REGIÃO: Arganil, Góis, Pampilhosa da Serra e Lousã Municípios da região preparam homenagem a Nunes Pereira em 2026

Nuno Santos, Reitor do Seminário Maior de Coimbra, abriu sessão de apresentação das homenagens

A vida e a obra de monsenhor Nunes Pereira vão ser homenageadas em sete municípios da zona Centro do país. Entre janeiro e dezembro de 2026, sob o lema “Do nascimento ao [renascimento]”, as autarquias vão promover um programa comemorativo que visa enaltecer o legado artístico do padre nascido na aldeia de Fajão, na Pampilhosa da Serra. A apresentação pública das iniciativas decorreu no Seminário Maior de Coimbra, no dia 3 de dezembro, mês no qual Augusto Nunes Pereira celebraria 119 anos.

A data de nascimento de monsenhor Nunes Pereira não é consensual, existindo discordância se esta figura nasceu a 3 de dezembro de 1906 ou, pouco mais tarde, a 9 de dezembro. Data em que, segundo o reitor do Seminário Maior de Coimbra, Nuno Santos, foi registado o seu batismo. Com maior grau de certeza é possível afirmar que terá vindo ao mundo na aldeia da Mata, em Fajão, freguesia que faz parte do concelho da Pampilhosa da Serra. Ao longo do próximo ano de 2026, o percurso do pároco com uma forte ligação à arte sacra vai ser homenageado por sete municípios, com os quais se relacionou ao longo da vida e deixou marcas culturais que permanecem até hoje. Maioritariamente, é conhecido por ter desenvolvido obras relacionadas com a xilogravura (arte de gravar em madeira), embora também tenha explorado a aguarela, o desenho, a escultura, a poesia e o vitral (vidros de cores com desenhos, comuns em igrejas e capelas).  

As atividades vão ser distribuídas pelos sete concelhos ligados, historicamente, ao passado de monsenhor Nunes Pereira. O calendário cultural e religioso vai ter início em janeiro de 2026, em Coimbra, e vai passar também por Montemor-o-Velho, Góis, Arganil, Cantanhede, Lousã e Pampilhosa da Serra. Os municípios estiveram representados na cerimónia de apresentação das comemorações, pelos respetivos vice-presidentes ou vereadores, onde tiveram a oportunidade de apresentar os seus contributos para o programa que vai decorrer até dezembro do próximo ano. Segundo a vereadora da Câmara Municipal de Góis, Paula Matos, “tem sido muito fácil” o trabalho em conjunto com as restantes autarquias envolvidas no projeto. “O monsenhor, pelas suas origens e pelo seu percurso, merece que nós façamos esse esforço e possamos também desfrutar destas comemorações”, concluiu a responsável pelo pelouro da Cultura.

“Trata-se, pois, de um coletivo unido no mesmo propósito”, considerou Virgínia Gomes, conservadora das coleções de pintura, desenho e gravura do Museu Nacional Machado de Castro. Entidade que faz parte da coordenação destas comemorações, tal como os sete municípios envolvidos e a Oficina-Museu Nunes Pereira, localizada no Seminário Maior de Coimbra. De acordo com a conservadora, o objetivo a alcançar com esta iniciativa é “dar a conhecer” e “inscrever [monsenhor Nunes Pereira], legitimamente, na história da arte portuguesa”.

A 1 de junho de 2026, dia em que se assinalam os 25 anos do falecimento do artista, vão ser celebradas duas missas em sua homenagem

O programa vai arrancar no dia 10 de janeiro de 2026, na Oficina-Museu Nunes Pereira, com a exposição temporária intitulada ‘Nunes Pereira e o traço – 1929 a 2001’. Nos dias 4, 11 e 25 de fevereiro vai ter lugar a peça de teatro infantil ‘Todos ao Monte e Fé em Deus’, no Salão de São Tomás, no Seminário Maior de Coimbra, com sessões às 10-30 horas e às 14-30 horas. Ainda nesse mês, vai decorrer a inauguração de um monumento em homenagem ao artista, na rua Monsenhor Nunes Pereira, na cidade conimbricense, mas a data e a hora do acontecimento ainda não estão confirmadas. Em março, as comemorações deslocam-se a Montemor-o-Velho, com a apresentação do recital de poesia ‘Da Terra e do Céu’, no Museu Municipal. No mês seguinte, no dia 17 de abril, regressam a Coimbra, mais concretamente ao Museu Nacional Machado de Castro, com a exposição ‘A Ceia: Hodart e Nunes Pereira’, entre as 18 e as 20 horas.

No mês de maio, a homenagem a Nunes Pereira viaja até à sua terra natal. Inicialmente, no dia 16, no edifício Fajão Cultura, vai decorrer a sessão ‘Os Contos de Fajão’, às 15 horas. Mais tarde, entre os dias 18 e 22 do mesmo mês, no edifício Monsenhor Nunes Pereira, também na Pampilhosa da Serra, vai decorrer uma oficina pedagógica destinada aos mais novos, com o título ‘À descoberta do Augusto’. A 1 de junho de 2026, dia em que se assinalam os 25 anos do falecimento do artista, vão ser celebradas duas missas em sua homenagem, quer na Igreja de São José, em Coimbra, como na Igreja Matriz de Fajão. Entre os meses de junho e julho, nas Casas do Concelho de Pampilhosa, Góis e Arganil, vão ser exibidas temporariamente algumas das obras do pároco, sob o mote ‘Re-cor-dar Nunes Pereira’.

No dia 9, às 18 horas, vai desenrolar-se a sessão de encerramento desta iniciativa, com uma exposição temporária na Oficina-Museu de Nunes Pereira

Em setembro, no dia 20, pelas 15 horas, ocorrerá uma missa na Igreja Matriz de Ponte de Sótão, em Góis, seguida da inauguração de um mural em honra de Augusto Nunes Pereira. No mês de outubro, em Coja, vai ter lugar a apresentação do livro: ‘Nunes Pereira. Pelourinhos: símbolos de poder’, na Biblioteca Alberto Martins de Carvalho. A 7 de novembro, no Teatro Municipal da Lousã, realizar-se-á um colóquio subordinado ao tema ‘Ecologia, Arte e Contemporaneidade na obra de Nunes Pereira’, entre as 9-30 e as 18 horas. Por fim, em dezembro de 2026, mês no qual o pároco celebraria 120 anos de vida, vão decorrer dois evento. Na freguesia de Fajão, está previsto um concerto no dia 8, às 16 horas, não existindo mais informações disponíveis até ao momento. No dia 9, às 18 horas, desenrolar-se-á a sessão de encerramento das comemorações, com uma exposição temporária na Oficina-Museu de Nunes Pereira.

Monsenhor Nunes Pereira foi padre em Coja, entre os anos de 1935 e 1951. Durante este período, participou ativamente na reconstituição dos pelourinhos de Arganil e de Coja. Desenvolveu altares, pinturas em capelas e igrejas, desenhos e obras de talha. Além de ter colaborado com os órgãos de comunicação social A Comarca de Arganil, o Jornal de Arganil e a revista Arganilia.

PEDRO CUNHA – Estagiário