REGIÃO: Estação Náutica da Região de Coimbra é a “maior” do país

A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) recebeu a certificação para a nova Estação Náutica. A cerimónia decorreu na Praia Fluvial do Vimieiro, em Penacova, no dia 8 de janeiro. A Estação Náutica da Região de Coimbra (ENRC) agrega 19 municípios do Centro do país, estando descentralizada em três polos territoriais: o do Pinhal Interior, que é coordenado pela Pampilhosa da Serra, o do Mondego – Aguieira, por Mortágua, e o da Costa Atlântica, liderado pela Figueira da Foz.

Segundo o secretário executivo da CIMRC, Jorge Brito, a “governança desta Estação Náutica” vai decorrer “de uma forma um bocadinho diferente”. A ENRC vai implementar um modelo administrativo “polinucleado”, suportado por três pilares: o “polo da Costa Atlântica”, “coordenado” pela “Figueira da Foz” e engloba também “Cantanhede” e “Mira”; o “polo do Mondego – Aguieira”, liderado por “Mortágua” e abrange “Coimbra, Condeixa, Mealhada, Montemor-o-Velho, Penacova, Soure e Tábua”; e o “polo do Pinhal do Interior”, que incorpora “Arganil, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Penela, Oliveira do Hospital e Vila Nova de Poiares”, sendo a coordenação da responsabilidade da “Pampilhosa da Serra”. No total, a Estação Náutica abrange 19 municípios e conta com “132 parceiros”, incluindo entidades públicas e privadas.

Para António José Correia, ao ser a “maior”, esta Estação é também a “mais desafiante”, revelou o membro da equipa executiva do Fórum Oceano, entidade certificadora da ENRC. Neste sentido, destacou a “proximidade” e a “complementaridade” enquanto dois elementos essenciais para a “dinamização” dos polos territoriais. “Hoje é um dia histórico”, afirmou Helena Teodósio, presidente da CIMRC, sublinhando que “o futuro” da região de Coimbra “será escrito com a fluidez e a força” das suas “águas”. Segundo a autarca de Cantanhede, a distribuição da ENRC em três polos, cada um com características diferentes entre si, “permite que a região de Coimbra seja um destino para todo o ano”, tendo atividades diversificadas que podem passar pela “adrenalina das ondas”, como é o caso do surf, ou pela “serenidade da canoagem” nos rios. A dirigente espera que os 19 municípios sejam reconhecidos como “um destino de boas práticas”, dada a aposta numa estratégia de “desenvolvimento económico” que coexiste com a “preservação da qualidade das águas e dos ecossistemas”.

Álvaro Coimbra, presidente da Câmara Municipal de Penacova, recorreu ao exemplo da Praia Fluvial do Vimieiro, onde decorreu a cerimónia, para demonstrar que “é possível potenciar, de uma forma sustentável e equilibrada, um recurso natural de beleza ímpar, num local turístico que acrescenta valor ao território”. Na sua visão, o investimento neste tipo de iniciativas permite “estimular a criação de novos projetos e negócios”, “potenciar os recursos endógenos”, “capacitar os agentes no terreno”, “contribuir para a estruturação da oferta turística” e “promover o território através de campanhas de marketing”. O autarca acrescentou que os “números do setor do turismo”, quer no concelho que representa, quer na região, “são reveladores de uma dinâmica que tem vindo em crescendo nos últimos anos”. O presidente da Comissão Executiva da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, enalteceu o “trabalho” realizado “em conjunto” entre as entidades “públicas” e “privadas”, que aposta em “criar riqueza no território”. O responsável salientou que Coimbra passou a ser a “região com mais estações náuticas do país”, com uma “diversidade” que se estende do “litoral” ao “interior”, o que “valoriza” os “recursos”, as “tradições” e a “identidade” da zona Centro.

Jorge Brandão, em representação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, enfatizou a “enorme riqueza” da região, quer de “recursos naturais”, como “patrimoniais” e “endógenos”. O vogal executivo da Comissão Diretiva do Programa Operacional Centro 2030 sublinhou a importância do Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos (PROVERE), por “financiar projetos” que promovem os produtos do interior e “dinamizar a atividade económica associada a estes recursos”. Hélder Almeida, em representação do PROVERE Náutica Centro, acentuou a relevância da “parceria” com as diversas entidades institucionais e empresarias. Desta forma, procurou-se desenvolver uma “rede” de “colaboração” e “contacto” para “criar iniciativas que resultem e que tenham impacto (…) para os locais, para o negócio (…) e para o crescimento económico”, assente em “fatores de sustentabilidade”, “responsabilidade corporativa” e “ação concreta no terreno”.

O secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, esteve presente na cerimónia de certificação, realçando que a ENRC “afirma a visão estratégica” de Portugal no âmbito do “desenvolvimento económico sustentável”, nomeadamente através da “valorização da água, do mar e dos seus recursos”. O representante do governo acrescentou que a “economia azul” está a “crescer consistentemente há mais de uma década” no país, citando os últimos dados do estudo “Conta Satélite do Mar”, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, que demonstram que “o setor” gerou “mais do que 4,3%” de “valor acrescentado bruto nacional” – indicador que ajuda a medir o desempenho económico. O secretário de Estado recordou que o governo “reativou” a “Comissão Interministerial para os Assuntos do Mar”, tendo como intuito “acelerar a implementação da ‘Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030’”, a qual “atribui ao turismo náutico um papel determinante de promoção da economia azul sustentável”.

A ENRC abrange mar, rios, albufeiras, praias fluviais, marinas e zonas balneares. As Estações Náuticas são uma rede nacional de oferta turística certificada, que surgiu através do projeto Portugal Náutico, desenvolvido pela Associação Empresarial de Portugal e pelo Fórum Oceano. Além de atividades náuticas, esta rede contempla serviços como alojamento, restauração e animação turística.

Estagiário (*)