
Na passada sexta-feira, a Secretária de Estado da Acção Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, esteve no concelho de Miranda do Corvo para uma visita ao CEARTE e à Cáritas instaladas do Mosteiro de Santa Maria de Semide e às instalações da Fundação ADFP, terminando com a recepção institucional nos Paços do Concelho e reunião com os representantes das IPSS do concelho.
“Vou de coração cheio”, disse a Secretária de Estado da Acção Social e da Inclusão no final da vista. Pelo que viu, pelo que ouviu, pelas “impressões e perspectivas trocadas sobre a área social” com o presidente da Câmara Municipal, José Miguel Ramos, e com os representantes das IPSS.
“Temos muito orgulho nas instituições que temos”, salientou o presidente da Câmara Municipal, considerando ainda que “a área social é muito importante para o nosso concelho”, sem deixar de recordar que a primeira Casa do Gaiato do país foi fundada em Miranda do Corvo, “uma terra onde temos, de facto, um conjunto de instituições muito acima da média quando comparadas com o número de habitantes que temos (…) e que tem um slogan que é a Terra Solidária precisamente por causa desta dinâmica. E por isso para nós é muito importante que o Governo esteja atento a estas dinâmicas, (…) porque eles é que são os obreiros e a nós cabe-nos o papel de fazer esta ponte, chamar a atenção para aquilo que é necessário para que estas instituições possam continuar a fazer um trabalho que muito apreciamos e que, acima de tudo, muito agradecemos”.
Intervenções urgentes e necessárias no Mosteiro de Santa Maria de Semide
E a primeira chamada de atenção foi na visita ao CEARTE e à Cáritas, no Mosteiro de Santa Maria de Semide, onde José Miguel Ramos se referiu à necessidade de intervenções urgentes no Mosteiro, não só para dar “novas vidas ao edifício”, mas também para dignificar as condições das instituições ali instaladas, referindo ainda que “estarmos à procura destas novas vidas para o edifício, obriga-nos também a valorizarmos e dignificarmos aqueles que cá continuam a operar” e, destacando a importância das duas instituições, considerou que “é assim que temos conseguido dar vida a este edifício e mantê-lo como está, ainda assim, com alguma qualidade. Fazemos aqui um trabalho social muito importante e também um trabalho na área da formação muito relevante”.
E por isso e como disse o presidente da Câmara Municipal, esta visita teve também como intenção “encontrar forma de ajudar as duas instituições de maneira a darem ainda mais qualidade àquilo que é o trabalho que aqui fazem, valorizando o que existe para, depois, também abrir portas a novos projectos”, reconhecendo a Secretária de Estado que o Mosteiro “precisa efectivamente de uma intervenção”, lembrando que para isso e no caso das instalações ocupadas pela Cáritas, haverá um programa especial de intervenções para casas de acolhimento”, deixando o compromisso de transmitir às várias áreas governamentais em causa, para definir estratégias que possam ajudar o Centro de Formação e a resposta social “e valorizar também não só as respostas, mas todo o edificado fabuloso” que é o Mosteiro de Santa Maria de Semide.
A visita da Secretária de Estado continuou na Fundação ADFP, onde decorreu uma breve reunião de trabalho para dar a conhecer (e ajudar a resolver) alguns processos pendentes com o Governo” e depois, na Câmara Municipal, o presidente referiu-se a algumas medidas de apoio social por parte da autarquia, nomeadamente aos estudantes do concelho, ao alargamento de horários em todas as escolas do concelho para “estarem agora abertas entre as 7h30 da manhã e as 7 horas da tarde”, permitindo “às pessoas puderem trabalhar, puderem fazer as suas vidas e saberem que, em rectaguarda, podem sempre contar com a escola para cuidar das crianças. Esta é uma medida pioneira que estamos a lançar (…) e nesta variedade de respostas dar aso àquilo que é a cobertura social do nosso território e da nossa população”, terminando por agradecer muito a vinda de Clara Marques Mendes “e que esta visita também a possa inspirar”.
Foram ouvidas também outras preocupações que afectam as IPSS do concelho, particularmente a Casa do Gaiato, com o seu responsável, padre Manuel Mendes, a dar conta, sobretudo, da morosidade da situação sobre a questão da regularização dos processos de naturalização portuguesa de alguns dos utentes da Casa, “são dolorosos os processos”, respondendo a Secretária de Estado que também “levo essa preocupação, essa vossa preocupação”.
“Vou de coração cheio com as respostas sociais que tem aqui Miranda do Corvo”, disse mais uma vez e no final da visita, Clara Marques Mendes, considerando que “são respostas sociais, de facto, muito transversais, que acodem a várias problemáticas da nossa comunidade e são exemplares. Eu vou, de facto, muito satisfeita por perceber que há aqui uma boa articulação do Município com as instituições. (…) Esta articulação é muito importante e o Governo quer, precisamente, também fazer esta articulação, ou seja, estar próximo com o Município, próximo das instituições e perceber as necessidades. E há, efetivamente, algumas necessidades”.
A Secretária de Secretária de Estado da Acção Social e da Inclusão, referiu ainda que “o Governo tem vindo a fazer um caminho com o sector social, no sentido de garantir-lhes logo uma maior previsibilidade e sustentabilidade no que diz respeito às comparticipações das respostas, mas percebemos também que aquilo que temos vindo a dizer, nomeadamente ser uma certa flexibilidade naquilo que são as regras para funcionamento das respostas, deve ser algo que o Governo deve olhar com atenção. Nós já tínhamos esse compromisso de o fazer no que diz respeito às respostas sociais e, portanto, foi perceber mais uma vez, de certa forma, que aquilo que temos vindo a fazer está no sentido certo e que temos de ter a atenção e reconhecer as instituições e estar próximas delas para resolver os problemas que vão identificando”.
“Foi um exemplo hoje daquilo que tão bem as pessoas fazem pelas nossas pessoas, pela comunidade”, disse a governante, adiantando que “levo várias situações que aqui me foram sinalizadas, umas que se prendem propriamente ou diretamente com a área que eu tutelo, (…) outras que naturalmente transmitirei aos meus colegas do Governo, “desde logo percebemos que na situação das respostas que funcionam no Mosteiro, há uma necessidade de uma articulação com outras áreas governativas, portanto eu assumo esse compromisso” e, sem deixar de reconhecer também que “estas instituições substituem-se ao Estado, o Estado delega-lhes esta função social e eu costumo dizer isto e digo mesmo com total convicção, as instituições não falham às pessoas, o Estado também não pode falhar”.
“Hoje levo daqui já muito do que vi e, devo dizer, a inclusão e a experiência que vivenciei, há pouco, no que diz respeito à empregabilidade e ao apoio às pessoas com deficiência para a integração e reconhecer-lhes o talento delas, é extraordinário. E nós temos, de facto, instituições que fazem um papel extraordinário”, reconheceu a Secretária de Estado da Acção Social e da Inclusão, terminando por salientar que “se não houvesse vontade governativa para resolver os problemas, eu não estava cá hoje. (…) Vou de coração cheio, muito orgulhosa e com maior responsabilidade ainda do que aquela que já trazia”.

