
No dia 24 de Fevereiro fez precisamente 4 anos de duração da guerra que abala a europa central, e marcada pela ignóbil invasão da Ucrânia pela Federação Russa, tendo este conflito uma longevidade já superior à II Guerra Mundial.
Sem darmos por isso, a Europa, o Continente dos direitos e liberdades, está assolada por um conflito cujo fim está longe de surgir no horizonte e os países europeus pouco, ou nada, conseguiram fazer para colocar um término ao mesmo.
No entanto, e em bom rigor, o conflito entre a Ucrânia e a Federação Russa já leva 12 anos, pois iniciou-se em Fevereiro de 2014, com a invasão da Crimeia, sob o beneplácito dos então líderes europeus e americano, este último era o Presidente Barack Obama.
Contudo, o conflito atual tem tido maior impacto, não apenas pelo número de mortes cujos valores reais estão longe de ser conhecidos, mas acima de tudo pela exposição da enorme fragilidade em que assenta a União Europeia.
Poucos são hoje os que se recordam que a resistência inicial da Ucrânia se deveu muito, não apenas ao seu líder Volodymyr Zelensky, mas igualmente a Boris Johnson, que logo no início do conflito colocou em cima da mesa a necessidade do envolvimento militar das nações europeias no combate às tropas de Putin.
Ou seja, o líder do País que saiu da União Europeia, neste caso o Reino Unido, foi o primeiro a admitir a necessidade de um envolvimento militar direto dos países europeus na defesa da soberania ucraniana, especialmente porque esta seria a única forma de rechaçar os ímpetos russos de expansão.
Como todos sabemos Boris Johnson acabou por deixar de ser o Primeiro-Ministro britânico e a liderança que se lhe seguiu optou por se manter distante do conflito, assegurando apenas o envio de armas para o cenário de guerra.
Já os outros países europeus atropelaram-se entre juras de apoio eterno ao povo ucraniano e exigências para que este não usassem na plenitude o potencial das armas fornecidas, no mínimo um contrassenso.
Na realidade, a guerra na Ucrânia apenas veio revelar o insucesso do modelo europeu quando tem que tomar decisões que envolvam qualquer disputa militar.
A Europa já não pode mandar outros combater por ela, muito menos os americanos que se saturaram de suportar, por via indireta, o desenvolvimento do modelo de proteção social europeu que tanta inveja faz ao resto do mundo.
Foi através da opção feita pela Europa em não investir e suportar a capacidade militar dos seus exércitos que permitiu a construção de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais equilibrada. Foi uma opção, e agora tem de decidir se inverte este caminho e regressa a um modelo belicista de defesa dos seus interesses, ou pelo contrário, aceita entregar a Ucrânia ao seu invasor!
Durante mais quantos anos estará a Europa disponível para ir fornecendo o mínimo para que a Ucrânia se mantenha na luta pela sua autodeterminação e independência?
Passaram 4 anos de combates, e os europeus apenas se limitaram a fornecer algumas armas, e a lançar pacotes de sanções contra a Federação Russa, que já vai no 21.º envelope de restrições.
A Rússia vai vendendo petróleo à Republica Popular da China, que tem vindo a subsidiar direta e indiretamente o esforço de guerra russo, ao mesmo tempo que os líderes europeus vão visitando Pequim com promessas de maiores liberdades comerciais no mercado europeu.
Que diferença existe entre China e Rússia? Não são ambas ditaduras com vontades expansionistas?
A Federação Russa chamou para o conflito que mantém na europa central a Coreia do Norte, uma ditadura sanguinária, a República Islâmica do Irão, outra ditadura mas de cariz Teocrata, e a República Popular da China, seguramente uma ditadura do proletariado. Que une então esses regimes, para além do facto de serem regimes ditatoriais?
No palco europeu estão em confronto os regimes democráticos contra os regimes mais extremistas e controladores das liberdades, mas que fazem os europeus?
Agem apenas como cobardes, apregoando a sua altivez moral, mas sem que sejam realmente capazes de fazerem alguma coisa para defenderem os valores em que dizem suportar as suas democracias.
Ir para a guerra não agrada a ninguém de bom senso, mas fugir da sua inevitabilidade apenas enfraquece a existência das democracias.
A Europa, como projeto político, há muito que perdeu o sentido de existência. Entre a vontade histórica alemã de construir e dominar um império, passando pela grandiosidade francesa de ser o farol das liberdades, pouco mais resta do que este mundo de ilusões.
O projeto europeu estará condenado ao fracasso se não for capaz de defender qualquer país do velho continente que queira viver sem ser subjugado.

