
Concluídas as eleições legislativas, e ainda os Partidos faziam contas à vida, não apenas em número de mandatos, mas de igual modo no que às subvenções diz respeito, e logo meia dúzia de “iluminados”, encabeçados pelo ex-Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, apresentam uma sondagem/estudo em que, alegadamente, dois terços dos portugueses desejam a Regionalização.
Será caso para dizer que esta deve ser uma daquelas sondagens, ou estudos, que deverá ter incidido junto da pequena casta de portugueses que deseja andar a saltitar de eleições em eleições, ou então teve apenas em conta as respostas de uma certa elite que se diz intelectual que, de tempos a tempos, descobre ser necessário lançar temas para o debate político.
Seguramente Pedro Adão e Silva, responsável pelo Instituto para as Politicas Públicas e Sociais do ISCTE, deverá estar necessitado de ter espaço televisivo para que, dessa forma, possa regressar à ribalta do circo mediático que alberga uma vasta plêiade de comentadores que pouco, ou nada sabem, do País real.
No entanto, mais preocupante, é o facto de que tendo sido Ministro num Governo liderado por António Costa, alguém do Partido Socialista (PS) deveria ter dito ao responsável pela tal sondagem/estudo de que este não é o momento adequado para trazer essa temática para cima da mesa.
Falar da Regionalização no presente momento político é um erro crasso e uma idiotice!
E digo isto, não apenas porque discordo da alteração da organização administrativa do País com base numa hipotética Regionalização, contrária à unidade natural de Portugal, mas acima de tudo porque regionalizar será passar um atestado de estupidez a todos os portugueses, conduzindo a um aumento da conflituosidade entre territórios.
Será possível que não haja políticos eleitos capazes de Governar um País com pouco mais de 9 milhões de habitantes, com uma dimensão territorial bastante inferior à maior parte dos Países europeus e que se percorre, de automóvel, de uma ponta à outra, em meia dúzia de horas?
Regionalizar, no contexto atual, com enormes problemas de inclusão de inúmeras comunidades imigrantes e que carregam com elas distintas expressões culturais e diferentes identidades, era abrir o caminho para o desequilíbrio, em algumas localidades, face aos habitantes nacionais.
Mas pior, no contexto atual, discutir a Regionalização era justificar o discurso mais extremista da extrema-esquerda e da extrema-direita, bastando-lhes dizer que a implementação de um modelo administrativo composto por regiões, dotadas de estruturas próprias de decisão e eleição, destina-se a criar mais “tachos” para os “boys e girls” das juventudes partidárias e os parasitas dos aparelhos partidários e caciques destes.
Ninguém, no seu perfeito juízo, no cenário político atual e com alguma responsabilidade, deverá aceitar a reintrodução da discussão do tema da Regionalização, quando muito este deveria ser abandonado de uma vez por todas.
A ideia da Regionalização resultou, não da existência de diferenças e cissões nacionais que a fundamentam, mas única e apenas por causa dos Fundos Comunitários. Esta era, e sempre foi, a real premissa – o chico espertismo nacional sempre pensou em como enganar os países mais ricos para “sacar” mais dinheiro e, pelo caminho, arranjar mais uns “tachos”.
Regionalizar sempre teve o apoio de alguns setores e Partidos Políticos, pois estes viam nessa hipotética reforma administrativa do País mais um mecanismo para aumentar os fundos de coesão, tendo por base os rendimentos per capita de cada uma das hipotéticas regiões.
Atualmente, e depois das vergonhosas sondagens sobre as últimas eleições legislativas, cuja maioria das mesmas não obteve qualquer correspondência com a realidade dos resultados eleitorais, exige-se, no mínimo, bom senso.
Quanto aos “iluminados”, grupos de estudos e especialistas em tudo, pede-se: comecem a trabalhar para o País e não para as agendas políticas, ou espaços de comentário nas
televisões.

