NOTA DA SEMANA: “Só sei que nada sei” – Sócrates o filósofo

Começou o julgamento do século, ou pelo menos o mais importante dos próximos anos, no âmbito do sistema democrático português.

José Sócrates, por muitos classificado como o “menino de oiro” do Partido Socialista, deu a primeira maioria absoluta a esse Partido e governou durante 6 anos, mas ao longo desse trajeto, e a partir de certa altura, as polémicas começaram a marcar presença, desde a questão da licenciatura, passando pelos casos do Taguspark e do Freeport.

A todas elas José Sócrates foi sobrevivendo, revelando ser um animal político, cujas principais características eram: centralizar poder de decisão, controlar a comunicação e inovar, ou pelo menos dar essa sensação.

E na realidade, o ex-primeiro-ministro deixou marcas incontornáveis, a começar pela política da promoção das energias renováveis a uma escala sem paralelo e ainda, como Secretário de Estado do Desporto de António Guterres, ter sido o obreiro da vinda do Europeu de 2004 para Portugal.

Foi no entanto, também responsável por mais uma bancarrota que pesa e pesou na história do PS e, muito em particular do País.

No entanto, José Sócrates não será culpado de tudo!

E muitos dos que hoje esperam pela sua condenação judicial, uma vez que na praça pública há muito que foi condenado, muito graças e por via daqueles que durante anos o bajularam, são aqueles que permitiram os seus desvarios e deslumbramento.

Para esses, o grande receio é o que poderá ainda dizer José Sócrates sobre aqueles que o abandonaram, colocando a sua “cabeça” numa bandeja pronta a ser servida pelo Estado de Direito como exemplo do combate à corrupção e à impunidade.

O antigo Primeiro-ministro vai-se bater ferozmente, vestindo a pele de alguém que está contra o sistema, gritando que este está dominado por enormes interesses políticos e económicos, para paradoxo e surpresa de todos nós.

E o exemplo mais recente dessa cruzada foi o anúncio pela defesa de José Sócrates da intenção da transmissão em direto do seu julgamento, algo que não deixa de colocar, não apenas o sistema judicial numa escolha difícil no processo de descoberta da verdade, mas acima de tudo de desvalorização do trabalho jornalístico que, e verdade seja dita, em alguns momentos não foi isento.

Se alguma coisa se pode pedir ao coletivo de juízes será sempre para que tenham a coragem e a serenidade para descobrir a verdade, mesmo que ela culpe ou inocente o “animal feroz” que ainda é José Sócrates.

Quanto a nós, simples cidadãos, devemos concentrar as nossas atenções na máxima de José Sócrates, o filósofo, “Só sei que nada sei”.

Se conseguirmos abstrairmo-nos de tudo o que foi dito sobre este processo, aí sim poderemos julgar a decisão que venha a ser tomada, com a isenção e imparcialidade que exigimos ao sistema de justiça, mas cujo maior exemplo deverá partir dos cidadãos.

Só dessa forma poderemos ser justos para com o arguido José Sócrates, mas também para quem tem a árdua tarefa de o julgar.

Faça-se justiça! Para bem de todos nós.