
Esta é a segunda vez que os autarcas de Oliveira do Hospital e Tábua reclamam junto do Governo o estatuto de calamidade para fazerem face aos prejuízos causados pelas tempestades que afectaram os respectivos territórios.
No caso de Oliveira do Hospital, o presidente da Câmara Municipal é claro: «O que é que falta acontecer em Oliveira do Hospital, nas freguesias de Oliveira do Hospital, para que o estatuto de calamidade seja atribuído? Será que é preciso falecer alguém? Será que é preciso algum edifício brutalmente derrubar? Será que é preciso perdermos mais duas ou três estradas?», questiona José Francisco Rolo, ao apontar o enorme grau de devastação no concelho (…) «que é reconhecido e notório».
Sem querer entrar em comparações com a devastação registada em Leiria, Coimbra e Baixo Mondego, o autarca salienta que (…) «é hora do Governo se mostrar solidário com o concelho» de Oliveira do Hospital.
«Queremos, à dimensão dos nossos danos, que nos ajudem a recuperar. Caso contrário, será com o esforço das freguesias e, principalmente, do Município que o temos que fazer de forma mais lenta e gradual», reconhece.
Recorde-se que até ao passado sábado, estavam registadas 336 ocorrências no concelho de Oliveira do Hospital.
No caso de Tábua, o presidente da Câmara Municipal aponta os quase dois milhões de euros de prejuízos como argumento para voltar a apelar ao apoio do Governo.
«Há municípios na região de Coimbra, como o nosso, que não tendo aquela classificação da calamidade, não estão a encontrar, nem podem submeter as candidaturas ao Estado para obter financiamento», reconhece Ricardo Cruz, salientando que os verdadeiros valores (…) «só podem ser feitos depois desta intempérie passar».
O autarca tabuense explica que apesar do Governo ter decretado o estado de contingência para o concelho, não estão claros quais os critérios de inclusão para se decretar situação de calamidade nos municípios. «Continuamos a não perceber [os critérios de inclusão na situação de calamidade], tendo em consideração que existem municípios com menos prejuízos que o nosso e que ficaram enquadrados», salientando, ainda assim, não querer fazer comparações.
Citado pelo jornal “Notícias de Tábua”, Ricardo Cruz revela ter já questionado o presidente da Estrutura de Missão “Recuperar Portugal”, não tendo obtido qualquer resposta. «Um telhado que voe em Tábua não tem hipótese de ser submetido a qualquer candidatura aos apoios, como acontece noutros concelhos próximos em situação de calamidade», deu como exemplo.
O presidente da Câmara esclarece ainda que (…) «Tábua não quer o estado de calamidade», mas sim ser (…) «abrangido pelas medidas excepcionais de apoio destinadas aos territórios afectados pelas intempéries».
Entretanto refira-se que a autarquia já concretizou um protocolo com a Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (ANCOSE), para (…) «salvaguardar alguma alimentação e também substituição de algumas coberturas (…) prontamente efectuadas» aos associados do Município de Tábua.

