esta mensagem de amizade, carinho e estima.
Aos leitores emigrados e longe do seu “torrão”, aos leitores residentes nas nossas serranias, aos leitores que encontram conforto nas nossas páginas, aos leitores que vislumbram um estímulo para o debate e troca de ideias por via dos textos publicados nas páginas do jornal A Comarca de Arganil, a todos eles desejo que tenham um Santo e Feliz Natal, com saúde e juntos daqueles que mais amam.
O Menino Jesus tem agora o seu tempo, e antes de crescer e chegar à Páscoa, perdoa com a inocência daquela criança bondosa que nos enternece e, ao mesmo tempo, desmonta os argumentos mais estruturados que racionalmente cuidamos e criamos para evitar perdoar, mas que não resistem a uma ternura inocente…assim são as boas pessoas – perdoam.

