
A vila de Tábua recebeu, no dia 6 de junho, a cerimónia militar do 17.º aniversário do Comando Territorial de Coimbra da Guarda Nacional Republicana (GNR). As comemorações decorreram no Jardim Sarah Beirão, na presença do secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia.
“Estão aqui presentes, ou devidamente representados, os cerca de 850 militares e civis que integram o Comando [Territorial de Coimbra], os quatro Destacamentos Territoriais de Cantanhede, Coimbra, Montemor-o-Velho e Lousã, o Destacamento de Trânsito e o Destacamento de Intervenção. Subunidades que, em conjunto, trabalham diária e ininterruptamente para garantir a segurança de pessoas e bens neste distrito”, começou por dizer o coronel Diogo Dores, que exerce funções enquanto comandante da unidade territorial que assinalou o 17.º aniversário.
O comandante, que iniciou funções em maio do ano passado, recordou que os militares do Comando Territorial de Coimbra estão distribuídos por “23 postos territoriais” e enfrentam realidades distintas. “O território (…) apresenta-se como um desafio, que vai desde a componente urbana ao elemento rural”, explicou, acrescentando que o distrito engloba “cidades, vilas e aldeias”, incorpora “zonas industriais e zonas agrícolas”, possui “localidades concentradas e dispersas”, além de incluir “zonas balneares, vales fluviais e áreas de relevo acidentado”. No entanto, enfatizou que a unidade territorial é composta por “militares e civis” que “garantem, de forma exemplar, a segurança e a tranquilidade”.
Em 2025, foram registados “6 654 crimes” e “30 000 contraordenações”, que resultaram em “1 230” detenções. A “criminalidade geral” aumentou e a “violenta e grave” diminuiu, comparando os dados de 2024 com 2025
Em “2025”, ainda segundo Diogo Dores, esta unidade da GNR “detetou, registou ou tomou conhecimento” de “6 654 crimes” e cerca de “30 000 contraordenações”, resultando em “1 230 detenções”.

Entre 2024 e 2025, “observou-se um ligeiro aumento da criminalidade geral, na ordem dos 18%”. Em sentido inverso, no mesmo período temporal, “verificou-se uma diminuição da criminalidade violenta e grave”, também na casa dos “18%”. A “maior parcela” dos delitos registados, cerca de 47%, “foram contra o património”, ou seja, estão em causa “roubos, furtos e burlas”, entre outros. Por outro lado, a “violência doméstica” culminou em “cerca de 10% dos crimes registados pela GNR no distrito de Coimbra, nomeadamente contra “crianças, idosos e mulheres”, salientou.
“A vossa Guarda, garanto-vos, está atenta e empenhada em garantir que toda a interação com o cidadão se faz com respeito absoluto pelos direitos fundamentais e com elevados padrões de ética e moral”, enfatizou o responsável pelo Comando Distrital de Coimbra. Ainda no que diz respeito aos “direitos humanos”, assegurou que esta unidade será “muito exigente” com a “conduta” dos seus profissionais, reconhecendo também que os “militares” são “confrontados, diariamente, com situações difíceis e complexas”, num ambiente mediático de “escrutínio e visibilidade como nunca houve”.
Diogo Dores concluiu a sua intervenção, relembrando os “incêndios florestais muitos violentos” do ano passado, que afetaram os concelhos de “Arganil, Góis, Lousã, Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra”. Estes municípios enfrentaram uma “frente de fogo que consumiu, não só no distrito de Coimbra, mas na totalidade, mais de 64 mil hectares”, sublinhou, acrescentando que o trabalho desenvolvido “evidenciou o profissionalismo, a dedicação e o espírito de missão da unidade”, contribuindo para “mitigar os impactos” provocados por esta calamidade.
Telmo Correia sublinhou que a “segurança é uma responsabilidade partilhada”, implicando “cooperação” entre todos

Telmo Correia, secretário de Estado da Administração Interna, esteve presente nas comemorações e foi o último a usar da palavra. “Celebrar este dia aqui, em Tábua, tem um significado particularmente especial”, começou por dizer. “Tábua representa muito daquilo que melhor caracteriza um Portugal profundo. Uma terra de trabalho, de resiliência, de solidariedade, onde os valores da proximidade, da entreajuda e do respeito pelo próximo continuam, seguramente, a fazer parte do nosso quotidiano”, continuou o representante do Governo, completando que estes são também os “valores que caracterizam a GNR”.
“A segurança é uma responsabilidade partilhada. Exige cooperação entre as forças de segurança, as autarquias, os serviços públicos, instituições sociais, empresas e os próprios cidadãos”, salientou Telmo Correia, apresentando-se convicto de que esta “cooperação” é crucial para a “construção de comunidades mais seguras, coesas e preparadas para os desafios futuros”. O secretário de Estado recordou o papel “exemplar” da GNR na “resposta às tempestades” que, no início deste ano, “afetaram toda a região Centro do país”, salientando que o “Comando Territorial de Coimbra” é uma “instituição de confiança, de proximidade e de serviço público”.
“Portugal continua a afirmar-se como um dos países mais seguros do mundo, e isso deve-se às nossas forças de segurança”, continuou o governante, embora o país continue a “enfrentar desafios complexos e exigentes”. Aproxima-se um “período muito exigente”, dado o “aumento do risco” associado aos “incêndios rurais” nas “próximas semanas e meses” e, por esse motivo, Telmo Correia apelou à colaboração da população nesta matéria. “Limpem os vossos terrenos, ajudando-nos a prevenir tragédias que podem ser evitadas”, reforçou.
O secretário de Estado da Administração Interna mencionou que “se encontra em curso um processo negocial”, entre a GNR e o Governo, tendo em vista a “valorização das carreiras, do estatuto e das condições de serviço” nesta força de segurança.
Telmo Correia colocou ainda uma “Medalha de Serviços Distintos de Segurança Pública, grau ouro”, no estandarte nacional do Comando Territorial de Coimbra da GNR. A par deste momento simbólico, alguns militares foram condecorados com a “Medalha de Mérito de Segurança Pública”, a “Medalha de Mérito Militar” e com a “Medalha Militar de Comportamento Exemplar”.
A Orquestra de Câmara da GNR encerrou as comemorações, pelas 21-30 horas, com um espetáculo no Centro Cultural de Tábua.
Ricardo Cruz enalteceu o momento de “contacto com o povo”
No final das comemorações, em entrevista à A COMARCA, o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz, afirmou que a realização desta cerimónia “representa muito” para o concelho. Além de “exaltar os feitos” da GNR, a celebração do aniversário do Comando Territorial do Distrito de Coimbra foi também um momento de “contacto com o povo”, apontou.
O autarca destacou ainda a “boa articulação” entre a GNR e a Proteção Civil de Tábua, sublinhando que estão “coordenadas e empenhadas naquilo que é o bem comum”.Por outro lado, realçou também o “papel fundamental” desta força de segurança na “prevenção e na logística relativa aos incêndios rurais”.
Ricardo Cruz, em sintonia com o apelo efetuado pelo secretário de Estado da Administração Interna, reiterou que os “proprietários” devem proceder à “limpeza” dos seus terrenos, “cumprindo a sua tarefa” e ajudando a prevenir a propagação dos incêndios florestais, existindo vários apoios neste âmbito.
Paralelamente, agradeceu aos “particulares” que colaboraram com a autarquia, dando permissão às entidades municipais para “atuarem e limparem” as suas propriedades.

