
No passado dia 2 do corrente mês de Novembro, a localidade de Pessegueiro, concelho de Pampilhosa da Serra, serviu de palco a dois importantes eventos de muito significado para todos os pessegueirenses, tendo-se registado uma enorme participação humana, o que demonstra bem o sentimento de apego que estas gentes continuam a manter pela terra onde consolidaram fortes raízes.
Inauguração das obras
Como todos sabem a antiga capela dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, construída em 1899, após a construção da nova capela, em 1966, foi destinada a capela mortuária, dado estar junto ao cemitério da freguesia.
Em 1986, sofreu algumas obras de remodelação e dadas as suas funções, o pessegueirense – padre dr. Benjamim Alves – ofertou, para que fosse colocada no seu altar, uma bela escultura em madeira evocando Nossa Senhora da Boa Morte.
Volvidos quase quatro décadas após a última intervenção efetuada neste templo religioso, dadas as deteriorações visíveis na sequência do decurso dos anos e a necessidade de dotar este espaço de melhores condições de conforto para aqueles que ali pretendem despedir-se dos seus entes queridos, a Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Pessegueiro entendeu efetuar as necessárias obras de ampliação, reconstrução e restauro que se mostravam necessárias à luz da atualidade. Assim, o local foi ampliado, foram construídas casas de banho adequadas, reconstruído o altar primitivo, substituído o teto em madeira, reparadas as paredes e instalado novo mobiliário, sem que, exteriormente, a estética original tenha sofrido grandes alterações, o que se revelou uma enorme surpresa, pela positiva, para todos aqueles que o visitaram neste dia assinalável.
Pelas 10-30 horas, o padre João Baptista, mostrando-se bastante agradado com as obras levadas a efeito, proferiu algumas orações alusivas ao ato e procedeu à cerimónia da bênção do templo reconstruído e ampliado, após o que deu início à eucaristia dominical no interior do templo que, mesmo ampliado, foi pequeno para albergar tão significativo número de participantes.
No final da santa missa, pediu a palavra o eng. Jorge Alves Custódio para, na qualidade de tesoureiro da Fábrica da Igreja Paroquial de Pessegueiro, agradecer quer aos empreiteiros da obra, quer a todos aqueles que se disponibilizaram colaborar para a boa execução da mesma e dar conhecimento das contas relativas aos trabalhos executados. Referiu que os custos totais, tanto em termos de construção civil, carpintaria, restauros e equipamento, ascendem a cerca de noventa mil euros e que para suportar tais encargos contou com o apoio da Junta de Freguesia de Pessegueiro, da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Pessegueiro, das disponibilidades financeiras provenientes dos lucros obtidos com a realização das festas em louvor de Nossa Senhora de Lourdes, de duas famílias pessegueirenses e muitos outros que se têm mostrado disponíveis a colaborar. Contudo, sublinhou, que ainda falta pagar, aproximadamente, cerca de trinta mil euros, pelo que não deixava de apelar à boa vontade e ao sentimento colaborativo de todos os pessegueirenses e amigos para que, dentro das possibilidades de cada um, pudessem contribuir monetariamente de forma a que o valor em falta possa ser liquidado o mais brevemente possível e salientou que ao abrigo da lei do mecenato, uma vez que estamos perante uma Instituição Religiosa e dado que do donativo será emitido recibo, o correspondente valor ofertado poderá ser deduzido em termos de IRS ou de IRC.
Seguidamente, Paulo Mendes, na qualidade de elemento da comissão de festas de Nossa Senhora de Lourdes de 2025, tomou a palavra para agradecer a todos aqueles que colaboraram para o êxito da festividade levada a efeito em setembro último, informar do resultado obtido e indicar os novos componentes para a próxima comissão de festas.
A finalizar, o padre João Baptista, mais uma vez, com grande alegria, agradeceu a todas as Instituições e pessoas que colaboraram ou que venham a colaborar, para dar satisfação às necessidades financeiras desta magnífica obra que, em muito, dignifica a freguesia de Pessegueiro.
Permitam-me salientar que, todos aqueles que desejarem contribuir para esta obra, poderão transferir os seus donativos monetários diretamente para a conta bancária titulada pela Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Pessegueiro cujo IBAN é – PT50 0035 0582 0000 4299 1305 0.
Dado ser “Dia de Finados”, seguiu-se a habitual romagem ao cemitério local onde, cada um, lembrou os seus entes queridos.
Bodo
Eram 13 horas quando no Parque de Festas de Nossa Senhora de Lourdes, o padre João Baptista benzeu os pães que haveriam de ser distribuídos a todos os convivas presentes, dando seguimento a uma tradição secular em honra de São Simão, o padroeiro da freguesia de Pessegueiro.
Reza a lenda que, em ano de seca, traduzido em fome para a população que, ao tempo, apenas tinha como meio de sobrevivência a agricultura de subsistência, um pessegueirense prometeu ao santo padroeiro da Freguesia – São Simão – que no dia 28 de Outubro de todos os anos futuros (dia em que se comemora o santo) seria ofertado um bodo constituído por pão, vinho e tremoços a toda a pobre população e a quem nele participasse.
Dado que, após a promessa, o céu se fez escuro e as nuvens começaram a chorar, o que foi entendido como milagre de São Simão, nunca mais, ano após ano, se deixou de presentear todos aqueles que estiverem presentes nesse ato com um bodo que, atualmente, dadas as melhorias das condições económicas e sociais existentes, permite aos mordomos oferecerem, além do tradicional pão benzido, vinho e tremoços, outras iguarias que tornam este evento num autêntico banquete.
Apesar do dia 28 de Outubro ser considerado um dia santo de festa, considerado como “feriado local”, de forma a tornar as suas comemorações mais participativas tem-se vindo a optar por fazer a distribuição do bodo no domingo seguinte à referida data, pelo que, este ano, ao redor da mesa juntaram-se mais de uma centena de convivas.
Após o repasto, verificou-se uma tarde de convívio em alegre e franca cavaqueira a condizer com a noite de vésperas, em que, ao som da música regional do nosso conterrâneo Luís António e em ambiente de “Hallowenn”, jovens e menos jovens, mascarados ou não mascarados, divertiram-se até de madrugada.


